quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

perdeu o bonde andando?



Hoje fiquei horas presa num engarrafamento desses bem típicos das vésperas de natal, quando parece que todos os carros da cidade estão na rua! as pessoas buzinavam, nervosas, reclamando da loucura que estava o trânsito.

E pensar que toda aquela balbúrdia vai ser motivo de riso pras gerações futuras, a bordo de transportes que ainda nem podemos supor! da mesma forma como hoje nós achamos graça nas reações apavoradas e indignadas das geracões passadas contra a velocidade e o perigo representado pelos bondes elétricos, que já foram chamados de o perigo amarelo

olhem o que diz o Correio da Manhã, em 1906:
Não é que a Light decidiu exterminar a honesta população desta cidade? (...) Os bondes elétricos continuam a esmagar e trucidar inocentes passageiros.

E a revista Fon-Fon: 
Os estropiados aumentam e a população de tais lugares, se de todo não desaparecer, em breve ficará privada de braços e pernas.

Quem andou de bonde não esquece os reclames.  O mais famoso foi escrito por Bastos Tigre:


Veja gentil cavalheiro
o belo tipo faceiro
que o senhor tem a seu lado
e no entando, acredite:
quase morreu de bronquite
salvou-a o rhum creosotado!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

dura lex sed lex II

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A propósito da sentença transcrita no post anterior, o Helio Pimentel manda uma informação  muito interessante. Diz o Helio:

No livro "Macacos", o Drauzio Varella conta que, entre os orangotangos, existem uns machos de menor porte que atacam as fêmeas dos outros para estuprá-las.

Estes estupradores, quando são pegos, são condenados à morte e jogados do topo das árvores.


É...! Manoel Duda não se criava lá não! 

sábado, 15 de dezembro de 2007

dura lex sed lex: Sentença Judicial de 1833


Mais uma do meu arquivo. É uma sentença proferida pelo juiz  da província de Sergipe, num caso de tentativa de estupro. Como diria dona Jura -né brinquedo não! 

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazera lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará.
Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em assucare della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágiodo sucesso faz prova.

CONSIDERO

que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; que o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; que Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO

o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.
Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos Juiz de Direito

Vila de Porto da Folha (Sergipe) 15 de outubro de 1833

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas
                
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o canto do Uirapuru

A foto é do Dalgas Frish, que dispensa apresentações. Dalgas foi pioneiro na gravação do canto das aves sul americanas, e o único a conseguir capturar o lendário canto do uirapuru verdadeiro, que só existe nas florestas do Acre.

O uirapuru canta somente uma vez por ano, durante a confecção de seu ninho. E quando canta, os outros pássaros calam. Dalgas conseguiu a célebre gravação em 1962, nas matas do seringal Bagaço, e o feito teve logo repercussão internacional. Um jornal americano o registrou com a seguinte manchete: o caruso das selvas grava um best-seller

Na mitologia amazônica, o uirapuru é símbolo da sorte e da felicidade, e quem escuta seu canto pode fazer um pedido aos céus e será atendido.

Que ele cante para todos nós!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

As memórias do coronel Fittipaldi

Estou voltando de Brasilia. Fui para o lançamento do livro do coronel, do seu Hernani, do pai da Lucinha, minha amiga-irmã, companheira de toda a adolescência.  

Fizemos o clássico no Elefante Branco, íamos juntas aos sábados do Yate Clube, às domingueiras do Congressinho, e os finais de semana eram na casa que seu Hernani e dona Eunice tinham construído no lago, que naquele início dos anos 60 ainda estava quase desabitado.

Seu Hernani, gaúcho de Uruguaiana, despois de ter sido piloto e ajudante de ordens de Getúlio Vargas, foi para Brasilia levado por Juscelino: na época, era o único profisional que dirigia helicóptero na América do Sul, e o uso do helicóptero era essencial numa cidade que estava sendo construída, ainda sem ruas, onde só se podia chegar aos lugares pelo ar.

A convivência com Vargas é o assunto desse primeiro livro de memórias. Digo primeiro, porque o coronel ainda tem muito a contar. Foi testemunha e personagem de fatos históricos, durante o período Vargas, Juscelino e Joao Goulart. 

Foi ele quem tirou Jango de Brasilia e levou para o Uruguai, quando do golpe militar de 64. É claro que o prenderam na volta, assim que aterrisou.  E é claro também que o feito fez do coronel o nosso herói preferido, naqueles dias em que a ditatura se instaurava.

Além da importância histórica, o livro é delicioso de ler. 


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Hipnose para fumantes


Li no France Soir. Depois que entrou em vigor a lei que proibe fumar nos lugares públicos, o jornal vem abordando, todos os dias, um tema em torno do cigarro. O de hoje é a utilização da hipnose terapêutica como meio de se conseguir vencer a dependência do tabaco.

O método é simples: consiste em sugerir, ao hipnotizado, a rejeição ao fumo, procurando desfazer em seu inconscientes, as associações que ele criou entre o cigarro, estados emocionais e situações cotidianas, como tomar um cafezinho, por exemplo, falar no telefone, coisas assim.

Quem fuma ou já fumou, sabe que a dependência vive mesmo dessas associações. O cigarro pode ser uma muleta para suportar tensões cotidianas, ajuda a pensar melhor, libera a imaginaçao, faz companhia. Enfim, está sempre ligado a sensações agradáveis. 

Nesse sentido, ainda que a longo prazo, as proibições acabam tendo seu efeito, na medida em que vão criando associações desagradáveis com o fumo: nao é nada cômodo deixar os amigos na mesa e ir para a porta de um restaurante fumar, por exemplo. 

Sei não... se a hipnose terapêutica for mesmo capaz de  cortar esses vínculos, pode ser uma boa dica. 

Leia AQUI

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

ainda o caso do menino Hugo


Hugo podia ser o filho de qualquer um de nós: qual é o menino que não joga futebol? se a algazarra natural do jogo incomodava os vizinhos, será não havia maneira mais humana e mais civilizada de fazer alguma coisa? precisava dar tiros para por fim à brincadeira?

Anos atrás tivemos um caso semelhante. Foi na Urca. Incomodado com a barulheira que vinha da rua, o sujeito disparou uma flecha em direção às pessoas e atingiu, também, uma criança. 

Isso mesmo, uma flecha. A perícia localizou exatamente de que janela ela havia partido. Que se saiba, sem necessidade de nenhuma testemunha que pudesse dizer para onde estava voltada a cabeça do menino no exato momento em que a flecha o atingiu. Para a perícia, bastou saber o local onde ele havia caído. 

Suponho que uma bala na cabeça derrube uma pessoa ainda mais depressa do que uma flechada, e essa constatação basta para qualquer leigo concluir que Hugo só poderia estar no lugar onde caiu, quando recebeu a bala.

Até hoje pensei que a perícia só precisasse saber a posição de um corpo, para concluir de que direção partiu uma bala!  Vocês também não pensavam????

Espero que os nossos peritos lembrem dos seus filhos, dos seus netos, que certamente também gostam de jogar futebol e não deixem uma barbaridade dessa sem resposta: Hugo tinha o direito de crescer!

heinnnn???? heinnnn????


Nos jornais de hoje, um perito explica que vai ser difícil saber de onde partiu o tiro que atingiu o menino Hugo, quando jogava uma partida de futebol no Clube Federal, alto Leblon:

o alvo é móvel. Até agora, é impossível precisar a posição da vítima no momento do impacto. Sabemos que ele estava parado diante do gol, olhando para a arquibancada, mas ninguém soube precisar a posição da cabeça...

Essa, nem em novela!

Pelo andar da carruagem, só uma coisa se pode concluir com certeza: é mais um caso que vai ficar impune!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Novas mídias, novos talentos

                   Uma das inovações mais bonitas e bem-vindas da internet é essa de dar às pessoas a possibilidade de chegar ao público exibindo um trabalho ou um talento, sem mais depender de encontrar alguém que faça isso por elas.

                 O YouTube está aí, revelando muita gente boa nas mais diversas áreas. E o primeiro concurso de curtas promovido pelo site foi vencido por brasileiras, que disputaram com 3.600 concorrentes de várias partes do mundo: "Laços", de Flavia Lacerda e Clarice Falcão levou o prêmio de 5 mil dólares, mais um espaço no festival de Sundance.

                Parabens, meninas! e vamos torcer por vocês!

Saiu o DVD de "Amazônia -de Galvez a Chico Mendes"!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Morte em Veneza: o drama na vida real

Quem não se lembra do Tadzio, de Morte em Veneza? o adolescente que encarnou o ideal de beleza que apaixona, confunde  e leva à morte o músico  Aschenbach?

É irônico, mas na vida real, o destruído mesmo pela beleza de Tadzio foi seu intérprete, o menino sueco Bjorn Andrésen, que tinha só 14 anos quando fez o filme que o transformou em objeto de desejo no mundo inteiro.

Quando Visconti o escolheu ele estudava música, morava com o padrasto e tinha, naturalmente, expectativas muito mais modestas na vida.  Depois de Morte em Veneza tentou seguir a carreira de ator, lançou-se como cantor, mas não teve nenhum sucesso: havia-se tornado prisioneiro de Tadzio.

Há casos assim, em que a personagem aprisiona o intérprete, torna-se uma camisa de força que o impede de seguir adiante.  Bjorn conta que não importava o que ele quizesse mostrar: todas as platéias só esperavam e queriam ver "o menino mais bonito do mundo", que Visconti havia imortalizado.

Estava lendo uma entrevista dele, de 2005, quando completou 50 anos. Bjorn não tem boas lembranças daquela época, muito menos do filme.  Está certo de que teria sido mais feliz se não o tivesse feito, e confessa que se sentiu traído por Visconti, porque filmou sem ter nenhuma noção da temática homossexual de Morte em Veneza, que o perturbou a ponto de interferir em sua sexualidade.

Acaba a entrevista  com uma frase amarga, mas bem verdadeira: 

-Todos procuram o menino mais bonito do mundo e só encontram o menino mais velho do mundo
Aqui está ele, aos 52 anos:

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Essa é a Nana

A Modernd Sound ficou pequena para ver Nana Caymmi nessa noite de terça: quem não conseguiu sentar ficou em pé mesmo, lotando a loja até a porta da rua, mas ninguém arredou o pé antes da última música!

Nana arrasou. Rasgou a alma. Cantou Caymmi, cantou os boleros que aprendeu no tempo que viveu na Venezuela, casada com o médico que é pai dos seus três filhos, se emocionou falando de amor, dos pais, do natal que se aproxima, aplaudiu a derrota de Chavez no plebiscito do último dia 2 e protestou contra a pirataria, conclamando a platéia a não comprar discos pirateados: 

entendo que a idéia de comprar o disco dos seus cantores preferidos por 3, 5 reais,  seja atraente -ela disse-. Mas lembrem: PIRATARIA É DESEMPREGO. NAO FINANCIEM O DESEMPREGO!

Foi ovacionada! Tomara Deus que venha a ser atendida também!

Gibis


Olhem o que eu encontrei na página do Luiz D', um apaixonado pelo Rio antigo. São os gibis da minha infância também, ainda que eu tenha sido criança muito longe daqui, lá em Rio Branco, no Acre!

Eram tempos de faroeste: filmes de bang bang, brincadeiras de mocinho e bandido, revolver de espoleta, Roy Rogers, Hopalong Cassid, o nacional Jerônimo -o herói do sertão, que virou até novela de rádio.

Meninos vestidos de cowboy defendiam fortes imaginários, expulsavam forasteiros, cavalgavam cabos de vassoura como se fossem cavalos puro sangue. 

Nesse tempo, ficção era ficção, realidade era realidade.  Todo mundo sabia a diferença. Não havia esse patrulhamento de hoje, essa tendência a enquadrar a ficção no politicamente correto e deixar a realidade entregue às traças!  não passava pela cabeça de nenhum pai que o filho poderia se tornar um aficcionado em chacinas se desse tiros com revolver de espoleta.

A geração dos cowboys cresceu pacífica: paz e amor, bicho!