sexta-feira, 30 de maio de 2008

O blog da Juliana



A noiva é a Juliana, garota paulista que conheceu um rapaz indiano pela internet e acabou se casando com ele. Deu tudo certo, os dois estão felizes, vivendo em Delhi, dentro do tradicional estilo de vida indiano. 

Juliana foi uma das brasileira que conheci na viagem de pesquisa à Índia.

Ela está começando a escrever um blog, que é muito interessante para quem quer saber mais sobre a Índia.  Clique AQUI para conhecer

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aprendendo a vestir o saree

Existem muitas modos de vestir o saree. Cada região da Índia tem sua maneira.
Escolhi essa, porque o cenário é o de uma típica loja indiana.

terça-feira, 27 de maio de 2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Gol contra!

Patética a atuação da "perícia"contratada pelos Nardoni!

Em matéria de desastre, a performance dos contratados só é comparável àquela entrevista do casal para o Fantástico.

Mas o que  é isso, doutores? um mínimo de compostura não faz mal a ninguém!

sábado, 24 de maio de 2008

tilaks, bindis e sindoor


Tilak é essa marca vermelha, que enfeita a testa dos indianos, representando a abertura de um terceiro olho, voltado para o conhecimento interior. Simboliza, também, a devoção a seu deus, de modo que os homens a recebem nas festas religiosas, e os mais devotos andam sempre com ela.

Você saberá a que linha do hinduísmo pertence um saddhu ou um sanyasis, através do desenho que o tilak faz em sua testa.

O bindi, que você vê nas caixinhas -existe em todas as formas e em todas as cores-, é indispensável para a mulher indiana.

E o sindoor é a marca vermelha, na divisão dos cabelos da mulher à esquerda. Corresponde ao que significa, para nós, a aliança de casamento.

Se uma mulher fica viúva, ali mesmo, diante do corpo do marido, o sindoor é retirado, e são quebradas as pulseiras, outro símbolo que as identifica como casadas

Veja AQUI a propaganda da pasta que faz a marca do tilak e do sindoor

sexta-feira, 23 de maio de 2008

do blog do Altino: índios isolados do Acre

Não sei se vocês sabiam, mas nós temos, no Acre, tribos indígenas que nunca entraram em contato com a civilização.

Pela primeira vez uma dessas tribos foi fotografada. Quem conseguiu o feito foi o sertanista Meirelles, que fez as fotos a bordo de um monomotor.

Olhem o que o Altino conta:

As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção, enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião.
Leia mais no Blog do Altino

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Aishwarya em Cannes



Olhem quem está em Cannes, no festival 2008: Aishwarya Rai. Ela é maior estrela do cinema indiano, e seu casamento, com o galã Abhishek, foi um acontecimento na Índia.

Mas antes de casar com ele, Aishwarya casou-se com uma bananeira: um jeito encontrado pelos astrólogos de iludir os astros, driblando o mau agouro que o horóscopo da estrela predizia para seu casamento.

Coisas da Índia!

terça-feira, 20 de maio de 2008

cenas da Índia


Ela é a Jhumuri, ele o Manu. O casal de macacos teve um casamento de príncipes: um banquete para três mil convidados, que custou 3.500 euros! Jhumuri vestiu-se de sari, à maneira das noivas humanas, com todos os adereços próprios para a ocasião: braceletes, enfeites com pasta de sândalo, tudo como manda o ritual, e ainda ganhou, de um dos convidados, um colar de ouro.

Manu veio ao encontro da noiva com toda a pompa, carregado em ruidosa procissão, como manda a tradiçao indiana.

Os dois foram criados por famílias diferentes, e depois da cerimônia,oficiada por um sacerdote, claro, ganharam a liberdade e partiram em lua de mel. A mãe da noiva chorou, emocionada, e declarou que sentia como se uma filha sua estivesse partindo.

Como vocês sabem, os indianos tem um carinho especial pelos macacos,a ponto de lhes dedicarem um templo, porque um dos seus deuses mais queridos, Sri Hanumam, o filho do vento, tomou essa forma.

Hanumam foi o amigo fiel de Rama, o herói indiano que representa todas as virtudes do homem justo, honesto, que age sempre de acordo com seu dever. A saga de Rama está contada no Ramayana, clássico da literatura hindu.

A esposa de Rama, Sita, foi sequestrada por um demônio, e Hanumam cruzou o mar para resgata-la. Ele representa a amizade desinteressada, a abnegação, o celibatário que esquece de si para servir ao outro, que põe a vida a serviço de um ideal.

Hanumam faz muitos milagres, mas recentemente os indianos descobriram mais uma de suas especialidades: ele agiliza vistos! isso mesmo: tem sido cada vez maior o número de devotos que, de passaporte na mão, vão ao templo, pedir a intercessão do deus -é o visto Hanumam. E dizem que não falha!

Incrediable India!

domingo, 18 de maio de 2008

Vacas Sagradas

Não falei pra vocês que as vacas eram abusadas na Índia? não é pra menos:

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Obrigada, Dorothy!


Há anos, há muitos anos, estamos lutando para tirar do nosso código penal o "protesto por novo júri", que consiste em mandar, a novo julgamento, o condenado a pena superior a 20 anos.

O benefício, criado na época do império, para evitar injustiças no caso dos condenados à morte, continuou valendo, mesmo depois de a pena de morte ter sido abolida no Brasil.

Resultado: seja qual for a gravidade do crime cometido, a pena máxima passou a ser, na prática, de 19 anos e 6 meses, para evitar que o desfecho do caso fosse adiado para daqui a mais 4, 5 anos!

Eu mesma, quando o Tribunal do Juri condenou os assassinos de minha filha, e o juiz pretendeu aplicar, aos dois, a pena máxima de 30 anos, roguei que não o fizesse.

Algumas vezes os juízes faziam. No caso da chacina de Vigário Geral, por exemplo, quando homens com toucas ninjas invadiram a comunidade e executaram indiscriminadamente 22 moradores. Que eles mereciam os 30 anos, ninguém duvida. O juiz aplicou a lei e o resultado é que, até hoje, o caso não teve desfecho. Lá se vão quase 15 anos!
diante da indignação pública, nossas autoridades costumam responder que não se pode sair modificando a lei em clima de comoção popular!

foi preciso a a comoção dos estrangeiros, quando o estranho benefício acabou deixando impune o mandante do assassinato da missionária Dorothy, para inibir nossas autoridades de repetir que em momento de comoção não se mexe na lei! As providências foram tomadas, e o congresso votou: até que enfim, o protesto por novo juri foi retirado do código!

Aliás, não me espanta que aqueles sete jurados tenham votado pela absolvicão do mandante do crime: sabem que ficaria solto. Sairia do tribunal pela porta da frente, para recorrer em liberdade. E, mesmo preso, no máximo em 5 anos estaria na rua. 

Se fez isso com a missionária, imagine o que não poderia fazer com cada um daqueles anônimos que o condenaram! Garanto que eles pensaram nisso!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Nem o advogado esconde que sabe

O dr. Levorin, advogado do casal Nardoni, escancarou a culpa dos clientes.
A declaração está no jornal O Globo:

entendemos que as provas são vulneráveis. Por isto estamos sustentando a negativa de autoria

sábado, 10 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

os presidiários também querem JUSTIÇA!


O promotor Cembranelli, pedindo a prisão preventiva do casal Nardoni, registra uma indignação que é de todos nós: porque se manda para a cadeia quem rouba um pote de margarina e se deixa na rua quem assassina uma criança?

Coisas da nossa justiça de "primeiro mundo": uma menina é assassinada brutalmente, e ao invés de estarmos discutindo violência doméstica, psicopatia, novas formas de proteção da infância, o que vemos é um debate surreal sobre se a lei permite ou não permite que a prisão dos executores seja decretada.

A esse respeito, vou deixar registrado, aqui, meu depoimento sobre uma situação vivida 15 anos atrás, quando eram passadas, de mão em mão, as assinaturas que vieram a tornar-se a primeira emenda popular da História do Brasil: aquela que inclui o homicídio qualificado entre os crimes hediondos, merecedores, portanto, de uma pena mais severa, e de uma estada maior atrás das grades.

Um dia, chegaram às minhas mãos mais de 500 assinaturas, vindas de um presídio do Rio. Achei logo que aquilo era armação para desmoralizar a campanha: como assim? estávamos pedindo endurecimento de pena, e os presidiários assinavam em massa a reinvindicação?

Pedi a um amigo, conhecido produtor, que fosse ao presídio. Ele foi. Voltou com a confirmação das assinaturas e um recado dos presos:

-diga a ela que fomos nós, sim. A gente vem pra cadeia de qualquer jeito, pelo menos agora os ricos vem também!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Aarti

Aarti é uma cerimônia coletiva de veneração aos deuses, realizada em dias especiais para as pessoas que participam dela: membros da família que se queira reverenciar, récem casados, quando se vai empreender algum negócio importante, tomar alguma decisão de vida.

O objetivo do ritual é pedir sabedoria, riqueza, sorte, saúde, paz, aos deus a quem se oferece a homenagem. A cerimônia é sempre presidida por um brâmane, casta mais elevada, que tem por dharma (dever moral), realizar as cerimônias religiosas.Pode ser feita tanto no templo quanto nas casas.

Vejam como é bonita, alegre, e como flui de maneira leve e amorosa o relacionamento do indiano com seus deuses:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dr. Ambedkar, o pai dos "intocáveis"


Pouco conhecido no Ocidente, o dr Ambedkar é adorado e reverenciado pelos "intocáveis" na Índia. Não há "intocável" que não tenha, em casa, uma fotografia sua, posta em lugar de honra. E não é pra menos: ele fundou o primeiro partido político de "intocáveis", presidiu a Assembléia Constituinte quando da independência da Índia, e foi o principal redator da nova constituição.

Ramji Ambedkar era um "intocável" também, fazia parte do contingente humano que os textos sagrados definem como "a poeira aos pés de Brahma", aqueles que nascem "impuros", não podem beber do mesmo poço que os integrantes das castas, nem tocá-los, mesmo com sua sombra.

Desafiando todas as probabilidades, conseguiu estudar, e através de bolsas, doutourar-se pela Universidade de Columbia e pela London School of Economics. Voltou à Índia em 1923, tornou-se líder dos "intocáveis" e, como Gandhi, mas através de propostas diferentes, lutou pela conquista de seus direitos políticos.

Um dos momentos mais célebres de suas campanhas foi quando, no final de um comício, depois de um discurso caloroso e apaixonado, queimou um exemplar das leis de Manu, código anterior a Cristo, que dispõe sobre as castas, determinando os direitos e deveres de cada uma delas.

A ruptura entre Ambedkar e Ghandi se deu através das soluções conflitantes que ambos apresentavam para a causa dos intocáveis. Ambedkar acreditava que só seria possível integra-los plenamente através da destruição do sistema de castas, o que implicava em separar a vida civil da vida religiosa. Certo de que nenhum candidato intocável venceria uma eleição aberta a todas as classes, propôs que os párias constituissem um eleitorado à parte: na disputa por um cargo público, intocáveis seriam eleitos por intocáveis. Desse modo, eles teriam sempre representatividade garantida no governo indiano.

Gandhi sentiu o hinduísmo ameaçado, e se opôs tenazmente à idéia, acreditando que a integração dos intocáveis não necessitava de soluções laicas para tornar-se real. Podia ser feita sem necessidade de ferir os princípios do hinduísmo. Ele próprio fundou um ashram (templo) que compartilhou com intocáveis, e chegou a adotar, como filha, uma menina intocável.

Quando os britânicos ameaçaram ceder às reinvindicações de Ambedkar, ele protestou, com uma greve de fome que acabou fazendo o lider dos intocáveis recuar. Decepcionado, Ambedkar tentou outra estratégia: liderou um movimento de conversão em massa dos párias ao budismo. de modo a livra-los das restrições impostas pelo sistema de castas. Mas morreu antes que a nova iniciativa desse frutos.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Viúvas na Índia


Uma viúva deve sofrer até a morte, preservada e casta; A mulher virtuosa, que permanece pura após a morte do marido, ganha o paraíso ; Uma mulher infiel ao seu marido vai renascer no útero de um chacal.
(As Leis de Manu, capítulo 5, versículo 156-161, Dharamshastras)


É, ser viúva na Índia, como diria dona Jura, "né biscoito não"! Mas já foi bem pior, quando a tradição determinava que elas fossem queimadas na pira funerária, junto com a cara-metade. A placa que você vê na foto está no Forte Mehrangarh, em Jodhpur, no Rajastão, e representa as mãos das muitas viúvas do marajá Singh, sacrificadas quando de sua morte.

O ritual se chama Sati e, esporadicamente, ainda é praticado em algumas regiões mais tradicionais, ainda que esteja proibido por lei.

Ele tem origem no sacrifício de Sati, a primeira esposa do deus Shiva, que se matou, numa demonstração de fidelidade ao amado que estava sendo humilhado.

Ainda que a prática do sati tenha caído em desuso, a sorte das viúvas indianas ainda é trágica o suficiente. Entende-se que elas não trouxeram sorte para a família, uma vez que os maridos morreram. Encontrei recentemente, no livro de uma indiana, a afirmação de que, na Índia, a viúva é um tabu tão forte quanto a necrofilia. Isso porque, segundo a tradição, a mulher é percebida como uma extensão do marido.

Logo que se torna viúva, ali mesmo, diante do falecido, todos os símbolos do casamento lhe são arrancados: quebram suas pulseiras, tiram de seus cabelos a risca vermelha que identifica a mulher casada. Devem vestir-se de branco para o resto da vida e, se muito tradicionais, trazer a cabeça raspada.

Tornam-se um peso para as famílias do marido, uma boca a mais para alimentar, um corpo a mais para vestir. Sem meio de sustento próprio, é comum que se livrem delas, mandando-as para abrigos de viúvas -existem muitos deles em Varanase.

Deepa Mehta fez um belo retrato dessas viúvas em Water, filme que compõe a trilogia da diretora sobre mulheres na Índia. Vale a pena assistir: