terça-feira, 8 de julho de 2008

e nós? não vamos reagir?

Mais um pai em desespero, enterrando um filho. Agora uma criança de 3 anos, fuzilada por policiais que "confundiram" o carro onde ele ia, com a mãe e um irmãozinho, com o carro dos bandidos que perseguiam!

Semana passada quem estava na primeira página era Daniela Duque, mãe do rapaz assassinado por um PM que fazia a segurança do filho de uma promotora.

Semana retrasada eram as mães do morro da Providência, que tiveram os filhos entregues por soldados do exército brasileiro a traficantes.

Sem falar nas dezenas de outros assassinatos do gênero, que nem sequer chegam ao noticiário!

Logo, outro crime, tão pavoroso quanto, estará substituindo a morte do menino João Roberto nas manchetes do jornais. As autoridades virão a público, dirão frases de efeito, a população anestesiada vai demonstrar sua indignação nas mesas de bar, em roda de íntimos, e tudo continuará como antes no quartel d'Abrantes!

A verdade é que perdemos a capacidade de nos indignar! de reagir!

E nesses tempos ferozes, nada melhor que lembrar a doce figura do profeta Gentileza, aquela personagem bíblica que vagava pela cidade, distribuindo flores e pregando o amor como remédio para todos os males: "gentileza gera gentileza", ensinava o profeta.

Será mesmo que o louco era ele?



12 comentários:

Ersatz disse...

Poucas pessoas conseguem transformar indignação em ação como você. Estamos condicionados a nos encolher. Medo emudece. Particularmente, as histórias de perdas me emocionam de um jeito que não sei bem por onde passa em mim. Li uma vez um conto do Sergio Sat'anna onde aos poucos ele lembrava das pessoas que haviam deixado de conviver com ele. Terminei a leitura aos prantos. Soluçando muito e sem conseguir fazer coisa alguma. E assim, eu paraliso, como quando me deparo com notícias que você relatou e outras tantas de âmbito mais próximo que chego a saber, mas logo volto a uma rotina cada vez mais diminuta. Menos livre e mais egoísta em seus objetivos. Quando leio uma pergunta como a que nomeia seu post, fico procurando nos pequenos atos que tenho algo de bom que me torne menos omisso. Mas não acho mesmo nada e isso não é nada agradável. Não é só assinando projetos, repassando emails, cuidando do voto e pagando impostos que vamos mudar alguma coisa. A tendência natural é reprimir as reações que temos, porque em primeiro lugar, o que nos vem a cabeça são reações agressivas e provocações mau canalizadas. Vivo em arte minhas dores e questões de vida e não julgo isso suficiente. Cuido do meu voto mas sei que se não cuidar dos eleitos não adianta nada. Tenho um discurso que busca ser bem informado e correto. Mas a vida é muito mais que isso. E não vai ser através de um nível de amor interpessoal que as coisas vão mudar. É preciso um amor pelo outro e pelo humano imenso. Um amor que seja força e fúria. Que nos faça ver e mudar cada engano com o espelho do caráter honesto. Leonardo Boff disse uma vez que para fazer uma boa ação só é preciso vontade, mas que para fazer uma grande obra é necessário Indignação e Ternura. O medo maior é que se perdemos a capacidade de nos indignar realmente, as grandes obras (socias, artísticas e culturais) vão se extingüir também.

Anônimo disse...

Gloria, não sei se vai lembrar de mim. Eu sou a autora do livro da Fernanda vogel. Meu sempre obrigada pela força em ter lido meu livro e ter feito maravilhosas observações. Parabéns pela escolha do tema sobre a Índia. Adoro demais o lugar, faço Yoga há alguns anos e sei a força daquela terra, com suas histórias tão impressionantes.
Deixei um recado para você no Orkut, mas estou sem saber se você é você por lá. Gostaria de mandar um DVD. Ou posso colocar na internet e mandar o link. Aproveito para deixar aqui o link de duas personagens minhas. Gostaria muito que você desse uma olhadinha.

Maria da Poesia
http://br.youtube.com/watch?v=4gxgdnW9W8M

Rosiclene quer ser atriz: http://br.youtube.com/watch?v=ipIwxEXx_GE

Sobre mais esse crime, é um absurdo tão sem tamanho a morte desse menininho de três anos que a gente começa a preparar o coração para o pior, já que não temos freio e estamos caminhando cada dia mais ribanceira abaixo. Que tristeza constatar por um vídeo que quem deveria proteger, atacou e ainda mentiu a verdade dos fatos. Infelizmente, o que podemos esperar desses militares que ganham tão pouco? Muitos estão não só corrompidos, mas com a mente imunda de pensamentos equivocados sobre ataques em áreas urbanas. Não sou técnica no assunto, falo aqui apenas com o coração e com uma vontade enorme de não ter que assistir meninos tão pequeninos morrendo, antes mesmo de saberem o que é viver.
Que Deus ilumine seu caminho. Você merece ter sempre sucesso para ajudar o Brasil a lembrar que pode ser melhor!
Bjinhos. Tammy
www.tammyluciano.com.br

edson disse...

Poderiam considerar o gentileza louco, mas ele não saia por ai atirando em inocentes,não sou do Rio de janeiro mas cada vez que visito essa cidade tenho mais medo dos policiais do que dos bandidos,na verdade no rio não sabemos quem e policia e quem e bandido,claro que ha casos e casos mas enfim um dia desse houve uma manifestação em copacabana contando as vitimas que ainda estão por vir e o pequeno João infelizmente ja faz parte dela, o que me doeu no coração foi ele ter sido enterrado com a roupa do homem aranha o personagem que iria trazer o tema de seu aniversario dia 29 proximo...Meu Deus que judiaria.....

Odele Souza disse...

Vejo com preocupação o conformismo e a perda da capacidade de indignação. Indignar-se e reagir é preciso. Indignar-se e reagir diante da violência, da corrupção,do desrespeito aos nossos direitos, das injustiças e de tudo o que nos agredir física e emocionalmente. O silêncio, em relação a tudo isto, me traz à mente sempre uma frase de Martin Luther King:
O QUE MAIS PREOCUPA,
NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS,
NEM DOS CORRUPTOS,
NEM DOS DESONESTOS,
NEM DOS SEM-CARÁTER,
NEM DOS SEM-ÉTICA.
O QUE MAIS PREOCUPA, É O SILÊNCIO DOS BONS"

Um abraço Glória.

Carlos disse...

Taí uma bela discussão para a sua novela que vai abordar a questão da saúde mental. Será que o louco era o Gentileza?
Carlos

Fernando disse...

Oi Glória, gostaria imensamente de ver o tema ALIENAÇÃO PARENTAL incluído em suas pesquisas, pois fala-se muito da violência "física" mas a violência psicológica, que atormenta 9o% do planeta, não aparece. Muitas vezes essa estupidez começa dentro de casa, na infância. Tenho uma filha de 10 anos que sofreu "lavagem cerebral" da mãe desde os 3 anos e, hoje, é órfã-de-pai-vivo, porque me rejeita e não consegue mais confiar em mim (veja www.apase.org.br, por exemplo, para maiores detalhes sobre esta síndrome). Um grande abraço.
Fernando.

Blog da Vizinha disse...

Pobre pai, mais um órfão de filho. A violência mudou nossos hábitos e convivemos menos com nossos familiares ou porque o caminho é perigoso ou porque existe o risco constante de tiroteio e bala perdida e, até medo da própria polícia!
Tenho mais de 50 anos e bandido, naquela época, quando morava próximo ao Morro do Andaraí era o "Cara de Cavalo". Ouvíamos no rádio quando atacava, mas acabou morto, se não me engano. Hoje são tantos e todos os tipos de crimes que em pouco tempo poderão superar a população honesta e trabalhadora, refém de um caos vindo de leis que beneficiam o delito e outras mazelas. Onde vamos parar?
O contraponto de tudo isso: Glória Perez nos contemplou com o PROFETA GENTILEZA. O próprio pai, ainda de luto, se reporta a GENTILEZA como o PROFETA da PAZ.
Quando menina, conheci GENTILEZA pelas ruas do centro do Rio. Se aquilo era loucura, viver seria uma maravilha! Valores como PAZ, AMOR UNIVERSAL e generosidade eram pregados por ele e ouvido pelo povo num misto de dó e de respeito. Quando o via ficava paralisada. Tudo nele era importante: a voz, a palavra, as roupas...
Até a semana passada chorava sempre que via algo sobre ele, mas não senti isso na novela. Faltou algo. Quando o chamavam de maluco, ele respondia: "Estou maluco por vc e louco pra te salvar". O personagem Raul se depara com ele no caminho e o chama de maluco antes de entrar num táxi, mas não foi essa sua resposta! É uma reedição do PROFETA GENTILEZA? As roupas, também não eram bem aquelas, nem os sapatos. A família de GENTILEZA, em Mirandópolis doou todo o material e roupas dele à ONG GENTILEZA GERA GENTILEZA. Está lá pra qualquer um ver!
Desculpas, Glória. Peço descuplas porque a tenho como uma mestra! Como gostaria de aprender a escrever com vc. Sou uma escritora que ainda não nasceu e, talvez não nasça nunca se vc ficar brava comigo.(rs)
Os trejeitos do personagem o tornam um tolo ou um louco. O olhar, sempre doce acompanhava uma fala mansa e meio gaga.Alguns membros da ONG querem falar com vc, Glória. Mas, mesmo que não falem, peça à sua equipe uma pesquisa mais fidedigna sobre o PROFETA GENTILEZA! Acho que vale a pena. A dor desse pai e a citação de GENTILEZA são polos opostos que se unem num momento de dor e, temos que respeitar isso! Respeitar a dor desse pai, respeitar a memória de GENTILEZA...

Um Forte Abraço, Glória! Minha admiração por vc aumenta cada vez mais! Desejo a vc PAZ, AMOR, FELICIDADE. Sempre!!!

Aline Cristhina Silva Rodrigues disse...

Gostaria que a autora de temas tão especiais realmente visse esse comentário e nos desse um retorno. Sou de Florianópolis SC e sou professora de Informática em uma escola da rede particular de ensino. Sou visitante assídua da cidade do Rio de Janeiro (pelo menos duas vezes ao ano). Aqui trabalhamos com temas anuais de projetos de trabalho, e desde o final do ano passado tínhamos escolhido como tema gerador: GENTILEZA! E por uma incrível coincidência, ou não (em algum momento nossos pensamentos se cruzaram), você trouxe o profeta Gentileza para o nosso dia-a-dia tão bem representado pelo ator Paulo José, por quem temos muito carinho e respeito pelo trabalho realizado aqui no nosso estado (documentários sobre histórias de Santa Catarina). Estamos destacando esse tema como algo urgente para o relacionamento humano, tendo por objetivo principal a busca pelo desenvolvimento e prática de valores essenciais à construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Afinal, o que é ser gentil? Esta resposta é exatamente a mola propulsora de nosso trabalho, disseminando entre as crianças o quão importante é ser educado, ter caráter, valor e ética. Gostaríamos de contar com a sua parceria, pois trabalharemos o tema simultaneamente. Nossos alunos já conhecem a história do Profeta e a sua preocupação em semear nas pessoas o amor.Inclusive estive no Rio no carnaval e fotografei algumas das pilatras pintadas pelo profeta e trouxe para os meus alunos, completando com o depoimento emocionado de ter estado lá. Quem sabe podemos trocar vivências e de alguma maneira ajudar no seu trabalho, já que em rede nacional você atinge milhares e milhares de pessoas. Estamos tranquilos, com certeza estamos fazendo a nossa parte para que o mundo dos nossos filhos e alunos tenha coerência e razão de existir com FELICIDADE! Um forte abraço, professora Aline Cristhina.
e-mail: alinecristhina@bol.com.br

Joao Batista Santos. disse...

Primeiro levaram os negros,
mas não me importei com isso.
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários,
mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis,
mas não me importei com isso.
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados,
mas como tenho meu emprego,
também não me importei.

Agora estão me levando, mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém,
ninguém se importa comigo.

Bertold Brech



Nesses tempos onde impera a lei do mais forte, as pessoas tem medo de serem guiadas pelo coração.

O objetivo em voga é matar um leão por dia, e nessa busca desenfreada pelo sucesso profissional e posição social, o "ser" perde para o "ter".

Não sinto vergonha de assumir que sou fraco perante essa guerra ilusória. Mas não vou deixar de me guiar pelo coração e me escandalizar com as notícias dos jornais e se isso me faz ser tolo, babaca e asqueroso, dane-se!

Enquanto existir pessoas não apáticas, a proposta do Profeta permanecerá, pode crer!

BjOs

Joao Batista Santos. disse...

Para o Blog da vizinha.

Tenho uma péssima mania de comentar os temas, sem antes ler os comentários. e isso já gerou confusão pro meu lado.

Parece até psicografia quando postei que: se isso me faz ser tolo, babaca e asqueroso, dane-se!... hahahahahaha



Da vizinha

Achei lamentável a sua colocação, quando se referiu a uma novela que tem como um dos objetivos denunciar a exclusão de nós portadores de esquizofrenia.

Vc diz:

"os trejeitos do personagem o tornam um tolo ou um louco".

Desculpe, mas essa é a forma mais descarada do preconceito velado.
É o mesmo que chamar um negro de alma branca.

Afirmo, não por orgulho, mas condição que o Gentileza era maluco (beleza)sim!...

Estamos ferrados!... Será que até os nossos heróis e as boas referencias, estão querendo nos negar?

Vc e essa "ONG" deveriam rever os seus conceitos e estudar + a vida do Profeta.




Quanto ao resto, digo que, por vc ser uma escritora, deveria saber que existe uma tal de "licença poética" que dá liberdade para o autor se expressar da forma que quiser.

O paulo José, poderia estar pelado que não deixaria de representar o nosso profeta.

BjOs

Anônimo disse...

É,um erro comum se achar que o mal dos outros ,não é um mal nosso !!!!... basta olhar para a realidade!!!!

Cecília Ribeiro Marcondes disse...

Glória querida...

Sei que a novela está em seus capítulos finais. No entando, sugiro uma homenagem ao querido profeta: que ao invés dele oferecer flores, a situação se invertesse e alguém lhe trouxesse uma, com um "muito obrigado" em nome de todos nós. Seria um reconhecimento a esse grande homem que não deve ser esquecido.
Obrigada, profissional e ser humano maravilhoso que vc é...
Saúde e Paz!

Grande bjo.