quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

perdeu o bonde andando?



Hoje fiquei horas presa num engarrafamento desses bem típicos das vésperas de natal, quando parece que todos os carros da cidade estão na rua! as pessoas buzinavam, nervosas, reclamando da loucura que estava o trânsito.

E pensar que toda aquela balbúrdia vai ser motivo de riso pras gerações futuras, a bordo de transportes que ainda nem podemos supor! da mesma forma como hoje nós achamos graça nas reações apavoradas e indignadas das geracões passadas contra a velocidade e o perigo representado pelos bondes elétricos, que já foram chamados de o perigo amarelo

olhem o que diz o Correio da Manhã, em 1906:
Não é que a Light decidiu exterminar a honesta população desta cidade? (...) Os bondes elétricos continuam a esmagar e trucidar inocentes passageiros.

E a revista Fon-Fon: 
Os estropiados aumentam e a população de tais lugares, se de todo não desaparecer, em breve ficará privada de braços e pernas.

Quem andou de bonde não esquece os reclames.  O mais famoso foi escrito por Bastos Tigre:


Veja gentil cavalheiro
o belo tipo faceiro
que o senhor tem a seu lado
e no entando, acredite:
quase morreu de bronquite
salvou-a o rhum creosotado!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

dura lex sed lex II

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A propósito da sentença transcrita no post anterior, o Helio Pimentel manda uma informação  muito interessante. Diz o Helio:

No livro "Macacos", o Drauzio Varella conta que, entre os orangotangos, existem uns machos de menor porte que atacam as fêmeas dos outros para estuprá-las.

Estes estupradores, quando são pegos, são condenados à morte e jogados do topo das árvores.


É...! Manoel Duda não se criava lá não! 

sábado, 15 de dezembro de 2007

dura lex sed lex: Sentença Judicial de 1833


Mais uma do meu arquivo. É uma sentença proferida pelo juiz  da província de Sergipe, num caso de tentativa de estupro. Como diria dona Jura -né brinquedo não! 

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazera lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará.
Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em assucare della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágiodo sucesso faz prova.

CONSIDERO

que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; que o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; que Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO

o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.
Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos Juiz de Direito

Vila de Porto da Folha (Sergipe) 15 de outubro de 1833

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas
                
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o canto do Uirapuru

A foto é do Dalgas Frish, que dispensa apresentações. Dalgas foi pioneiro na gravação do canto das aves sul americanas, e o único a conseguir capturar o lendário canto do uirapuru verdadeiro, que só existe nas florestas do Acre.

O uirapuru canta somente uma vez por ano, durante a confecção de seu ninho. E quando canta, os outros pássaros calam. Dalgas conseguiu a célebre gravação em 1962, nas matas do seringal Bagaço, e o feito teve logo repercussão internacional. Um jornal americano o registrou com a seguinte manchete: o caruso das selvas grava um best-seller

Na mitologia amazônica, o uirapuru é símbolo da sorte e da felicidade, e quem escuta seu canto pode fazer um pedido aos céus e será atendido.

Que ele cante para todos nós!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

As memórias do coronel Fittipaldi

Estou voltando de Brasilia. Fui para o lançamento do livro do coronel, do seu Hernani, do pai da Lucinha, minha amiga-irmã, companheira de toda a adolescência.  

Fizemos o clássico no Elefante Branco, íamos juntas aos sábados do Yate Clube, às domingueiras do Congressinho, e os finais de semana eram na casa que seu Hernani e dona Eunice tinham construído no lago, que naquele início dos anos 60 ainda estava quase desabitado.

Seu Hernani, gaúcho de Uruguaiana, despois de ter sido piloto e ajudante de ordens de Getúlio Vargas, foi para Brasilia levado por Juscelino: na época, era o único profisional que dirigia helicóptero na América do Sul, e o uso do helicóptero era essencial numa cidade que estava sendo construída, ainda sem ruas, onde só se podia chegar aos lugares pelo ar.

A convivência com Vargas é o assunto desse primeiro livro de memórias. Digo primeiro, porque o coronel ainda tem muito a contar. Foi testemunha e personagem de fatos históricos, durante o período Vargas, Juscelino e Joao Goulart. 

Foi ele quem tirou Jango de Brasilia e levou para o Uruguai, quando do golpe militar de 64. É claro que o prenderam na volta, assim que aterrisou.  E é claro também que o feito fez do coronel o nosso herói preferido, naqueles dias em que a ditatura se instaurava.

Além da importância histórica, o livro é delicioso de ler. 


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Hipnose para fumantes


Li no France Soir. Depois que entrou em vigor a lei que proibe fumar nos lugares públicos, o jornal vem abordando, todos os dias, um tema em torno do cigarro. O de hoje é a utilização da hipnose terapêutica como meio de se conseguir vencer a dependência do tabaco.

O método é simples: consiste em sugerir, ao hipnotizado, a rejeição ao fumo, procurando desfazer em seu inconscientes, as associações que ele criou entre o cigarro, estados emocionais e situações cotidianas, como tomar um cafezinho, por exemplo, falar no telefone, coisas assim.

Quem fuma ou já fumou, sabe que a dependência vive mesmo dessas associações. O cigarro pode ser uma muleta para suportar tensões cotidianas, ajuda a pensar melhor, libera a imaginaçao, faz companhia. Enfim, está sempre ligado a sensações agradáveis. 

Nesse sentido, ainda que a longo prazo, as proibições acabam tendo seu efeito, na medida em que vão criando associações desagradáveis com o fumo: nao é nada cômodo deixar os amigos na mesa e ir para a porta de um restaurante fumar, por exemplo. 

Sei não... se a hipnose terapêutica for mesmo capaz de  cortar esses vínculos, pode ser uma boa dica. 

Leia AQUI

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

ainda o caso do menino Hugo


Hugo podia ser o filho de qualquer um de nós: qual é o menino que não joga futebol? se a algazarra natural do jogo incomodava os vizinhos, será não havia maneira mais humana e mais civilizada de fazer alguma coisa? precisava dar tiros para por fim à brincadeira?

Anos atrás tivemos um caso semelhante. Foi na Urca. Incomodado com a barulheira que vinha da rua, o sujeito disparou uma flecha em direção às pessoas e atingiu, também, uma criança. 

Isso mesmo, uma flecha. A perícia localizou exatamente de que janela ela havia partido. Que se saiba, sem necessidade de nenhuma testemunha que pudesse dizer para onde estava voltada a cabeça do menino no exato momento em que a flecha o atingiu. Para a perícia, bastou saber o local onde ele havia caído. 

Suponho que uma bala na cabeça derrube uma pessoa ainda mais depressa do que uma flechada, e essa constatação basta para qualquer leigo concluir que Hugo só poderia estar no lugar onde caiu, quando recebeu a bala.

Até hoje pensei que a perícia só precisasse saber a posição de um corpo, para concluir de que direção partiu uma bala!  Vocês também não pensavam????

Espero que os nossos peritos lembrem dos seus filhos, dos seus netos, que certamente também gostam de jogar futebol e não deixem uma barbaridade dessa sem resposta: Hugo tinha o direito de crescer!

heinnnn???? heinnnn????


Nos jornais de hoje, um perito explica que vai ser difícil saber de onde partiu o tiro que atingiu o menino Hugo, quando jogava uma partida de futebol no Clube Federal, alto Leblon:

o alvo é móvel. Até agora, é impossível precisar a posição da vítima no momento do impacto. Sabemos que ele estava parado diante do gol, olhando para a arquibancada, mas ninguém soube precisar a posição da cabeça...

Essa, nem em novela!

Pelo andar da carruagem, só uma coisa se pode concluir com certeza: é mais um caso que vai ficar impune!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Novas mídias, novos talentos

                   Uma das inovações mais bonitas e bem-vindas da internet é essa de dar às pessoas a possibilidade de chegar ao público exibindo um trabalho ou um talento, sem mais depender de encontrar alguém que faça isso por elas.

                 O YouTube está aí, revelando muita gente boa nas mais diversas áreas. E o primeiro concurso de curtas promovido pelo site foi vencido por brasileiras, que disputaram com 3.600 concorrentes de várias partes do mundo: "Laços", de Flavia Lacerda e Clarice Falcão levou o prêmio de 5 mil dólares, mais um espaço no festival de Sundance.

                Parabens, meninas! e vamos torcer por vocês!

Saiu o DVD de "Amazônia -de Galvez a Chico Mendes"!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Morte em Veneza: o drama na vida real

Quem não se lembra do Tadzio, de Morte em Veneza? o adolescente que encarnou o ideal de beleza que apaixona, confunde  e leva à morte o músico  Aschenbach?

É irônico, mas na vida real, o destruído mesmo pela beleza de Tadzio foi seu intérprete, o menino sueco Bjorn Andrésen, que tinha só 14 anos quando fez o filme que o transformou em objeto de desejo no mundo inteiro.

Quando Visconti o escolheu ele estudava música, morava com o padrasto e tinha, naturalmente, expectativas muito mais modestas na vida.  Depois de Morte em Veneza tentou seguir a carreira de ator, lançou-se como cantor, mas não teve nenhum sucesso: havia-se tornado prisioneiro de Tadzio.

Há casos assim, em que a personagem aprisiona o intérprete, torna-se uma camisa de força que o impede de seguir adiante.  Bjorn conta que não importava o que ele quizesse mostrar: todas as platéias só esperavam e queriam ver "o menino mais bonito do mundo", que Visconti havia imortalizado.

Estava lendo uma entrevista dele, de 2005, quando completou 50 anos. Bjorn não tem boas lembranças daquela época, muito menos do filme.  Está certo de que teria sido mais feliz se não o tivesse feito, e confessa que se sentiu traído por Visconti, porque filmou sem ter nenhuma noção da temática homossexual de Morte em Veneza, que o perturbou a ponto de interferir em sua sexualidade.

Acaba a entrevista  com uma frase amarga, mas bem verdadeira: 

-Todos procuram o menino mais bonito do mundo e só encontram o menino mais velho do mundo
Aqui está ele, aos 52 anos:

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Essa é a Nana

A Modernd Sound ficou pequena para ver Nana Caymmi nessa noite de terça: quem não conseguiu sentar ficou em pé mesmo, lotando a loja até a porta da rua, mas ninguém arredou o pé antes da última música!

Nana arrasou. Rasgou a alma. Cantou Caymmi, cantou os boleros que aprendeu no tempo que viveu na Venezuela, casada com o médico que é pai dos seus três filhos, se emocionou falando de amor, dos pais, do natal que se aproxima, aplaudiu a derrota de Chavez no plebiscito do último dia 2 e protestou contra a pirataria, conclamando a platéia a não comprar discos pirateados: 

entendo que a idéia de comprar o disco dos seus cantores preferidos por 3, 5 reais,  seja atraente -ela disse-. Mas lembrem: PIRATARIA É DESEMPREGO. NAO FINANCIEM O DESEMPREGO!

Foi ovacionada! Tomara Deus que venha a ser atendida também!

Gibis


Olhem o que eu encontrei na página do Luiz D', um apaixonado pelo Rio antigo. São os gibis da minha infância também, ainda que eu tenha sido criança muito longe daqui, lá em Rio Branco, no Acre!

Eram tempos de faroeste: filmes de bang bang, brincadeiras de mocinho e bandido, revolver de espoleta, Roy Rogers, Hopalong Cassid, o nacional Jerônimo -o herói do sertão, que virou até novela de rádio.

Meninos vestidos de cowboy defendiam fortes imaginários, expulsavam forasteiros, cavalgavam cabos de vassoura como se fossem cavalos puro sangue. 

Nesse tempo, ficção era ficção, realidade era realidade.  Todo mundo sabia a diferença. Não havia esse patrulhamento de hoje, essa tendência a enquadrar a ficção no politicamente correto e deixar a realidade entregue às traças!  não passava pela cabeça de nenhum pai que o filho poderia se tornar um aficcionado em chacinas se desse tiros com revolver de espoleta.

A geração dos cowboys cresceu pacífica: paz e amor, bicho!

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Bom de lembrar - Cartola

Sou louca por Cartola, e quero compartilhar com vocês esse video que achei no You Tube: é um trecho do filme Cartola, música para os olhos, direção de Lirio Ferreira e Hilton Lacerda, onde ele canta para o pai, que reencontrou depois de muitos anos.  Bonito demais!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

ainda o caso da menina do Pará

Nessa história, quanto mais as autoridades locais se pronunciam, mais feia a coisa fica! Ontem foi a vez do delegado-Geral do Pará, Antonio Benalussy, dizer que a menina presa numa cela com 20 homens devia ser débil mental, porque não disse que era menor no momento da prisão!

Deduz-se que, para o delegado,  se fosse maior, tudo bem!  

Enquanto a autoridade policial atribui a culpa das violências sofridas à debilidade mental da vítima, o bispo dom Flavio Jovenalli não deixa por menos: acusa a família da menina. Para ele, os maiores responsáveis pelos abusos e torturas a que foi submetida a menor, são os pais, o descaso dos pais que, segundo afirma, nem foram à delegacia no período em que a filha esteve lá.

Dom Flavio pelo visto foi, porque há 10 anos acompanha a situação de adolescentes e mulheres no sistema carcerário do Pará. Se durante o mês em que a menina ficou presa não visitou esta delegacia, certamente, ao longo desses 10 anos, viu mulheres maiores de idade em situação semelhante: hoje mesmo apareceu outra no noticiário, contando que foi encarcerada numa cela com 40 homens, e que sofreu, também, toda sorte de abusos e violências.  A própria governadora admite que essa é uma prática comum no seu estado.

Quer dizer: o bispo também sabia!!!  e nem achou que era o caso de botar a boca no mundo!

leia mais no Globo online

terça-feira, 27 de novembro de 2007

o enigma dos geoglifos do Acre


Faz tempo que estou querendo falar dos geoglifos. O desmatamento no Acre tem revelado uma enorme quantidade deles. Vejam como as formas geométricas parecem ter sido desenhadas a régua e compasso.

Ainda não se sabe com certeza quando surgiram, mas segundo a teoria mais aceita, seriam anteriores ao aparecimento da floresta, que tem por volta de 13 mil anos, e se formou no final da idade do gelo.


Até então nós sempre pensamos que aquela região, ocupada pela floresta, não havia sido habitada antes por nenhuma sociedade humana, mas os geoglifos parecem indicar o contrário: eles apontam para a possibilidade de ter existido, ali, uma grande civilização.

O assunto mobiliza pesquisadores do mundo inteiro, que tem visitado o Acre para estudar a descoberta. Até agora já foram encontrados mais de cem desses geoglifos. O resto é mistério que ainda nos cabe decifrar.

obs. as fotografias são de Sergio Valle.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Amazônia para sempre


Vejam que beleza! Victor Fasano mandou a foto, tirada ao pé de uma das árvores centenárias que você só verá na Amazônia. São árvores assim que as queimadas estão destruindo.

Juca de Oliveira, Cristiane Torloni e Victor Fasano, foram até lá,  gravar a minisérie "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", viram de perto o drama dessa destruição e lançaram um movimento - Amazônia para sempre- uma convocação aos brasileiros, para que se unam pela preservação da nossa floresta.

Veja o vídeo e assine o manifesto

domingo, 25 de novembro de 2007

duas faces da Impunidade

No Pará, mulheres, e até meninas suspeitas de furto, são jogadas em celas com 20, 30 homens, estupradas e seviciadas com o beneplácito da polícia e da justiça



Enquanto isso, Pimenta das Neves, que assassinou friamente Sandra Gomide, continua em liberdade, curtindo a praia, mesmo depois de julgado e condenado a 19 anos e tantos meses de cadeia: direito garantido por unanimidade pelo STJ.



Se historicamente a legislação penal surgiu para proteger a sociedade, entre nós a distorção é clara: nossas leis parecem feitas de encomenda para livrar as classes mais favorecidas do alcance da justiça - e livram! um bom advogado sempre encontra a porta de saída -que o diga Pimenta das Neves.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ídolos: lá e cá


Os roteiristas americanos estão em greve, mas segundo noticia o El Mundo, vão dar uma trégua, em respeito e homenagem a Elizabeth Taylor.

A atriz, uma das grandes divas do cinema, há anos se recolheu e quase não aparece em público. Mas nesse 1 de dezembro, dia Internacional da Aids, vai fazer uma apresentação milionária, e a renda obtida será destinada à luta contra o vírus. Solidários, os roteiristas já se comprometeram a não fazer piquetes na porta do teatro.

Bonito esse respeito, essa reverência que o norte-americano tem para com seus ídolos. Eles envelhecem, saem de cena, mas não caem no esquecimento: continuam sendo tratados como ídolos, inclusive pelos mais jovens, que nem tinham nascido quando estavam no apogeu.

Nós temos outra cultura. Entre nós, sair de cena é sair da memória também. Quantas vezes a gente escuta alguém dizer: "fulano acabou." O "acabou", no caso, significa: envelheceu, não atua mais, não dança mais, não joga mais futebol,  não está mais nas páginas das revistas.  Há um certo prazer em derrubar ídolos. 

Se Elizabeth Taylor fosse brasileira será que ela conseguiria fazer uma apresentação milionária?  a greve faria essa trégua?

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

a face sombria da Internet


Quando comecei a frequentar BBS, lá pelos anos 80, um dos aspectos que logo me chamou a atenção foi a possibilidade que o espaço virtual oferece para promover encontros que seriam impossíveis, ou pelo menos muito improváveis, no mundo real. Dessa observação nasceu a novela EXPLODE CORAÇÃO, que contava a aproximação de uma mocinha da comunidade cigana com um industrial poderoso, candidato a um cargo político.

Essa é uma bela característica da internet: ela embaralha de um jeito novo as personagens da vida real, quebra as barreiras estabelecidas pelas diferenças de classe, de credo, de cor, e impõe outro critério de aproximação entre as pessoas: as afinidades.

Fascinante, sem dúvida. Mas essa capacidade de reunir, com muita rapidez, gente que se identifica, tem seu lado negativo, porque tem servido, também, para formar verdadeiras comunidades de pedófilos, psicopatas, pervertidos e outros tantos mais. Talvez a maior parte dessas pessoas não passasse da fantasia ao ato, sem o estímulo que vem do conjunto de que participa. Mas enquanto parte de uma multidão virtual ensandecida, acaba indo longe.

Eu mesma já fui vítima, no Orkut,  de uma horda de psicopatas, travestidos de protetores de animais, mas não é deles que quero falar hoje, é de uma notícia que acabei de ler no CORREIO DA MANHÃ, jornal de Lisboa: 

a polícia de Aveiro conseguiu evitar um suicídio coletivo que vinha sendo combinado, por adolescentes, através do Orkut. Segundo o jornal, a comunidade (a maioria é de brasileiros), estimulava a auto mutilação,  como preparo para o momento final, esse do suicídio. O menino que possibilitou a intervenção policial tinha apenas 14 anos!

Existem várias comunidades do gênero, insuflando aneurexia, depressão, suicídio, psicopatias e até crimes de todas as espécies. Tudo isso joga outra vez na mesa um debate antigo, que já nos tempos de BBs dividia opiniões -o controle do espaço virtual. 

Como hoje, já estavam lá os que advogavam o mundo virtual fora do alcance das leis que nos regulam, aqueles que acreditavam que ele devia estar submetido às mesmas leis, e ainda um terceiro grupo (minoritário) que defendia a tese do meio termo, ou seja: nem tanto ao mar nem tanto à terra.
 
O que é que você pensa sobre isso? A gente volta a falar do assunto.

Veja a continuidade da notícia sobre o caso dos adolescentes no Correio de hoje:

domingo, 18 de novembro de 2007

Bom domingo, com JUVENAL ANTUNES


Juvenal Antunes foi para o Acre como promotor de Justiça, mas era mesmo um boêmio inveterado. Não se enganem com a foto: o terno nunca foi seu uniforme: passava os dias metido num robe, na porta do hotel Madrid, onde vivia em Rio Branco, bebendo, fazendo versos e proclamando seu amor à Laura, mulher casada que lhe inspirou os mais belos sonetos.
Arredar o pé dali? nem pra receber o ordenado, que lhe chegava por exercícios findos!

Armando Nogueira chegou a conhecê-lo, ainda menino. À caminho do grupo escolar, costumava parar na frente do hotel Madrid para ouvir o poeta, e conta que foi assim que se apaixonou pelas palavras, pela arte da escrita.

Juvenal foi personagem da minissérie Amazônia e de muitos romances que falam do Acre desses tempos.  Continua bem vivo na memória dos acreanos, e imortalizado em sua mesa cativa, em frente à Fundação Cultural, no Centro Hisórico de Rio Branco. 

Na minissérie Amazônia ele foi interpretado pelo Diogo Vilela, que recitou sua poesia mais conhecida:


ELOGIO DA PREGUIÇA
(A mim mesmo)

"preguiça amamenta muita virtude"



Bendita sejas tu, Preguiça amada,
Que não consentes que eu me ocupe em nada!

Mas queiras tu, Preguiça, ou tu não queiras,
Hei de dizer, em versos, quatro asneiras.

Não permuto por toda a humana ciência
Esta minha honestíssima indolência.

Está, na Bíblia, esta doutrina sã:
-Não te importes com o dia de amanhã.

Para mim, já é grande sacrifício
Ter de engolir o bolo alimentício.

Ó sábios, dai à luz um novo invento:
A nutrição ser feita pelo vento!

Todo trabalho humano, em que se encerra?
Em, na paz, preparar a luta, a guerra!

Dos tratados, e leis, e ordenações,
Zomba a jurisprudência dos canhões!

Juristas, que queimais vossas pestanas,
Tudo que legislais dá em pantanas.

Plantas a terra, lavrador? Trabalhas
Para atiçar o fogo das batalhas!

Cresce o teu filho? É belo? É forte? É loiro?
- Mas uma rês votada ao matadouro!

Pois, se assim é, se os homens são chacais,
Se preferem a guerra à doce paz...

Que arda, depressa , a colossal fogueira
E morra assada, a humanidade inteira!

Não seria melhor que toda gente,
Em vez de trabalhar, fosse indolente?

Não seria melhor viver à sorte,
Se o fim de tudo é sempre o nada, a morte?

Queres riquezas, glórias e poder?
Para que, se amanhã tens de morrer?

Qual mais feliz? O mísero sendeiro,
Sob o chicote e as pragas do cocheiro...

Ou seus antepassados que, selvagens,
Viviam, livremente, nas pastagens?

Do Trabalho por serem tão amigas,
Não sei se são felizes as formigas!

Talvez o sejam mais, vivendo em larvas,
As preguiçosas, pálidas cigarras!

Ó Laura, tu te queixas que eu, farcista,
Ontem faltei, à hora da entrevista,

E, que ingrato, volúvel e traidor,
Troquei o teu amor - por outro amor.

Ou que, receando a fúria marital,
Não quis pular o muro do quintal.

Que me não faças mais essa injustiça,
Se ontem não fui te ver, foi por preguiça.

Mas, Juvenal, estás a trabalhar!
Larga a caneta e vai dormir, sonhar.

(Cismas, 1908)

saiba mais no Blog do Altino, lendo as duas crônicas de Armando Nogueira sobre o poeta, o post A CASA DO POETA JUVENAL ANTUNES, que mostra um vídeo com Ida Rodriguez, dona do hotel Madrid, onde morava o Juvenal, e descreve o encontro comovente entre a hospedeira e o poeta, quando tia Ida, então com 92 anos, olhou para a estátua e disse emocionada: Fala, Juvenal!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

cigana Kaldarash dançando

Olhem só o que eu achei, nesses tempos de arrumar o arquivo: um momento da pesquisa de Explode Coração, a novela onde mostrei a cultura cigana.

A moça é da família do Mio Vacit, que junto com a Niffer e outros membros da comunidade cigana, me ajudou um bocado a entender os costumes e o imaginário desse povo tão bonito.

A dança aí é completamente livre, nada de coreografia.

Mais Sessão Nostalgia

Bom feriado pra vocês, com Vinicius e Toquinho.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Quando 58 é igual a 8: se muito...!



Ontem, em Brasilia, mais uma condenação que dá a falsa impressão de que se fez justiça: Adriana, a ex-doméstica que junto com o caseiro assassinou cruelmente a universitária Maria Claudia, foi condenada a 58 anos de cadeia. 

Na prática isso quer dizer que, já estando presa há 3 anos, daqui a mais 3, no máximo 4, ganha a liberdade. E ainda terá direito a bônus, como já contei dois posts atrás, falando do caso Liana: 5 anos depois de a sentença transitar em julgado, Adriana volta a ser primária, a ter a ficha limpa como qualquer um de nós.

Para quem não lembra, o casal trabalhava na casa da moça, e ambos declaram que eram tratados por todos como pessoas da família. Adriana tinha um filho pequeno que ficou no norte, e que a mãe de Maria Claudia, comovida com a saudade que a doméstica dizia sentir do menino, mandou buscar para ser criado ali, ao lado dela. Ainda assim, os dois planejaram o estupro e a execução de Maria Claudia, e depois de enterrarem seu corpo embaixo de uma escada, na casa da família, juntaram-se aos pais dela, fingindo compartilhar da aflição pelo seu desaparecimento.


Ouvi e ainda ouço muitas críticas dos defensores da nossa tolerância penal, por ter conseguido mobilizar a sociedade e fazer passar, através de uma campanha de assinaturas, a emenda que introduziu o homicídio qualificado na lei dos crimes hediondos. O homicidio qualificado é aquele em que existe a clara intenção de matar. Não se trata de um acidente, não se trata de um acaso, não estamos falando de alguém que, vendo sua casa invadida, atire no invasor, nem dos passionais, que num transbordamento de emoção acabam tirando uma vida: estamos falando de gente que planeja, arquiteta e executa um assassinato usando de meios crueis.

Os meus críticos dizem que a tolerância maior em relação ao homicídio se justifica por se tratar de um tipo de crime que qualquer um pode cometer! Êpa!!!!! qualquer um, não! não é qualquer um que tem a capacidade de matar e ir consolar a familia da vítima na delegacia, como fizeram os assassinos da Daniella, nem de rezar de mãos dadas com a família da moça que acabaram de trucidar, como fizeram os assassinos da Maria Claudia.

O que pode acontecer a qualquer um de nós é ser vítima de gente como essa! se é que dá pra chamar isso de gente!


ADENDO

depois que publiquei o post, a Ursa lá do Orkut divulgou esse vídeo que foi mostrado ontem, durante o julgamento. A narração é da Cristina, mãe da Maria Claudia: essa é a dor que as nossas leis ignoram.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

o negrinho do pastoreio


Nào sou de muita crença, mas tenho uma fé inabalável e que vem de longe: o negrinho do pastoreio. Li a história dele ainda menina, no Acre, e lembro até hoje o quanto me comoveu e impressionou a saga do menino escravo, que tomava conta de rebanhos e nem nome tinha, por isso o chamavam assim -negrinho do pastoreio.

Pertencia a um estancieiro muito cruel, que o fazia trabalhar dia e noite, sem direito a descanso. Um dia dormiu de tanta exaustão e, enquanto dormia, um dos cavalos fugiu. Quando soube, o estancieiro espancou o negrinho, enfiou dentro de um formigueiro e o deixou em carne viva, de tanto bater e maltratar.

Depois, já noite escura, o obrigou a sair pelos campos, desse jeito mesmo, todo ferido, com um toco de vela na mão e ordem de não voltar até encontrar o cavalo fugido.

Ele foi, e contam que cada gota do toco de vela que pingava no chão virava como se fosse uma estrela, até que o campo ficasse tão iluminado por essa luz divina, que o negrinho pôde avistar o cavalo. Então caiu ali mesmo, agonizante, e nossa senhora desceu do céu, o pegou no colo e levou com ela. Quando o dia amanheceu encontraram o corpo do negrinho, e o cavalo pastando ao lado.

Desde então, o negrinho do pastoreio é o patrono das coisas perdidas. Se a pessoa está angustiada porque perdeu um objeto, um documento, alguma coisa importante, é recorrer a ele que ele traz de volta. Em agradecimento quer que lhe acendam uma vela.

É surpreendente, acreditem!

A estranha matemática da justiça brasileira


Desde ontem a imprensa noticia o resultado do júri: 110 anos de cadeia para o homem que matou com um tiro o jovem Felipe Caffé, depois sequestrou, manteve em cárcere privado e praticou toda a sorte de violencias contra a menina Liana.

110 anos de cadeia parece muita coisa, não é? mas a justiça brasileira tem uma matemática própria. Eu sempre penso que a imprensa devia explicar essa matemática, quando noticia penas que, de tão altas, acabam deixando a sociedade com a falsa impressão de que pelo menos se fez justiça.

Pra começar, porque a pena aplicada foi superior a 20 anos, Pernambuco tem direito a ser julgado de novo. O que significariam mais quatro anos de tormento para as famílias Friedenbach e Caffé. Segudo informa o advogado de defesa, o criminoso, numa demonstração de bons sentimentos, abriu mão do benefício, e fica com a pena de 110 anos mesmo.

Claro.Que diferença faz ser condenado a 110 anos ou a 19? a justiça diz que ninguém pode ficar preso mais de 30 anos, não importa a gravidade do crime que tenha cometido. Pernambuco vai ter direito a todos os benefícios da lei com base nesses 30 anos, e não nos 110 a que foi condenado. No máximo em 8 anos estará na rua, e 5 anos depois que a sentença transite em julgado, se tornará primário outra vez. Como se Liana e Felipe nunca tivessem existido!

Até quando?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O Rio de Janeiro que Hollywood inventou


Entrei numa livraria e lá estava o livro da Bianca: O Rio de Janeiro que Hollywood inventou. Me deu  orgulho e uma saudade danada da pesquisadora que parece que eu perdi de vez, depois de Amazonia, para o mundo acadêmico: Bianca começou a dar aulas na UERJ e, por causa disso, teve que se desligar da equipe. Ainda espero que não completamente.

Ela trabalhou comigo na pesquisa da novela América e depois em Amazonia. Fomos juntas para os Estados Unidos, entrevistar imigrantes brasileiros e latinos que tinham feito a travessia pelo deserto do México ou pelo mar, em busca do sonho americano, visitamos as prisões onde estavam confinados aqueles que tinham sido pegos pela polícia da fronteira, e convivemos com muitos que viviam ilegais no país. Foi uma experiência e tanto.

Além de conhecer bem o assunto do ponto de vista acadêmico, a Bianca havia morado muitos anos nos EUA: fez doutorado em História pela Universidade de Binghamton, e lá nasceu sua filha. Quer dizer, ela pôde contribuir para a novela também com sua vivência pessoal, e acredito que essa vivência, esse esbarrar a todo momento com a caricatura do Rio de Janeiro tão divulgada entre os norte-americanos, tenha sido a semente desse trabalho. 

O olhar dos estrangeiros sobre o Brasil já rendeu uma vasta literatura. Tudo começou com a carta de Caminha e os  relatos dos viajantes que andaram por aqui,  nos primeiros séculos após a descoberta. Eles deram os primeiros traços na construção do retrato que fazem de nós lá fora.
 
O livro da Bianca mostra como Hollywood contribuiu e contribui para reforçar os estereótipos desse retrato, através de filmes que o mundo inteiro vê: da barafunda geográfica que situa o pelourinho no Rio de Janeiro, às praias cariocas, onde macacos e garotas de ipanema convivem naturalmente. É competente, delicioso de ler. Depois me digam.

E a gente não tem como deixar de refletir sobre o quanto nós, brasileiros, contribuimos também para a preservação dos estereótipos que tanto nos deformam! muitas vezes, voltando do exterior para o Rio de Janeiro, vi passar na tela do avião aqueles curtas de apresentação da cidade, onde só focalizam traseiros metidos em fios dentais e imagens do carnaval com mulheres semi-nuas. Tipo: bem-vindos ao país do sexo e do carnaval! depois a gente reclama!

domingo, 4 de novembro de 2007

Tutankamon e a maldição do faraó


Sempre tive grande fascínio pelo Egito antigo, especialmente por tudo o que diz respeito a Tutankamon. Ainda garota, no Acre, lia com ávido interesse os livros do meu pai sobre a expedição de Carter, que descobriu o túmulo do faraó em 1922. 

A história era cercada de mistérios: havia a célebre inscrição que lacrava o último esquife, aquele que as deusas abraçam em círculo:

as asas da morte se abaterão sobre todo aquele que ousar perturbar o sono do faraó.

Coincidentemente, vários membros da expedição tiveram morte misteriosa num curto espaço de tempo. Assim nasceu a lenda da maldição do faraó, e muita gente, ainda hoje, se impressiona com ela, ainda que Carter tenha morrido só muitos anos depois, de causas naturais, e ainda que se possa imaginar o efeito que devem ter tido, sobre os participantes da expedição, os gases acumulados dentro daquela tumba durante os milhares de anos em que ela permaneceu intocada.

Uma das grandes emoções que vivi no museu do Cairo, foi ver de perto a máscara mortuária de Tutankhamon, (que agora foi aberta para que a múmia do faraó pudesse ser preservada com os cuidados devidos), os tesouros, as joias, o belíssimo mobiliário, os objetos deixados no seu túmulo para que ele não sentisse falta de nada quando sua alma retornasse ao corpo.

Tinham acabado de inaugurar a sala das múmias, essa mesma onde, suponho,  vá ficar Tutankamon. É uma sala pequena, onde só entram cinco ou seis pessoas de cada vez. As múmias estão protegidas em caixas de vidro e não podem ser fotografadas. Entre elas, a de Ramses II.

Um fato me chamou a atenção: as múmias dos homens estavam todas de olhos fechados, e as das mulheres de olhos abertos. Puro acaso? nao sei. Deve ter um sentido, mas nunca li sobre isso nem encontrei quem me desse resposta. Os antigos egipcios tinham lá suas crenças.

Estavam certos da imortalidade da alma: um dia a alma voltaria para se unir ao corpo, e era por isso que ele precisava ser preservado. Caso contrário, a alma não teria para onde voltar. Mesmo assim, o direito à vida futura dependia do resultado de um julgamento. O morto comparecia ao Tribunal de Osiris, e ali fazia uma declaração de inocência (não de culpa, como na religião católica). Osiris, então, colocava num prato de sua balança o coração do morto (sede de sua vontade) e, no outro, a pena de avestruz (simbolo da verdade, da justiça e da retidão de caráter). Depois pedia ao coração que testemunhasse. E assim avaliava o peso daquela alma, para que pudesse proferir sua sentença

Em muitos túmulos foram encontrados amuletos com fórmulas para impedir que o coração do morto testemunhasse contra ele, e o impedisse, assim, de ganhar a vida eterna.

É bonita demais essa mitologia.
obs. as imagens foram tiradas da internet

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

botando os pingos nos iis


Uma das coisas boas da internet, especialmente para quem trabalha em televisão, é dar a todos nós essa possibilidade de divulgação, antes dominada apenas por colunistas -nem todos sérios, como é comum acontecer em todas as profissões.

Fiquei pasma ao saber que um representante dessa última espécie, ensaiando criticar -aliás pisando em ovos- as declarações do autor Aguinaldo Silva sobre uma colega sua, me citou como exemplo de intolerância, dizendo que eu agredia, até pessoalmente, quem criticasse minha novela América. Devagar com o andor.

Eu nunca me dirigi à figura em questão, quando publicava que 60 pontos no IBOPE era muito pouco para uma novela das 8, quando pessoas que tratava como "amigas" divulgavam no orkut uma maneira de adulterar o resultado das pesquisas de sua página, onde fazia ënquetes"sobre meu trabalho, ou quando dizia simplesmente que não gostava do que eu escrevia. Direito dele, nem todo mundo gosta, e eu nunca pretendi ser unanimidade.

Mas tomei uma atitude quando, no seu portal, um outro colunista, a pretexto de desancar minha novela, fez piada com o assassinato da minha filha. Assim também não! E qual foi a atitude? entrei na justiça. Não me dirigi a nenhum deles, simplesmente processei. E ganhei o processo.Os dois recorreram e, como resposta, a justiça aumentou o valor da indenização a que foram condenados.

Como vejo que o tal colunista está atribuindo publicamente a mim uma personalidade que é dele, transcrevo aqui um trecho da sentença.

Se vocês querem entender melhor o assunto, um bom começo é ler o artigo do Walcyr Carrasco. lá no BlogLog. . Ele fala sobre a inveja, mãe de todas essas torpezas.

E vejam como a justiça avaliou o comportamento do colunista em questão e de seu colaborador:

Ao escrever e publicar texto fazendo referência ao autor do homicídio da filha da Requerente, os Réus abusaram do direito à informação. Tal referência contida no texto possui cunho eminentemente perverso, debochado e desnecessário. Os Réus invadiram, indubitavelmente, a intimidade da Autora. Ainda que a primeira Ré afirme que a matéria publicada tenha cunho satírico-humorístico, não há nada de engraçado em lançar indagação com referência ao autor do homicídio da filha da Demandante, no corpo do texto sobre a novela. Ao contrário, é algo altamente grosseiro, desrespeitoso e, conforme a correta afirmação da Autora, uma verdadeira maldade.

Ressalte-se que críticas sobre a novela de autoria da escritora são permitidas, constantes, e fazem parte da própria natureza da profissão exercida. No entanto, colocações que agridem a vida íntima e até mesmo a alma do ser humano devem ser abominadas e severamente repreendidas pelo Poder Judiciário. Não se pode permitir a publicidade de matéria que expressamente faz ´piada´ quanto a acontecimento triste e trágico que faz parte da vida íntima e privada da Autora.


Não podem os Réus divulgar críticas com relação à novela envolvendo fato que a Autora infelizmente e lamentavelmente vivenciou, fazendo da matéria verdadeira ´chacota´. Não há qualquer relação entre a novela América e o autor do homicídio da filha da Requerente. Deveria o segundo Réu se limitar a escrever matéria eminentemente relacionada à novela e não envolver questões ligadas à vida privada da Autora de forma irônica e desnecessária. Deveria a primeira Ré verificar previamente o conteúdo da matéria a ser publicada, responsabilizando-se pelo texto veiculado.

A liberdade de expressão garantida pela Constituição da República não pode, no entanto, ser posta como passe para que sejam proferidas afirmativas que ultrapassam o bom senso. A disputa, a crítica, o julgamento são bem-vindos e necessários à democracia, porém merecem balanceamentos diante de outros valores e princípios igualmente garantidos pela Constituição, como por exemplo, a dignidade da pessoa humana. Cabe salientar que ambos os Réus são responsáveis pelos fatos narrados, na medida em que a primeira Ré publicou e veiculou a matéria e o segundo Réu a redigiu. E não venha o segundo Réu afirmar que a matéria ficou sendo divulgada por apenas dezessete dias, eis que a simples divulgação, ainda que por alguns segundos, já configuraria abuso de direito e violação à intimidade da Autora. Resta cristalina a conduta culposa e voluntária dos Réus.

ATUALIZANDO

Essa sentença é um marco, uma vitória que não é só minha, mas de todos aqueles que tem uma figura pública, porque ela estabelece com muita clareza a diferença entre liberdade de expressão e canalhice.

E dando nome aos bois: o autor da canalhice em questão foi
o indivíduo  KIKE MARTINS COSTA (FRANCISCO REIMAO COSTA).
que processei por danos morais e recebeu, da justiça, a merecida reprimenda.
Além de ter sido condenado a pagar a quantia estipulada pelo juiz.
O bolso do canalha deve estar doendo até agora!



páginas relacionadas:

Inveja, a mãe da fofoca - Walcyr Carrasco

O feio vício da inveja - Lya Luft

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Carlota Joaquina, enfim humanizada!


Carlota Joaquina como Maria Antonieta, é dessas personagens que acabam virando caricatura: leviana, vulgar, depravada, intrigante, ninfomaníaca, o que ficou para nós foi o registro de suas infidelidades e extravagâncias.

É verdade que a princesa não foi nenhum modelo de fidelidade, como também é verdade que cometeu muitas extravagâncias. Mas a imagem tão completamente negativa, deveu-se mais ao empenho de seus detratores do que às suas próprias transgressões. 

Nos livros de História, os capítulos dedicados a ela se limitam a contar passagens que ilustram e reforçam o caricato:a célebre noite de núpcias, quando teria partido a cabeça de D. João com um golpe de candelabro, a humilhação a que submeteu o embaixador inglês, obrigando-o a descer da carruagem e ajoelhar-se na rua, a seus pés, a conspiração contra o marido e os muitos envolvimentos amorosos, inclusive com escravos.

Mas Carlota Joaquina não era só isso. Independente, preparada, tinha cultura incomum para as mulheres da época.

É esse resgate que a historiadora Francisca Nogueira de Azevedo faz no livro que acaba de lançar: Carlota Joaquina - Cartas Inéditas. São cento e muitas cartas familiares e políticas, que revelam os aspectos da personalidade e da inteligencia de Carlota, que os cronistas de seu tempo calaram.

Cartas que a humanizam, enfim.

Aliás -e também já em tempo- os franceses estão resgatando Maria Antonieta.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Anos 60



Viram o especial da Nara Leão? foi lindo!

O post de hoje vai para quem viveu os anos 60 curtir uma nostalgia boa, e para quem não viveu sentir um pouco o sabor daqueles tempos rebeldes, duros e poéticos.

sábado, 27 de outubro de 2007

O dia dos mortos no México



Os mexicanos tem mesmo uma relação diferente com a morte. Brincam com ela. O 2 de novembro, que para nós é dia de luto e tristeza, para eles é festa, momento de celebrar o alegre reencontro com aqueles que já partiram. Vivemos esse dia nos irmanando com os nossos na morte. Os mexicanos trazem os seus à vida.
Detalhes dessa comemoração eu aprendi com a Lourdes, uma mexicana incrível que tem um restaurante de comidas típicas em São Paulo, e acaba de mandar um convite para a comemoração desse ano em seu estabelecimento.

No México, o carnaval dos finados é uma das festas mais tradicionais. Diz a Lourdes: Desde pequenos aprendemos a conviver com a "flaca" (a magra, magrinha morte). Ela é engraçada e ainda seja difícil enganar-la
A festa vai do dia 1 ao dia 3. Durante esse período, as famílias se dedicam a recordar seus mortos, preparando uma oferenda
sempre dupla: uma fica dentro de casa e a outra, igualzinha, é levada ao cemitério. Na oferenda põe-se a fotografia do morto
e, em volta, a comida, as frutas, a bebida que ele gostava, objetos que amou, toca-se as músicas que ele preferia, fala-se dele. Ou deles.. É comum que se contrate um mariachi para cantar à beira do túmulo.

Há uma grande variedade de doces, todos eles temáticos, como se pode ver.
Lourdes conta que os mortos começam a chegar no dia 31, para passar a data com os parentes. Primeiro vem as crianças, os inocentes. Brincam até o meio dia e vão embora, para abrir caminho para os adultos. E um dito popular citado por ela resume o espírito desse dia para o mexicano: sobre una tumba, una rumba

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Telemar: Kafka perde!



Tem dois meses que eu tento instalar uma linha de telefone aqui em casa. Parece simples, não é? eu acreditei que fosse!

a gente liga, gasta uns 40 minutos entre falar com uma voz eletrônica e esperar o atendimento, dizer o que pretende e agendar o pedido, Aí começa o drama!

As linhas (da Telemar) que tenho em casa não estão no meu nome, e o pedido foi feito no meu nome. Por isso, segundo me explicou ontem a atendente, a Telemar não pode confirmar a instalação através de nenhum dos números da minha casa: a ligação tem de ser feita para o meu escritório, que fica quase em outro bairro, porque lá existe uma linha no meu nome!

inútil argumentar que não moro no escritório, quando não estou escrevendo vou lá esporadicamente, e não se pode esperar que eu faça as malas e me mude para esperar o telefonema da telemar: é o procedimento da empresa, repete a moça.

-Então passamos a linha para o nome do meu filho, pronto! a daqui de casa está no nome dele, acaba o problema!

Só se começar o processo todo de novo: "procedimento da empresa, ela repete!"

Pedi pra falar com a supervisão, gerencia, qualquer coisa. Quem disse que alguém atendeu?

Depois de mais de 40 minutos esperando ouvir sinal de vida do outro lado da linha, desliguei sem saber se tinha falado com alguém de carne e osso ou se ainda era a secretária eletrônica!

Pelo amor de Deus, vamos parar de programar pessoas para agir como máquinas! que saudade do tempo que se ligava para uma empresa e tinha gente do outro lado da linha!

Como é que acaba a novela? é mais simples desistir da linha do que me mudar! parei por aqui!

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Caso Maddie: a entrevista do casal MacCann



Acabei de ler na página do Antena 3. É a primeira entrevista do casal depois que a Justiça portuguesa os considerou suspeitos.
Sei não, mas esse caso parece que caminha para o rol dos insolúveis.
No site do Antena 3 você pode ler a entrevista e assistir ao vídeo. Clique AQUI