sexta-feira, 9 de novembro de 2007

o negrinho do pastoreio


Nào sou de muita crença, mas tenho uma fé inabalável e que vem de longe: o negrinho do pastoreio. Li a história dele ainda menina, no Acre, e lembro até hoje o quanto me comoveu e impressionou a saga do menino escravo, que tomava conta de rebanhos e nem nome tinha, por isso o chamavam assim -negrinho do pastoreio.

Pertencia a um estancieiro muito cruel, que o fazia trabalhar dia e noite, sem direito a descanso. Um dia dormiu de tanta exaustão e, enquanto dormia, um dos cavalos fugiu. Quando soube, o estancieiro espancou o negrinho, enfiou dentro de um formigueiro e o deixou em carne viva, de tanto bater e maltratar.

Depois, já noite escura, o obrigou a sair pelos campos, desse jeito mesmo, todo ferido, com um toco de vela na mão e ordem de não voltar até encontrar o cavalo fugido.

Ele foi, e contam que cada gota do toco de vela que pingava no chão virava como se fosse uma estrela, até que o campo ficasse tão iluminado por essa luz divina, que o negrinho pôde avistar o cavalo. Então caiu ali mesmo, agonizante, e nossa senhora desceu do céu, o pegou no colo e levou com ela. Quando o dia amanheceu encontraram o corpo do negrinho, e o cavalo pastando ao lado.

Desde então, o negrinho do pastoreio é o patrono das coisas perdidas. Se a pessoa está angustiada porque perdeu um objeto, um documento, alguma coisa importante, é recorrer a ele que ele traz de volta. Em agradecimento quer que lhe acendam uma vela.

É surpreendente, acreditem!

14 comentários:

Cris Carriconde disse...

É linda essa história. Eu também li menina no Rio Grande do Sul. Ela deveria estar outra vez nos cinemas mas Tabajara Ruas, ainda não conseguiu lançar seu segundo filme. Quando rodou o nome era O General e o Negrinho. Não sei mais quando vai pintar nas telas. Quem sabe o Negrinho dá uma força?!Haja vela!!!!!

Magaly disse...

Otimo conhecer a história do negrinho do patoreio,outro dia mesmo voce comentou que fica impressionada como esta crença funciona.
Como digo Glória Perez tb é cultura.

Inez disse...

Já recorri muito ao negrinho do pastoreio. Fora aqui do Rio Grande as pessoas conhecem muito pouco os poderes dele, mas assino embaixo do que você disse. Comigo também ele nunca falhou.

Káryta disse...

Sempre ouvi falar, mas nunca havia lido nada sobre a real história!
A cultura popular Brasileira é realmente farta de crendices, porém é nelas que muitos brasileiros se apegam quando não têem a quem e a que recorrer!
Não acredito muito, mas não duvido em 100% pois no fundo mas bem lá no fundo deve haver um pingo de verdade...rs

Renato disse...

Também não sou de muita crença, mas não custa nada tentar!

Odele Souza disse...

Olá Gloria,
Encontrei seu blog por acaso.
Sempre fui sua admiradora pela sua postura diante das causas sociais.
Convido-a a visitar o blog de minha filha Flavia, há quase 10 anos em coma. No blog FLAVIA, VIVENDO EM COMA, desde Janeiro de 2007, PROTESTO contra a lentidão da justiça brasileira em condenar os culpados pelo acidente causado por um ralo de piscina funcionando de forma irregular e ALERTO para o perigo desses ralos que continuam a fazer vítimas, muitas delas fatais, no Brasil e no mundo. O blog de Flavia já ultrapassou fronteiras e a história dela está sendo divulgada pelo mundo.
O endereço do blog é:
www.flaviavivendoemcoma.blogspot.com

Muito obrigada por sua atenção.

CARLOS CASTELLO BRANCO disse...

Eu ja tinha ouvido falar , acredito que quando era pequeno , algo me trazia a recordaçao deste título agora lendo o resumo desta história fiquei impressionado com a crueldade deste homem e por que dessa crença nas coisas perdidas em relacao ao niño, realmente seu espirito ate hoje pode estar sofrendo e a cada voz que clama a ele de coraçao e fé ele vem ajudar, pois o sofrimento que ha passado este ele nao deseja a ninguém...

Odele Souza disse...

Gloria,
Obrigada por sua visita e comentário no blog de minha filha Flavia. E obrigada também por haver linkado. Quero lhe consultar se posso linkar seu nome lá no blog de Flavia, pois tenho feito isto com todos que o linkan, mas no seu caso, por ser quem é talvez isto lhe incomede pois ao ver seu nome lá, as pessoas podem chegar até seu blog e não sei se isto lhe incomodaria.

Caso prefira que eu não link seu blog ao de Flavia, sinta-se à vontade para me dizer, assim como para apagar este comentário.
meu e-mail pessoal é: odele@terra.com.br (Odele, não Odete) rsrs.

Muito obrigada e um abraço.

luizabergamaschi disse...

ai, que estória...
Ainda bem que nunca me contaram quando era criança, coitadinho do negrinho, pobre criança.

Renata disse...

Também ouvi essa história quando era criança, mas nunca recorri à ele em momentos de necessidade. Mas agora já aprendi, quando perder algo, irei recorrer à ele!

regis farah disse...

Ola Gloria,
Sou dentista por necessidade, (criar uma filha de 13 anos hoje em dia, não esta facil) e ator pelo coração. Lendo sua historia hoje, me deu coragem para lhe escrever. No carnaval passado, meu irmao lhe entregou um cartão meu na avenida, pois estava em outro camarote, e não tinha acesso a onde voce se encontrava... Acho que voce deve se lembrar. Gostaria muito de poder lhe enviar meu curriculo, para que voce me conheça, e conheça meu trabalho, e quem sabe até me de algumas dicas, que vindo de voce seriam de grande valia. desculpe estar usando este canal para escrever-lhe, mas foi a unica forma que encontrei, e a coragem, como disse, veio de sua historia postada aqui.
Um grande abraço, e continue a nos inspirar.
Meu email: regisfarah@gmail.com

Regis Farah

Osc@r Luiz disse...

Olá,

Tive a oportunidade de postar o Negrinho do Pastoreio numa das minhas Lendas Urbanas das Sextas-Feiras.
Parabéns pela escolha desse post e pelo bom gosto do blog.
Um abraço e um bom resto de feriado.

Anônimo disse...

Glória,

Caí no teu blog a procura de noticias sobre a missa que eu não pude ir no Rio de Janeiro.

Mas eu não poderia ter deixado de postar um comentário.

Eu me CRIEI ouvindo essa lenda. Sabe como? É que ela faz parte da mitolologia gaúcha.

O primeiro a catalogar a publicar foi o nosso primeiro autor regionalista, que usava muito da oralidade para escrever suas histórias que eu, sinceramente, não sei se é muito claro para vocês daí de cima por ter expressões muito sulistas.

O nome desse autor é o respeitável João Simões Lopes Neto. Da cidade de Pelotas do século XIX.

Outro que catalogou e que ainda está vivo é o folclorista Antônio Augusto Fagundes, Nico. Ele é apresentador do programa Galpão Crioulo, MUITO tradicional na programação da RBS TV, afiliada da Globo no sul.

Acender a vela do Negrinho do Pastoreio é o mesmo que apelar para São Longuinho ou devolver a criança para Santo Antônio.

Um abraço e te cuida!

Nobre

dMart disse...

hola!

caí aqui por acaso (essas coisas da internet). estava procurando uma informação sobre o filme "Negrinho do Pastoreio", da 1973, produzido pelo Antônio Augusto Fagundes (o Nico) e estrelado pelo Grande Otelo.

convido a escritora e os amigos para conhecer a novela gráfica "Um Outro Pastoreio", projeto que desenvolvo há 3 anos em parceria com ilustrador Everson Nazari.

www.pastoreio.org

nasci em Pelotas, RS. muito cedo, tive contato com a obra de Simões Lopes Neto. a lenda do Negrinho do Pastoreio sempre me chocou, pois trata-se, na verdade, de uma história bastante violenta que tem um desfecho trágico.

foi muito interessante retomar a lenda e buscar outros enfoques. no caso, criamos (ou enfatizamos)a ligação da história com a cultura afro-brasileira.

baita abraço a todos!

dMart