terça-feira, 6 de novembro de 2007

O Rio de Janeiro que Hollywood inventou


Entrei numa livraria e lá estava o livro da Bianca: O Rio de Janeiro que Hollywood inventou. Me deu  orgulho e uma saudade danada da pesquisadora que parece que eu perdi de vez, depois de Amazonia, para o mundo acadêmico: Bianca começou a dar aulas na UERJ e, por causa disso, teve que se desligar da equipe. Ainda espero que não completamente.

Ela trabalhou comigo na pesquisa da novela América e depois em Amazonia. Fomos juntas para os Estados Unidos, entrevistar imigrantes brasileiros e latinos que tinham feito a travessia pelo deserto do México ou pelo mar, em busca do sonho americano, visitamos as prisões onde estavam confinados aqueles que tinham sido pegos pela polícia da fronteira, e convivemos com muitos que viviam ilegais no país. Foi uma experiência e tanto.

Além de conhecer bem o assunto do ponto de vista acadêmico, a Bianca havia morado muitos anos nos EUA: fez doutorado em História pela Universidade de Binghamton, e lá nasceu sua filha. Quer dizer, ela pôde contribuir para a novela também com sua vivência pessoal, e acredito que essa vivência, esse esbarrar a todo momento com a caricatura do Rio de Janeiro tão divulgada entre os norte-americanos, tenha sido a semente desse trabalho. 

O olhar dos estrangeiros sobre o Brasil já rendeu uma vasta literatura. Tudo começou com a carta de Caminha e os  relatos dos viajantes que andaram por aqui,  nos primeiros séculos após a descoberta. Eles deram os primeiros traços na construção do retrato que fazem de nós lá fora.
 
O livro da Bianca mostra como Hollywood contribuiu e contribui para reforçar os estereótipos desse retrato, através de filmes que o mundo inteiro vê: da barafunda geográfica que situa o pelourinho no Rio de Janeiro, às praias cariocas, onde macacos e garotas de ipanema convivem naturalmente. É competente, delicioso de ler. Depois me digam.

E a gente não tem como deixar de refletir sobre o quanto nós, brasileiros, contribuimos também para a preservação dos estereótipos que tanto nos deformam! muitas vezes, voltando do exterior para o Rio de Janeiro, vi passar na tela do avião aqueles curtas de apresentação da cidade, onde só focalizam traseiros metidos em fios dentais e imagens do carnaval com mulheres semi-nuas. Tipo: bem-vindos ao país do sexo e do carnaval! depois a gente reclama!

12 comentários:

Pedro Vieira disse...

Fantástico! Até que enfim um livro sobre essa imagem estereotipada do Rio de Janeiro ( e do Brasil também) que a cultura norte-americana ajuda a reforçar! Outro dia mesmo, enquanto recebia um amigo canadense em casa, fui surpreendido por um arsenal de repelentes de insetos por ele trazido. Ele achava que, se não passasse todos aqueles produtos, seria praticamente comido vivo por insetos enormes! Disse a ele que isso talvez acontecesse na Amazônia (e como uma boa dose de imaginação), mas ele continuou assustado com aquela possibilidade. Depois ele decidiu visitar o Rio, e me relatou suas expectativas de um jeito que eu pensei que ele estivesse se preparando para entrar dentro de um filme pornográfico! Já estava na hora de alguém esclarecer essas estórias! Parabéns à autora!

Giovana disse...

Pois é, tb morro de orgulho! E o livro é uma delícia mesmo, como é o papo e a inteligência da Bianca.

Bjs!

regis farah disse...

Quando tinha meus 18 anos, fiz uma viagem para os EUA em um programa de intercambio, eu fui parar em Michigan. A cidade, Farwell, menos de 2000 habitantes. Antes de retornar ao Brasil, tive que participar em uma palestra com os estudantes da universidade local, e falar sobre o Brasil. Logo no inicio da palestra, uma estudante levantou a mão e me perguntou se no Brasil já havia chegado a luz elétrica. Tudo bem, isso já faz alguns anos, muitos anos, mas achei curioso a total desinformação de uma galera de nivel universitario. Dei uma folheada no livro hoje, mas ainda não comecei a ler, e me pareceu que pouca coisa mudou desde aquela minha palestra. Depois que terminar de ler, volto pra dizer se é isso mesmo que achei.
Beijão
Regis

Ana Claudia disse...

adorei o livro. Eu tbm fiz um curso em NY e cansei de explicar que a capital do Brasil n~ao era Buenos Aires. Valeu Bianca.

Francisco Filardi disse...

Olá, Glória! Como vai?
Havendo um tempinho, visite a página de Intervalo Cultural:
http://intervalocultural.blogspot.com
Ok?
Bjão do Filardi

Káryta disse...

Acho que essa interpretação errônea, realmente vem desde a carta de Caminha!!
Mas com o passar dos anos, os "monstros e canibais"foram embora e deram passagem a pornografia descarada (imagem a qual é "vendida")
Esse é um livro que me interessa, vou procurar, ler e depois comento mais!
Quanto aos vídeos abordo...rs acho que poderíamos sim, reivindicar algo cultural e não sexual! Isso já é apelação!!!!!

Bianca disse...

Gloria querida,
que surpresa linda!!!
Eu ando trabalhando enlouquecidamente na Fundação Getúlio Vargas (saí da UERJ ano passado) e daí o sumiço. Mas você está sempre, sempre, sempre no meu coração. Trabalhar com você foi um privilégio, desses que emocionam e marcam a gente de uma forma muito definitiva. Você é um exemplo de inteligência generosa, que compartilha o que sabe e faz crescer junto quem está perto de você.
Vou parar por aqui, se não inundo o teclado...
Muitos beijos e, SIM, até a próxima novela!!!!!
Com carinho,
Bianca

Francisco Filardi disse...

Boa noite, Gloria! Somos muito gratos pela visita. Já disponibilizamos um link para o seu blog em Intervalo Cultural. Caso precise de algum apoio na divulgação de algum trabalho, conte conosco.
Beijo grande!
Filardi

GLORIA PEREZ disse...

Bianca

obaaaaaaa!!!!!!

Magaly disse...

Parabens para Bianca que conseguiu vencer e para voce tb Glória que é uma grande mestre.

bjos

Aldinha disse...

O livro é muito bom mesmo, já recomendei para uns amigos.

Babs disse...

Nossa, esse livro parece muito interessante, deu vontade de ler
Mas ao mesmo tempo em que a visão que muitos estrangeiros possuem do Brasil parece curiosa, não deixo de pensar que é uma via de mão dupla. Por aqui também possuímos uma visão estereotipada ,e achamos que tudo que vem dos Eua e Europa , seja lá o que for, é melhor. Fazemos festa para todo tipo de "gringo" só por ser "gringo"... Enfim...
Abraço!