sábado, 27 de outubro de 2007

O dia dos mortos no México



Os mexicanos tem mesmo uma relação diferente com a morte. Brincam com ela. O 2 de novembro, que para nós é dia de luto e tristeza, para eles é festa, momento de celebrar o alegre reencontro com aqueles que já partiram. Vivemos esse dia nos irmanando com os nossos na morte. Os mexicanos trazem os seus à vida.
Detalhes dessa comemoração eu aprendi com a Lourdes, uma mexicana incrível que tem um restaurante de comidas típicas em São Paulo, e acaba de mandar um convite para a comemoração desse ano em seu estabelecimento.

No México, o carnaval dos finados é uma das festas mais tradicionais. Diz a Lourdes: Desde pequenos aprendemos a conviver com a "flaca" (a magra, magrinha morte). Ela é engraçada e ainda seja difícil enganar-la
A festa vai do dia 1 ao dia 3. Durante esse período, as famílias se dedicam a recordar seus mortos, preparando uma oferenda
sempre dupla: uma fica dentro de casa e a outra, igualzinha, é levada ao cemitério. Na oferenda põe-se a fotografia do morto
e, em volta, a comida, as frutas, a bebida que ele gostava, objetos que amou, toca-se as músicas que ele preferia, fala-se dele. Ou deles.. É comum que se contrate um mariachi para cantar à beira do túmulo.

Há uma grande variedade de doces, todos eles temáticos, como se pode ver.
Lourdes conta que os mortos começam a chegar no dia 31, para passar a data com os parentes. Primeiro vem as crianças, os inocentes. Brincam até o meio dia e vão embora, para abrir caminho para os adultos. E um dito popular citado por ela resume o espírito desse dia para o mexicano: sobre una tumba, una rumba

6 comentários:

Marcela, Seattle disse...

Achei o seu blog através do blog da Cora. Adorei a dica do cd da portuguesa Mariza, ela apareceu no programa do David Letterman e achei o máximo uma portuguesa cantando por aqui!

Falando na Mariza, pense bem: se tudo fosse festa, até a morte, só existiria Mariachi, mas não existiria o Fado...

Muito bom o seu blog, vou bisbilhotá-lo mais um pouquinho...

Flávia disse...

Olá Glória! Também parei por aqui através do blog da Cora. Estou adorando. E sobre esse post, acho linda essa comemoração, torna tudo mais suave e acalenta muito o coração. Não gosto do dia de finados nosso... Acho tão desagradável. Mas comemorando como os Mexicanos ou como os orientais, fica tudo mais tranquilo. E adorei o ditado. Vou preparar uma rumba para meu pai!
Beijos

Lucia disse...

Na California, onde a comunidade mexicana é quase toda a população de san Diego, tambem se comemora este dia.tenho uma bolsa linda com esse desenho que ganhei no dia 2

talyta-poeta disse...

Acho que não deveria haver essa data "comemorativa".É mais uma forma de comércio que o mundo capitalista faz...Como se fosse preciso um dia para se lembrar de quem se foi,festas então,nem pensar!A morte é inaceitável em todas as suas formas!abs

ps:ah! só agora consegui postar!rsrs

Káryta disse...

Não condeno, acho interessante a forma com que eles tratam essa data!
Afinal de contas, não precisamos de uma data específica para lembrar de quem já se foi e que tanto amamos!
E tb não vejo como sendo uma forma capitalista! Vejo como sendo uma cultura muito confortante.
Imagine pensar que de uma forma ou de outra estamos comemorando algo com quem a algum tempo já se fora!
Bem que o Brasil poderia sair da nostalgia um pouquinho e abrir espaço a uma nova concepção de morte!
Como diz a descrição de um amigo no orkut que li ontem e refleti que é a mais pura verdade...rs
Quem sou eu? Alguém que nasceu, está vivendo e um dia vai morrer!!!

mônica disse...

Tudo é cultural. Faz parte da tradição dos mexicanos celebrar seus antepassados, como uma festa e com muita alegria. Não vejo como uma data "capitalista", pois tudo é preparado em casa, os pães, os doces em formato de caveiras, enfeites temáticos para o túmulo, etc. Como eles, atualmente, possuo o mesmo pensamento, de relembrar os meus com alegria.
Encontrei o seu blog através desse tema, pesquisando locais em SP onde haverá celebrações nos próximos dias.
Gosto tanto do tema que desenvolvi em meu trabalho artesanal sabonetes com formato de caveiras pintados à mão.
E pedindo permissão... adotarei o dito popular "sobre una tumba, una rumba". Adorei!
Abraços!
Mônica