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sexta-feira, 7 de março de 2008

Shiva, a dança do cosmo



À primeira vista a gente tem a impressão de que a Índia tem milhares de deuses. Não é simples assim: é que Deus (Brahma), se expressa sob várias formas, masculinas e femininas, inclusive. Cada um desses avatares revela uma qualidade, um estado de Brahma.

Simplificando muito: Brahma é o absoluto, o início, o meio e o fim, o UNO e o TUDO. Tudo é vida, porque tudo é Brahma.

Vishnu mantém o equilíbrio do universo, e de tempos em tempos vem ao mundo, encarnado sob figura humana, para salvá-lo do caos, da autodestruição. Jesus e Buda, por exemplo, seriam duas das encarnações de Vishnu.

Shiva, o terceiro da trindade, que vemos na escultura acima, é o destruidor e o transformador. Nessa representação, cercado pelo fogo que purifica e renova, ele dança o cosmo, e sua dança representa o eterno movimento do universo. 

Dança pisando numa figura que representa o nosso ego, o "eu"pequeno, que devemos vencer para nos libertarmos da samsara, a roda das encarnações, e nos unirmos a Brahma. 

Cada um de seus braços tem um significado. Achei essa descrição bem simples, que repasso a vocês:

O primeiro braço, com a palma à frente, quer dizer: "Não vos atemorizeis com a mensagem terrível que vos trago, pois também apresento a solução".

O segundo braço segura um pequeno tambor em forma de ampulheta (damaru), que marca o ritmo cósmico e o fluir do tempo: "Tudo no universo segue um ritmo, e está sujeito a uma ordem temporal. O tambor representa também o som através do qual o universo foi criado.

Com o terceiro braço, o que segura as línguas de fogo, Shiva diz: "Aproxima-se o tempo de destruir o que se construiu, para se completar o ciclo da criação. Assim como no passado o mundo antigo acabou-se pelas águas de um dilúvio, agora ele será destruído pelo fogo". Os fachos de fogo ao redor da figura carregam a seguinte mensagem: "A redondeza da Terra será queimada pelo fogo".

O quarto braço apresenta a salvação, ao apontar para o pé levantado, querendo dizer: "O homem não deve atender às solicitações das suas más inclinações, de suas más paixões, dos instintos bestiais, oriundos da sua natureza animal, inferior, e sim seguir sua natureza superior, espiritual: deve abster-se do ódio, dos vícios, dos excessos, obter o autocontrole.

Seu pé esquerdo erguido mostra-nos que podemos elevar-nos e atingir salvação. Salvação é auto-elevação Salvation = self elevation

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Eu não sou cachorro nãããoooo!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007


Não é engraçado que sendo o animal mais mimado pelos humanos os cachorros geralmente apareçam nas letras das canções como representação dos humilhados e ofendidos?

Waldick canta:
“eu não sou cachorro não / pra viver tão humilhado
eu nao sou cachorro não para ser tão desprezado...

Silvio Caldas, na clássica serenata:
dorme junto a teus pés o meu ciúme
enjeitado e faminto como um cão

Cazuza:
“pelos dias de cão, muito obrigado”

Nos ditos populares,nem se fala! as tão exaltadas qualidades dos cães convivem lado a lado com o significado inverso: cachorro é gente safada e sem vergonha, canta o Babado Novo.

E todo mundo entende o que seja dia de cão, mundo cão, vida de cão, gênio
de cão -apesar de quase ninguém nesse mundo conseguir resistir aos encantos de um cãozinho!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Caminho das Índias: expressões


Muita gente escreve querendo saber o significado dos termos em hindi usados na novela.  Então aí vai:

ARE BABA- é uma exclamação. Equivale a um "poxa!" "ô Deus" "nao" "nao brinca" "ah, nào"

BAGUAN KELIE- por Deus! ô meu Deus!

AREBAGUANDI- também no sentido de "ai meu Deus"! (quando se poe esse final "di", acrescenta-se um respeito maior à pessoa a quem você se dirige. Assim, arebaguandi é um "ô meu deus"mais respeitoso ainda que o BAGUAN KELIÊ)

BALDI ou PAPA- pai

MAMI ou MAMADI- mãe

DJAN- querido, amado

TCHALÔ- vamos!

DJAN. DJAN- vá, vá, vamos

ULU- pessoa estúpida, burra 

ULUCAPATÁ- o maior de todos os burros! "grande senhor dos burros", como traduzem os indianos

ATCHÁ- expressao de satisfação

ATCHATCHATCHA- expressão que traduz muita satisfação

FIRANGHI- estrangeira 

TRATAMENTOS FAMILIARES

Esses são mais complicados. Tanto assim que optamos por simplifica-los. Mas, por curiosidade, aí vão alguns exemplos para vocês.

Na India, a maneira de chamar um parente especifica exatamente o grau de parentesco que se tem com ele. Vejam:

baldi-pai
mamadi-mãe
irmao mais velho- bhaya
irmã-didi
tio por parte de pai barepapa (o mais velho) caca ou tchatcha(o mais novo)
tio por parte de mae - mama
tia por parte de mae- massi
avô por parte de pai- dada
avó por parte de pai- dadi
avo por parte de mae- nana
avó por parte de mãe- nani

sábado, 26 de janeiro de 2008

casamentos à indiana

Pouco tempo atrás, todo mundo viu nos telejornais a notícia do casamento do indiano Kumar com a cadelinha Selvi, no templo de Ganesh, em Manamadurai Os noticiários mostravam a cena sublinhando o bizarro, mas não explicavam seu significado dentro da cultura indiana.

Andei pesquisando o assunto e encontrei coisas muito interessantes -aliás, quanto mais a gente mergulha na cultura da Índia mais coisas interessantes encontra. E olha que ainda nem pisei lá.

Aprendi que o casamento de humanos com cachorros é uma herança tribal, e tem uma função: proteger a pessoa, afastar algum mal que esteja presente, ou que possa vir a estar presente em sua vida

No caso de Kumar, quando tinha 18 anos, ele sacrificou dois cachorros com requintes de crueldade. Hoje, depois de um derrame, tornou-se deficiente físico, e atribui tudo o que lhe aconteceu de ruim à maldição que o acompanha em consequência da crueldade praticada contra os dois animais. Um astrólogo foi consultado e recomendou o casamento como expiação necessária para o alívio de seu karma

No caso da menina Karmoni Hasda, de 9 anos de idade, que também se casou com um cachorro, a motivação foi outra. Sandra Bose conta no Indiagestão:

Vocês já sabem que 99% dos casamentos na Índia são arranjados. Antes de se casarem, os pais dos noivos vão a um “astrólogo” que dirá se o casal é compatível ou não.
No caso dessa menina de 9 anos, o “astrólogo” disse que seu primeiro marido iria morrer logo, então casaram-na com um cachorro, assim o cachorro morre e a garota pode então casar-se com um ser humano.
Não se esqueçam que casamento de viuva ainda é um grande tabu aqui, mas se a viuva for de um cachorro, então, sem problemas!


Outro caso é o do menino Samir Mudiya, de 5 anos, também casado com um cão, como se vê na foto. O casamento, segundo o sacerdote que o realizou, terá o poder de salvaguarda-lo de todo o mal.
Voltando ao Indiagestão, também aprendi com a Sandra que, segundo a tradição local, se o primeiro dente de uma criança sai na gengiva superior, ela corre um grave perigo que só pode ser evitado pelo matrimônio com o melhor amigo do homem.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Sobre a dança clássica indiana


Só por essa pequena amostra, a gente percebe o quanto a dança clássica indiana exige de quem a executa. São 7 estilos, e seu aprendizado não é só uma questão de técnica: pede uma integração perfeita entre corpo, mente e espírito.

Ela nasceu junto com o teatro, e seus princípios técnicos e estéticos estão compilados no Natya Shastra, escritura que teria sido composta pelo próprio deus Brahma.

Todas as posturas tem um significado, expressam uma relação com a mitologia, a filosofia, as crenças espirituais da cultura hindu. Os mitos, as lendas, as sagas dos deuses são representados através da dança, como forma de orientação e educação do povo.

Vejam o que encontrei a respeito dos ensinamentos contidos no Natya Shastra sobre um desses estilos: "contam-se vinte e quatro movimentos para a cabeça inteira, quatro para o pescoço, seis para as sobrancelhas, vinte e quatro para os olhos, cinquenta e sete para as mãos, nove movimentos de pálpebras, seis movimentos de nariz, seis de lábios, sete de queixo, etc."

Enfim, o corpo inteiro dança!