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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Uma falsa questão

Inconcebível ficar assistindo, por todos os meios de comunicação, esse debate surreal sobre se Lindemberg atirou antes ou depois da explosão!


Parece que se quer buscar um culpado que não seja ele -a polícia, preferencialmente- pela morte da menina Eloá!

Gente! essa história jamais teria um final feliz, e isso ficou bem claro desde logo. O que se pode e deve discutir, é essa nossa cultura de privilegiar marginais. A pretexto de poupar vidas, não se utilizam atiradores de elite nessas situações extremas, e isso acaba custando, como custou agora , a vida de inocentes!

O que se pode e deve discutir é porque tanta gente fecha os olhos e tapa os ouvidos para o fato de que uma menina de 15 anos passou 5 dias sendo torturada fisica e psicologicamente, e ainda consegue chamar o ato criminoso de Lindemberg de passional, e atribuir a ele uma aura de Romeu apaixonado

Menos, por favor! nós já conseguimos distorcer muitos princípios,valores e concepções universais, mas transformar um torturador assassino em Romeu à brasileira, ninguém merece!

sábado, 18 de outubro de 2008

Passional? não mesmo!!!!


Usa-se com muita impropriedade o termo "passional"! Basta que um criminoso diga "foi por amor" e pronto: aceita-se a etiqueta.

Esse crime de Santo André é tudo, menos passional! O ato passional é impensado, irrefletido, é coisa de um momento de desvairio. O passional não planeja. Se parar pra pensar, não mata mais.

Um rapaz que fica durante cinco dias torturando uma moça (batia nela, espancava, segundo declarações da amiga), enquanto dormia e comia normalmente, de passional não tem nada: o que ele tinha, sim, era raiva e inconformismo por ter sido contrariado.

E o sentimento de poder que o sequestro lhe conferiu tornou-se maior, na medida em que a intensa cobertura da imprensa manteve sobre ele os olhos do país!

Vi uma entrevista de Lindermberg num programa de TV, e era a empáfia em pessoa: "vou soltar quando eu quiser" "a hora que achar que devo", "vai ser como eu quero"!

Hoje cedo, numa entrevista, o coronel que comandou as negociações deixou claro que o atirador de elite não foi utilizado por medo da imprensa, que com certeza estaria mesmo caindo de pau em cima da polícia nesse momento.

Mas não importa. Se é preciso optar, deveria sempre prevalecer o princípio de salvar a vida do inocente! e depois de tantos dias de negociação, esgotadas todas as possibilidades, e tendo ficado claro que o rapaz estava disposto a matar, como parece que ficou, dar sinal verde ao atirador de elite seria o recurso.

O certo é que mais uma vez, a título de proteger o criminoso, condenou-se a vítima!

E Não me venham com essa história de: ah, os vizinhos, os amigos dizem que era um rapaz tão bom...nunca imaginaram que pudesse fazer isso!

A experiência mostra que os criminosos mais cruéis provocam a mesma reação em quem convivia com eles.

DE LUCIA LUIZ SOBRE A MORTE DA MENINA ELOÁ:
(obs. o texto a seguir é da socióloga e escritora Lucia Luiz)



Fico me perguntando o que faz com que uma polícia fique mais de 100 horas esperando, quando uma menina de 15 anos estava sendo espancada. Já se sabendo que não havia moeda de troca e que nestes casos não tem possibilidade de negociação, porque não jogaram bomba de gás lacrimogeneo?

Porque não mandaram a irmã dele para a porta pois seria mais lógico tentar falar com familiares.

Porque deixaram a imprensa falar com ele, ficar divulgando todos os passos sabendo que ele estava acompanhando.

O pior de todo esse quadro ---- cronica da morte anunciada desde segunda feira --- durante todo esse tempo, o bandido batendo na menina, foi ouvir o MP dizendo que estava lá para defender os direitos do Lindenberg.. Mesmo que fosse uma estratégia para que ele se entregasse, não dá para ouvir isso. Ele não é um passional, é um assassino vil que tem que ser denunciado o tempo todo como um perverso, nocivo e premeditado. Ele é um assassino que não merece nehuma explicação psicológica ou acolhida. Essa menina foi exposta à pior situação que se pode imaginar, sem nenhuma possibilidade de defesa. É de estarrecer .

Um atirador de elite, mesmo que depois a policia tivesse que responder por isso salvaria essa menina .