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sábado, 10 de janeiro de 2009

Do blog da Deva: festival de cobras na Índia

A Deva é uma brasileira que se divide entre o Japão e a Índia. Vejam o que ela conta, em seu BLOG, sobre o Festival das Cobras:


Cerca de 5.000 devotos participaram da seqüência do Festival das Cobras Sagradas, realizado em Bishanupur, cidade que fica a cerca de 200 km de Calcutá. As cobras são um dos animais mais reverenciados pelos hindus. Por isso, o evento é considerado religioso e atrai tantas pessoas. Nessas festas de adoração às serpentes, embora o governo hindu tenha proibido a prática do encantamento, é muito comum encontrar encantadores ainda jovens e mesmo mulheres ainda adolescentes, que se arriscam a manipular, venerar, beijar e até mesmo a engolir cobras venenosas para demonstrar sua fé nos deuses

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A India e seus deuses: LAKSMI e os comerciantes



Ela é Laksmi, a manifestação divina da beleza, da fartura e da prosperidade.

Claro, é a divindade que protege a casta dos comerciantes. Todos os anos, no Diwali, o festival das luzes, presidido por ela, Laksmi visita as casas de seus devotos, e para que a deusa entre e os abençoe, tudo deve estar imaculadamente limpo.

Também nesse dia são realizados cultos domésticos para que ela abençoe o livro caixa que se fecha e o livro caixa que se abre.

O dia de Laksmi é sexta-feira. Na sexta, portanto, não se deve abrir a carteira: o dinheiro não sai, só entra.

E se um casamento cai na sexta feira, não se entrega a noiva: a moça da casa é a Laksmi da família. Deixa-la ir embora no dia dedicado à deusa não seria nada auspicioso!

sábado, 26 de julho de 2008

Masculino/Feminino

Essa imagem do deus Shiva revela uma concepção do hinduísmo bem estranha ao pensamento ocidental: ele é, ao mesmo tempo, masculino e feminino. Como todos os deuses da Índia.

Para o hinduísmo, é da união cósmica entre o princípio masculino e a força sakti (feminino), que nasce tudo o que existe. De modo que nunca se pode dissociar um do outro.

Shiva é uma das manifestações de Brahma, na trindade hinduísta: Brahma cria o universo, como Vishnu o conserva, como Shiva o movimenta e destrói, para que nasça de novo.

Em Shiva, o bem e o mal, a luz e a escuridão, todos os opostos, se encontram e conciliam. Portanto, Sua representação feminina é Parvati (a mãe), que tem em Kali sua face destruidora.

domingo, 13 de julho de 2008

Tempos de Kalyuga

Para o hinduísmo o tempo é cíclico, e o universo está constantemente se destruindo e reconstruindo. Cada uma dessas fases equivale a uma qualidade do deus Brahma: como Brahma ele cria o universo, como Vishnu o preserva, e como Shiva (em sua versão feminina, Kali), o destroi, para que possa ser reconstruído de novo

Na primeira idade (Krta Yuga) predomina a harmonia, a virtude e a perfeição: a ordem moral firma-se durante esse perídodo sobre as quatro pernas, como uma vaca sagrada.

Na Tetrã Yuga, a ordem moral começa a enfraquecer, e está sustentada apenas por três pernas

Na Dvãpara Yuga, a vaca da ordem ética sustenta-se apenas sobre duas pernas: a perfeição da ordem espiritual não rege mais a vida dos homens, predominam as paixões e a avidez pelos bens terrenos

E finalmente, a Kalyuga, a fase que vivemos hoje, que é a idade das trevas, os tempos da destruição. Encontrei aqui, na internet, algumas citações que descrevem esse período:

Matam-se os fetos e os heróis. Os serviçais querem assumir papéis intelectuais, os intelectuais, o dos serviçais. Os ladrões tornam-se reis e os reis, ladrões. As mulheres virtuosas são raras. A promiscuidade propaga-se. A estabilidade e o equilíbrio das castas e das idades da vida desaparecem. A terra não produz quase nada em certos lugares e muito em outros. Os poderosos apropriam-se do bem público e deixam de proteger o povo".

"Ninguém viverá mais a duração normal da vida, que é de cem anos. Os ritos perecerão nas mãos de homens sem virtudes. Pessoas praticando ritos transviados espalhar-se-ão por toda parte. Pessoas não qualificadas estudarão os textos sagrados e tornar-se-ão supostos peritos. Os homens matar-se-ão uns aos outros e matarão também as crianças, as mulheres e as vacas. Os sábios serão condenados à morte".

"Os homens concentrarão os seus interesses na aquisição, mesmo que seja desonesta, da riqueza. A riqueza substituirá vantajosamente a nobreza de origem, a virtude, o mérito".

Quando os ritos ensinados pelos textos tradicionais e as instituições estabelecidas pela lei estiverem prestes a desaparecer e estiver próximo o termo da idade obscura, uma parte do ser divino existente pela sua própria natureza espiritual segundo o caráter de Brahman, que é o princípio e o fim... descerá sobre a terra... Sobre a terra, restabelecerá a justiça: e as mentes dos que estiverem vivos no fim da idade obscura despertarão e adquirirão uma transparência cristalina. Os homens assim transformados sob a influência desta época especial constituirão quase uma semente de seres humanos e darão o nascimento a uma raça que seguirá as leis da idade primordial (krta yuga)".

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Manu, o Adão do hinduísmo... e o Noé também!


O mito védico é aquele mesmo, contado pela Bíblia: houve um tempo em que a humanidade andou tão degenerada, que o senhor Brahma resolveu acabar com o mundo.

Então, Vishnu, (que mantém a ordem do universo e socorre a humanidade sempre que ela precisa de ajuda), encarnou em um peixe, e quando Manu foi banhar-se no rio, mandou que ele construisse um barco bem grande, e embarcasse nele um casal de cada espécie de animal existente, os sete sábios e os livros sagrados dos vedas, porque só haveriam de sobreviver aqueles que estivessem na arca.

Manu obedeceu. E Brahma mandou o dilúvio, que durou 40 dias e 40 noites. Quando parou de chover, ele ancorou a arca em Tharim, no norte da Índia. Ali soltou os animais, e fez oferendas aos deuses. Do leite e da manteiga das oferendas, nasceu a primeira mulher.

Por isso, Manu é tido, no hinduísmo, como o pai da humanidade.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Casamento de crianças

Ghandi, que foi casado criança, lutou muito contra a prática do casamento infantil. Nas regiões mais tradicionais da Índia, mesmo proibido por lei, ele continua a vigorar nos costumes.

Depois da cerimônia os noivos voltam para suas casas, e as famílias promovem encontros periódicos entre eles, para que cresçam se habituando um ao outro.

terça-feira, 20 de maio de 2008

cenas da Índia


Ela é a Jhumuri, ele o Manu. O casal de macacos teve um casamento de príncipes: um banquete para três mil convidados, que custou 3.500 euros! Jhumuri vestiu-se de sari, à maneira das noivas humanas, com todos os adereços próprios para a ocasião: braceletes, enfeites com pasta de sândalo, tudo como manda o ritual, e ainda ganhou, de um dos convidados, um colar de ouro.

Manu veio ao encontro da noiva com toda a pompa, carregado em ruidosa procissão, como manda a tradiçao indiana.

Os dois foram criados por famílias diferentes, e depois da cerimônia,oficiada por um sacerdote, claro, ganharam a liberdade e partiram em lua de mel. A mãe da noiva chorou, emocionada, e declarou que sentia como se uma filha sua estivesse partindo.

Como vocês sabem, os indianos tem um carinho especial pelos macacos,a ponto de lhes dedicarem um templo, porque um dos seus deuses mais queridos, Sri Hanumam, o filho do vento, tomou essa forma.

Hanumam foi o amigo fiel de Rama, o herói indiano que representa todas as virtudes do homem justo, honesto, que age sempre de acordo com seu dever. A saga de Rama está contada no Ramayana, clássico da literatura hindu.

A esposa de Rama, Sita, foi sequestrada por um demônio, e Hanumam cruzou o mar para resgata-la. Ele representa a amizade desinteressada, a abnegação, o celibatário que esquece de si para servir ao outro, que põe a vida a serviço de um ideal.

Hanumam faz muitos milagres, mas recentemente os indianos descobriram mais uma de suas especialidades: ele agiliza vistos! isso mesmo: tem sido cada vez maior o número de devotos que, de passaporte na mão, vão ao templo, pedir a intercessão do deus -é o visto Hanumam. E dizem que não falha!

Incrediable India!

domingo, 18 de maio de 2008

Vacas Sagradas

Não falei pra vocês que as vacas eram abusadas na Índia? não é pra menos:

terça-feira, 6 de maio de 2008

Aarti

Aarti é uma cerimônia coletiva de veneração aos deuses, realizada em dias especiais para as pessoas que participam dela: membros da família que se queira reverenciar, récem casados, quando se vai empreender algum negócio importante, tomar alguma decisão de vida.

O objetivo do ritual é pedir sabedoria, riqueza, sorte, saúde, paz, aos deus a quem se oferece a homenagem. A cerimônia é sempre presidida por um brâmane, casta mais elevada, que tem por dharma (dever moral), realizar as cerimônias religiosas.Pode ser feita tanto no templo quanto nas casas.

Vejam como é bonita, alegre, e como flui de maneira leve e amorosa o relacionamento do indiano com seus deuses:

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Viúvas na Índia


Uma viúva deve sofrer até a morte, preservada e casta; A mulher virtuosa, que permanece pura após a morte do marido, ganha o paraíso ; Uma mulher infiel ao seu marido vai renascer no útero de um chacal.
(As Leis de Manu, capítulo 5, versículo 156-161, Dharamshastras)


É, ser viúva na Índia, como diria dona Jura, "né biscoito não"! Mas já foi bem pior, quando a tradição determinava que elas fossem queimadas na pira funerária, junto com a cara-metade. A placa que você vê na foto está no Forte Mehrangarh, em Jodhpur, no Rajastão, e representa as mãos das muitas viúvas do marajá Singh, sacrificadas quando de sua morte.

O ritual se chama Sati e, esporadicamente, ainda é praticado em algumas regiões mais tradicionais, ainda que esteja proibido por lei.

Ele tem origem no sacrifício de Sati, a primeira esposa do deus Shiva, que se matou, numa demonstração de fidelidade ao amado que estava sendo humilhado.

Ainda que a prática do sati tenha caído em desuso, a sorte das viúvas indianas ainda é trágica o suficiente. Entende-se que elas não trouxeram sorte para a família, uma vez que os maridos morreram. Encontrei recentemente, no livro de uma indiana, a afirmação de que, na Índia, a viúva é um tabu tão forte quanto a necrofilia. Isso porque, segundo a tradição, a mulher é percebida como uma extensão do marido.

Logo que se torna viúva, ali mesmo, diante do falecido, todos os símbolos do casamento lhe são arrancados: quebram suas pulseiras, tiram de seus cabelos a risca vermelha que identifica a mulher casada. Devem vestir-se de branco para o resto da vida e, se muito tradicionais, trazer a cabeça raspada.

Tornam-se um peso para as famílias do marido, uma boca a mais para alimentar, um corpo a mais para vestir. Sem meio de sustento próprio, é comum que se livrem delas, mandando-as para abrigos de viúvas -existem muitos deles em Varanase.

Deepa Mehta fez um belo retrato dessas viúvas em Water, filme que compõe a trilogia da diretora sobre mulheres na Índia. Vale a pena assistir:


domingo, 13 de abril de 2008

a menina-deusa



Essa semana todo mundo falou muito da garotinha que nasceu com duas faces, na Índia. A menina -Lali- foi recebida como a reencarnação de uma deusa: o pessoal da aldeia já fala em construir um templo em sua homenagem e muita gente vai vê-la, para ser abençoada por ela.

Tem um aspecto que emociona nisso tudo: é a afetuosidade com que a Índia recebe e acolhe o "diferente". Tem sido um comportamento comum em pais de crianças que nascem com malformações que aqui, no ocidente, costumam ser vistas como aberrações. Como o caso anterior, da menina que nasceu com vários braços e também foi recebida como um avatar do deus Shiva.

Assim como os médicos conseguiram convencer os pais a operar a garotinha de muitos braços, provavelmente, daqui a um tempo, vão conseguir também convencer os pais da pequena Lali a submetê-la a uma operação corretiva. Mas por enquanto eles não querem nem ouvir falar disso. Estão curtindo a filha como ela veio. O pai diz a respeito dos exames:

"Qual a necessidade? Até onde sabemos, ela é como qualquer outra criança. Só queremos aproveitar o tempo que temos com nossa primeira filha, diz o pai

Esta criança é muito especial para nós, diz o avô

Quando se vê algo que não é natural, só pode ser algo de Deus. É tão mágico que acreditamos que ela seja uma deusa, diz um vizinho.

Bonito, não é?

COMPLEMENTO

A Fernanda escreveu esclarecendo que a associação está sendo feita entre a menina e a deusa Gayatri, que tem várias faces.Aqui está ela:

Fiquei curiosa para saber mais e fui ler a respeito. No hinduísmo, Shakti (a energia feminina) está personificada em muitas deusas que são manifestações do aspecto feminino das divindades que compõe a trindade hinduísta: Brahma, Vishnu e Shiva.

Gayatri é o aspecto feminino de Brahma, o criador do mundo e dos homens. Como personificação da energia cósmica em sua forma dinâmica, ela é a força energética com a qual o universo é constantemente criado, destruído e recriado por Bhrama, Vishnu e Shiva.


É tida como a mãe dos Vedas. E dá nome ao mantra mais antigo e mais poderoso (Rig Veda - III, 62:10), que se acredita composto pelo próprio Brahma. Os hindus costumam repetir o mantra Gayatri todos os dias, ao nascer do sol:

Nunca abandonem o Gayatri; vocês podem deixar ou ignorar qualquer outro mantra, mas vocês deveriam recitar o Gayatri pelo menos algumas vezes durante o dia. Ele os protegerá dos perigos onde quer que vocês estejam – viajando, trabalhando ou em casa. Os ocidentais investigaram as vibrações produzidas por este mantra e descobriram que quando ele é recitado com a pronúncia correta, como estabelecido nos Vedas, a atmosfera ao redor torna-se visivelmente iluminada. Assim, o resplendor de Brahma descerá sobre vocês, animará os seus intelectos e iluminará o seu caminho quando este mantra for entoado. Gayatri é a Mãe, a força que anima toda a vida. Portanto, dele não se descuide nunca." (SAI BABA)
Escute o Mantra:

Gayatri Mantra