segunda-feira, 10 de março de 2008

Odoricos: lá e cá



Na contramão de Odorico Paraguaçu, que só queria inaugurar o cemitério de Sucupira, o prefeito de Sarpourenx, um vilarejo da França, repetiu o feito do colega brasileiro, prefeito de Biritiba Mirim: proibiu os moradores de morrer, instituindo penalidades severas para quem descumprir a lei.

Ao contrário de Sucupira, que tinha um cemitério novinho sem ninguém para o inaugurar, em Sarpourenx e Biritiba Mirim não existem mais vagas para abrigar ninguém. Mas as diferenças terminam por aí: como o colega Odorico, os dois prefeitos só querem inaugurar um cemitério!

Por maiores que sejam as reprimendas previstas, de uma coisa pelo menos se pode ter certeza: tanto em Sarpourenx quanto em Miritiba Mirim, os transgressores estão à salvo da pena de morte!

É cada uma!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Shiva, a dança do cosmo



À primeira vista a gente tem a impressão de que a Índia tem milhares de deuses. Não é simples assim: é que Deus (Brahma), se expressa sob várias formas, masculinas e femininas, inclusive. Cada um desses avatares revela uma qualidade, um estado de Brahma.

Simplificando muito: Brahma é o absoluto, o início, o meio e o fim, o UNO e o TUDO. Tudo é vida, porque tudo é Brahma.

Vishnu mantém o equilíbrio do universo, e de tempos em tempos vem ao mundo, encarnado sob figura humana, para salvá-lo do caos, da autodestruição. Jesus e Buda, por exemplo, seriam duas das encarnações de Vishnu.

Shiva, o terceiro da trindade, que vemos na escultura acima, é o destruidor e o transformador. Nessa representação, cercado pelo fogo que purifica e renova, ele dança o cosmo, e sua dança representa o eterno movimento do universo. 

Dança pisando numa figura que representa o nosso ego, o "eu"pequeno, que devemos vencer para nos libertarmos da samsara, a roda das encarnações, e nos unirmos a Brahma. 

Cada um de seus braços tem um significado. Achei essa descrição bem simples, que repasso a vocês:

O primeiro braço, com a palma à frente, quer dizer: "Não vos atemorizeis com a mensagem terrível que vos trago, pois também apresento a solução".

O segundo braço segura um pequeno tambor em forma de ampulheta (damaru), que marca o ritmo cósmico e o fluir do tempo: "Tudo no universo segue um ritmo, e está sujeito a uma ordem temporal. O tambor representa também o som através do qual o universo foi criado.

Com o terceiro braço, o que segura as línguas de fogo, Shiva diz: "Aproxima-se o tempo de destruir o que se construiu, para se completar o ciclo da criação. Assim como no passado o mundo antigo acabou-se pelas águas de um dilúvio, agora ele será destruído pelo fogo". Os fachos de fogo ao redor da figura carregam a seguinte mensagem: "A redondeza da Terra será queimada pelo fogo".

O quarto braço apresenta a salvação, ao apontar para o pé levantado, querendo dizer: "O homem não deve atender às solicitações das suas más inclinações, de suas más paixões, dos instintos bestiais, oriundos da sua natureza animal, inferior, e sim seguir sua natureza superior, espiritual: deve abster-se do ódio, dos vícios, dos excessos, obter o autocontrole.

Seu pé esquerdo erguido mostra-nos que podemos elevar-nos e atingir salvação. Salvação é auto-elevação Salvation = self elevation

terça-feira, 4 de março de 2008

Nós e o festival Holi


Tudo isso é Holi, o festival das cores que acontece agora, na lua cheia desse final de março, para saudar a chegada da primavera e pedir a proteção dos deuses, para a colheita seja boa e a terra fértil.



Vai cair exatamente no dia que tínhamos programado passar em Agra, indo de manhãzinha e voltando à Delhi quando chegasse a noite. De trem, são duas horas de viagem.



O bom senso obrigou a mudança: durante o holi as ruas da Índia ficam pra lá de animadas, ninguém escapa dos banhos de água e pós coloridos, que os indianos atiram entre si e nos passantes.



É bonito o resultado: as pessoas ficam parecendo elementos de um quadro vivo, de uma explosão de cores!



Mas é melhor curtir o festival em Delhi, onde, depois de participar da brincadeira, e de também pedir aos deuses pela boa colheita em nosso trabalho, ao invés de pegar um trem assim, molhados e coloridos, podemos ir ao hotel para trocar de roupa!


segunda-feira, 3 de março de 2008

Lavanderia em Mumbai


Dhobi Ghats, é como se chama essa imensa lavanderia que funciona assim, ao ar livre! são milhares de trabalhadores aqui. Ainda não encontrei muitos dados sobre a maneira como funciona.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Sobre a dança clássica indiana


Só por essa pequena amostra, a gente percebe o quanto a dança clássica indiana exige de quem a executa. São 7 estilos, e seu aprendizado não é só uma questão de técnica: pede uma integração perfeita entre corpo, mente e espírito.

Ela nasceu junto com o teatro, e seus princípios técnicos e estéticos estão compilados no Natya Shastra, escritura que teria sido composta pelo próprio deus Brahma.

Todas as posturas tem um significado, expressam uma relação com a mitologia, a filosofia, as crenças espirituais da cultura hindu. Os mitos, as lendas, as sagas dos deuses são representados através da dança, como forma de orientação e educação do povo.

Vejam o que encontrei a respeito dos ensinamentos contidos no Natya Shastra sobre um desses estilos: "contam-se vinte e quatro movimentos para a cabeça inteira, quatro para o pescoço, seis para as sobrancelhas, vinte e quatro para os olhos, cinquenta e sete para as mãos, nove movimentos de pálpebras, seis movimentos de nariz, seis de lábios, sete de queixo, etc."

Enfim, o corpo inteiro dança!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

dança clássica indiana

vejam que beleza:

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

o trânsito na Índia!

e ninguém bate! impressionante!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Profissão? limpador de orelhas

Sim, limpar orelhas é uma profissão, e muito requisitada na Índia. Na foto, que achei na internet, um profissional em ação, nas ruas de Nova Delhi. 

Encontrei um video da Sandra Bose onde ela mostra o instrumento usado pelo limpador e explica como ele funciona. Vejam:


domingo, 17 de fevereiro de 2008

Parabéns, Padilha!


Tropa de Elite é ouro no festival de Berlim -e por unanimidade! Mais do que merecido. Porque como filme é irrepreensivel, e porque significa uma quebra nessa espécie de tradição que aprisiona e empobrece o nosso cinema: o compromisso com defender teses sociológicas!


Quando fez o documentário sobre o assalto ao ônibus 174, Padilha foi aplaudido. O filme era mesmo excelente, mas pelo que se viu quando do lançamento de Tropa de Elite, os aplausos de muitos críticos não eram bem para o filme, mas para o ponto de vista: o do assaltante.


Fugindo dos estereótipos, o cineasta não se deteve naquele instante em que o bandido aterrorizava as pessoas que mantinha sequestradas dentro do ônibus. O documentário tratou de resgatar a humanidade daquele indivíduo que, fotografado naquele momento, era apenas um monstro. Como se fabrica alguém capaz de uma monstruosidade dessa? era a pergunta que o documentário buscou responder, reconstituindo a trajetória do bandido.


Ao abordar a violência sob o ponto de vista do policial, dentro desse mesmo modelo, foi o que se viu! a humanidade do capitão Nascimento soou como agressão, como se a polícia não fosse, também, constituída por gente!


Sempre achei que a indignação de muitos contra Tropa de Elite tinha muito mais a ver com esse resgate da humanidade do policial que se corrompe e tortura, do que com a tortura propriamente dita! Porque afinal de contas, o traficante do filme, que mete uma bala na cabeça da menina e queima o rapaz no pneu, não foi citado por nenhum dos acusadores como exemplo de torturador também. Muito menos o bandido do ônibus 174, que torturou durante muitas horas os seus sequestrados, diante das câmeras de TV.


Gostar do Poderoso Chefão pode, gostar de Tony Soprano pode também, mas gostar do capitão Nascimento é heresia????

Parabéns, Padilha! pelo Urso de Ouro e por ter quebrado o tabu!

COMPLEMENTANDO

Há que saber separar o filme da reação da platéia que hoje aplaude todo e qualquer procedimento que pareça capaz de libertar a população do domínio da bandidagem.

Essa reação é fruto da realidade que temos vivido, não do filme. O filme só revela a que ponto chegamos, em consequência da indiferença dos poderes públicos, da ausência de uma política eficaz de combate à violência.

Como dizia Borjalo, culpar o filme é querer culpar a janela pela paisagem!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Se todos fossem iguais a você...!

Bonito e comovente: essa mulher socorreu o leão quando ele era ainda um filhotinho e estava em péssimo estado. Levou pra casa, alimentou, cuidou, depois não teve jeito: ele cresceu e teve de ser entregue ao zoológico. Mas não se esqueceu dela. Veja o encontro dos dois:

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ano que vem tem mais!

Um casal muito querido: a Liege Monteiro, que pouca gente sabe, mas é neta de um dos coroneis que comandaram a guerra de libertação do Acre, e o marido, Luiz Fernando. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

diferenças culturais

Vejam como é sempre perigoso olhar a cultura dos outros com os olhos da nossa própria cultura: esse vídeo, onde se vê a criança brincando com uma cobra nadja, corre pela internet, tem sido postado em várias línguas até, acompanhado de comentários pra lá de negativos: irresponsabilidade dos pais, ignorância, atraso, todos eles reforçando uma visão preconceituosa da Índia.

A professora Sandra Bose, que escreve o blog Indiagestão, nos manda a explicação:

Soube que o video acima foi exibido na TV brasileira. Gostaria de esclarecer que isso faz parte de um treinamento para o filho de um encantador de serpente, para que a crianca, qdo crescer, não tenha medo do oficio, visto que vai herdar a profissão do pai. No sistema de castas indianos é tradição prosseguir com a profissão do pai e avô, principalmente nas castas mais baixas.




COMPLEMENTANDO-OBSERVAÇÃO

Nas postagens sobre cultura indiana tenho recebido posts ofensivos a uma das pessoas que tem estado sempre presente aqui no blog, nos ajudando, e muito, nessa iniciação ao maravilhoso e complexo universo indiano.
Tenho por princípio não publicar posts anônimos. As discordâncias serão sempre bem vindas, desde que assinadas e identificadas. Quanto às ofensas, definitivamente esse não é o espaço!

Olha a Beija-Flor aí gente!


Foi uma bela vitória: a Beija-Flor entrou cheia de garra na avenida, disposta a responder, com samba e beleza, as suposições que punham em dúvida o título conquistado ano passado.

Achei a acusação uma injustiça. Antes de mais nada porque vi o desfile: a azul e branca fez uma apresentaçao esplendorosa. Conquistou o público, apareceu como preferida nos noticiários, e levou todos os prêmios extra-sambódromo de 2007: estandarte de ouro e outros mais. Portanto, não vejo nenhuma surprêsa no fato de que tenha conquistado os jurados também.

E como não foi mostrada nenhuma prova em que se respaldasse a suposição, penso que a vitória da Beija-Flor, esse ano, é a vitória de todas as escolas, e do próprio carnaval carioca.

Se a gente não puder confiar na seriedade do resultado -mesmo quando não concorde com ele- o campeonato do samba deixa de fazer sentido!

Portanto, parabéns Nilópolis! parabéns, Beija-Flor!



E olha os tigres da Grande Rio! a escola fez bonito também e levou o terceiro lugar. Sábado passa de novo pela passarela do samba, cantando a nossa Amazônia! e vamos estar lá para aplaudir!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Até quarta feiraaaa!


Foi lindo esse segundo dia de avenida!

 aqui estou eu com o Ricardo Cravo Albin, vibrando com a preparação da sua Vila Isabel para entrar na passarela! : já é de praxe, todos os anos, esse nosso encontro na área de concentração das escolas! É onde a gente sente a temperatura de cada uma delas! 

Os três garis estavam como eu, máquina fotográfica em punho, registrando tudo. Eu filmei os três, eles me filmaram  e nos fotografamos juntos!

a terceira foto é no camarote da Grande Rio, onde fico sempre. Teve bolo de aniversário para o Zeca Pagodinho e, parabens cantado, o Jaider ganhou a primeira fatia e a segunda foi da Leda Nagle.

O camarote estava uma animação só, todo mundo feliz e confiante com a bela performance da escola, que entrou com toda a garra e incluiu, em seu tema, a defesa da integridade da nossa floresta amazônica. 

Olhem só esse carro da Grande Rio: as pessoas iam girando em várias direções dentro dessas esferas! era lindo de ver!  

Logo abaixo, Selminha Sorriso é luxo só! uma beleza o desfile da Beija-Flor. A comunidade, como diz a letra do samba, impôs respeito e bateu no peito: "Eu sou beija-Flor"


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Kama Sutra na avenida


Pois é. Esse ano o oriente esteve mais que presente na avenida. Muitas referências à India: um dos momentos mais bonitos foi esse carro do Kama Sutra, levado pela Viradouro, onde os participantes, representando estátuas, iam trocando de posições, encenando o célebre livro sagrado do hinduísmo sobre erotismo e sexo.



Hoje tem mais avenida! E lá vou eu!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ganesh: o deus da sorte e da prosperidade


O alegre e guloso lord Ganesh é um dos deuses mais queridos e populares do hinduísmo: abre os caminhos, afasta obstáculos, protege as casas, é o senhor do raciocínio prático, da inteligência, do aprendizado, do bom senso e da força.


O sucesso de qualquer emprendimento está associado a ele. Assim, sempre o invocam no início de eventos importante: uma viagem, um casamento, a construção de uma casa e, segundo li, quando se começa a escrever um livro ou até mesmo uma carta.


Toda casa indiana tem seu Ganesh pendurado na porta. E aqui mesmo, já o vi várias vezes, representado naquela fileira de elefantes com guizos que muita gente usa como decoração.


Ganesh nasceu só de sua mãe, Parvati, que era casada com Shiva. Reza a lenda que Shiva passava muito tempo meditando nas montanhas do Himalaia, e um dia, enquanto estava fora, Parvati moldou um filho, com a pasta que o marido usava para tomava banho. E deu-lhe vida.


Ganesh cresceu e sua mãe o mandava ficar tomando conta da porta, para que ninguém a surpreendesse enquanto se banhava. Um dia Shiva voltou, e Ganesh, que não o conhecia, barrou-lhe a passagem. Shiva lutou com ele e cortou-lhe a cabeça com seu tridente.


Parvati desesperou-se e exigiu que o marido lhe devolvesse o filho. Os comandados de Shiva recolheram o corpo do menino, mas ninguém conseguia achar a cabeça. Então, Shiva ordenou que lhe trouxessem a cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem, na direção do norte.


Eles encontraram um elefante. Shiva botou a cabeça do elefante no corpo do menino e Ganesh voltou a viver.


Vejam a animação que toma conta dos indianos nas festas de lord Ganesh. É bonito ver como eles celebram seus deuses com alegria. As procissões coloridas ganham as ruas, as crianças tiram fotos abraçadas ao deus, o povo dança ao som dos tambores. Encontrei um video que mostra um pouco o geral dessa festa e posto aqui pra vocês:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

João Helio


Hoje foram julgados os assassinos do João Helio, aquele menino lindo, de 6 anos de idade, que os criminosos que roubaram o carro onde ele voltava com a mãe de um culto religioso,  não tiveram paciência de deixar que ela o soltasse do cinto de segurança, e o arrastaram por 7 kilômetros,  indiferentes aos gritos e aos avisos de motoristas e pedestres. 

As penas parecem altas -44, 39, 30 anos-  mas quando aplicada a elas a matemática da justiça brasileira, conclui-se que a barbaridade cometida contra essa criança e contra essa familia, vai dar em quase nada:

todas as penas foram superiores a 30 anos, o que garante aos criminosos o direito a um segundo julgamento.  Basta que tenham advogado para requerer o benefício. Até que se chegue ao segundo julgamento, os assassinos vão ter direito a responder em liberdade.

E mesmo que as sentenças sejam confirmadas, a lei não permite que ninguém fique preso mais de 30 anos. Logo, 1/6 da pena cumprida, todos já terão direito aos benefícios: prisão semi-aberta, condicionais, etc etc etc. 

É o que vale uma vida humana entre nós: 5 anos de cadeia! é o que vale, para o estado brasileiro a vida de João Helio, a dor da Rosa e do Elson. Não é a toa que os bandidos estejam achando barato!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Bollywood: a Hollywood da India

Sim, a India tem uma vigorosa indústria cinematográfica, que apaixona o país e começa a ganhar mundo. Andei vendo que eles produzem cerca de mil filmes por ano, e a média diária de espectadores em sala é de 30 milhões! coisa à beça!

É um cinema absolutamente popular, em sintonia com a visão de mundo, os hábitos, os costumes e a estética indiana, de modo que todas as castas se reconhecem ali.

Filme de autor existe também, claro, mas ao contrário do modelo brasileiro, não é a base da indústria. Li que o sistema de financiamento também é diferente: não existe patrocínio. Os filmes se pagam com empréstimos em bancos, tomados a juros muito baixos.

E aqui vai uma amostra de Bollywood: o trailer de um filme de Pankaj Sharma, um desenho animado sobre o mito de Ganesh, divindade simpática e muito popular, o deus da boa sorte, do sucesso e da prosperidade.

casamentos à indiana

Pouco tempo atrás, todo mundo viu nos telejornais a notícia do casamento do indiano Kumar com a cadelinha Selvi, no templo de Ganesh, em Manamadurai Os noticiários mostravam a cena sublinhando o bizarro, mas não explicavam seu significado dentro da cultura indiana.

Andei pesquisando o assunto e encontrei coisas muito interessantes -aliás, quanto mais a gente mergulha na cultura da Índia mais coisas interessantes encontra. E olha que ainda nem pisei lá.

Aprendi que o casamento de humanos com cachorros é uma herança tribal, e tem uma função: proteger a pessoa, afastar algum mal que esteja presente, ou que possa vir a estar presente em sua vida

No caso de Kumar, quando tinha 18 anos, ele sacrificou dois cachorros com requintes de crueldade. Hoje, depois de um derrame, tornou-se deficiente físico, e atribui tudo o que lhe aconteceu de ruim à maldição que o acompanha em consequência da crueldade praticada contra os dois animais. Um astrólogo foi consultado e recomendou o casamento como expiação necessária para o alívio de seu karma

No caso da menina Karmoni Hasda, de 9 anos de idade, que também se casou com um cachorro, a motivação foi outra. Sandra Bose conta no Indiagestão:

Vocês já sabem que 99% dos casamentos na Índia são arranjados. Antes de se casarem, os pais dos noivos vão a um “astrólogo” que dirá se o casal é compatível ou não.
No caso dessa menina de 9 anos, o “astrólogo” disse que seu primeiro marido iria morrer logo, então casaram-na com um cachorro, assim o cachorro morre e a garota pode então casar-se com um ser humano.
Não se esqueçam que casamento de viuva ainda é um grande tabu aqui, mas se a viuva for de um cachorro, então, sem problemas!


Outro caso é o do menino Samir Mudiya, de 5 anos, também casado com um cão, como se vê na foto. O casamento, segundo o sacerdote que o realizou, terá o poder de salvaguarda-lo de todo o mal.
Voltando ao Indiagestão, também aprendi com a Sandra que, segundo a tradição local, se o primeiro dente de uma criança sai na gengiva superior, ela corre um grave perigo que só pode ser evitado pelo matrimônio com o melhor amigo do homem.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Mais Índia: Eunucos


Ainda não sei muito sobre hijras, palavra que, na India, significa "nem homem nem mulher", mas o assunto é tão fascinante que não consigo deixar de compartilhar com vocês o pouco que já pesquisei a respeito:

Eu acreditava que os eunucos tinham ficado no passado, no tempo em que eram castrados para tomar conta dos haréns sem oferecer risco de envolvimento sexual com as mulheres do sultão. Que nada! eles continuam a existir na Índia, e formam até uma casta, a dos hijras.

Ainda não encontrei informações suficientes sobre a origem deles: os indianos acreditam que sequestram crianças para castra-las, mas o que está comprovado mesmo é que pais de hemafroditas costumam entregar a eles os filhos que rejeitam. Também fazem parte do grupo os travestis operados.

Os hijras tem seus templos, sua deusa, e cumprem rituais que celebram a passagem do corpo masculino para o feminino. A mesma sociedade que os despreza, ridiculariza e marginaliza, lhes confere poderes excepcionais: eles tem o dom de abençoar e trazer sorte aos récem nascidos e récem casados. Na crença popular esse poder vem do amor que acumulam dentro de si, porque não podendo constituir família, nao tem a quem dedica-lo.

Assim, são convidados para as festas ou entram de penetras, para dar sua benção, cantar, dançar e recolher dinheiro dos convidados, em troca de garantir o sossego local. Negar dinheiro a um hijra é um risco terrível, porque eles  nascem também com o poder de amaldiçoar. 


O interessante é que, aos poucos, os hijras vão conseguindo conquistar seu espaço nessa sociedade tão fechada como é a indiana: alguns deles já ocupam cargos públicos, e muitos estão sendo contratados por financeiras para executar cobranças: costumam ir em dupla, e os devedores, atemorizados com os escândalos que eles são capazes de promover, acabam pagando rapidamente o que devem!

 Increadible India!

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Do Blog da Sandra Bose: Barriga de Aluguel


Encontrei a notícia no blog da Sandra Bose Indiagestão, que é uma exelente fonte para quem quer saber mais sobre a Índia. 

Me impressiona, porque escrevi uma novela sobre o assunto, Barriga de Aluguel,  e sei o quanto de sentimentos contraditórios uma experiência como essa envolve. 

Reproduzo para vocês o artigo da Sandra: 

FICAR GRÁVIDA VIROU EMPREGO NA ÍNDIA

O jornal USA Today fez uma reportagem sobre um emprego cada vez mais requisitado na Índia, a barriga de aluguel. Desde 2002 esta prática é legal no país, assim como em vários outros como os Estados Unidos, mas o que leva casais do mundo todo a procurar estas mulheres é o baixo custo. Enquanto uma americana gastou com a fertilização in vitro na Califórnia cerca de 200 mil dólares e ainda precisaria pagar mais US$ 80 mil para alugar uma barriga por lá, ela pagou apenas 20 mil pelo procedimento na Índia. Deste valor a mãe de aluguel recebeu somente US$ 4.500.

Na Índia este procedimento está muito industrial, com clínicas batalhando pelo menor preço (tem clínica dando 20% de desconto). Com um salário que chega a 25 dólares por mês as mulheres estão fazendo fila na porta da clínica para se candidatarem a uma vaga. Os proprietários se defendem dizendo que só aceitam mulheres que já tenham filhos e que todas as despesas médicas são pagas pelos pais adotivos, mas com os preços caindo existe uma preocupação de que isto vá se refletir no atendimento médico às mães.

A clínica visitada pelo jornal, dá casa, comida e atendimento médico a 15 mulheres e já fez o parto de 40 bebês. Imagine a quantidade de clínicas que existem na Índia e se em todas existe algum foco no bem estar das grávidas.


Colaborou: Júlio de Almeida


Foto: Internet/Google


sábado, 19 de janeiro de 2008

Rumo à Índia e Dubai

É por onde minha imaginação anda viajando.

Há tempos a idéia me fascina. E, meses atrás, quando Mário Lúcio voltou a me lembrar que minha vez na escala de novelas não estava tão longe -quem é que lembra de prazos quando está de férias?- tive certeza: é esse o assunto.

Escrever sobre um universo é uma maneira de refletir sobre ele. A velha Índia, seus deuses, suas castas, sua visão de mundo tão diferente da nossa, esse constraste talvez mais acentuado que em qualquer outro lugar do planeta, entre indústrias de ponta e costumes tribais, essa sociedade que desponta como uma das maiores economias de um futuro próximo, mantendo tradições ancestrais, é ou nao é fascinante?

A verdade é que a convivência entre o novo e o antigo sempre me instigou, e foi ponto de partida de muitos trabalhos meus: Barriga de Aluguel, O Clone, Explode Coração, De Corpo e Alma.

Dubai entra em cena como representação desse mundo futuro que, ao que tudo indica, vai ter seu coração na Ásia.

Mas é importante deixar claro que não quero semelhanças com O Clone. Tanto que não vamos vamos falar dos muçulmanos na Índia: em matéria de religião, ficamos com o hinduísmo e o budismo

E aqui estou eu, a todo vapor, mergulhando nesse universo!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Momento de beleza

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Até quando?

É terrível imaginar que enquanto estou diante do computador, passeando na internet, escrevendo um blog, ouvindo a buzina dos carros que passam lá fora, e as vozes das madrugadas de copacabana, que chegam até aqui, mais de 700 pessoas, reduzidas à condição de escravos, estão acorrentadas pelo pescoço, amarradas em árvores, sendo submetidas a toda a sorte de humilhações e torturas. 

Não tem como não voltar ao assunto A carta do coronel Mendieta, sequestrado há 9 anos, que acabei de ler num jornal da Colômbia, descrevendo as condições desumanas a que estão submetidos os prisioneiros, dói nos nervos da gente!

Impossível que diante dessas denúncias não se tome uma providência para liquidar de vez essa organização criminosa!
 Hoje o presidente Uribe fez uma conclamação a todos os países pedindo o isolamento das FARC. Considera que essa seja a única maneira de esvaziar e vencer a facção. 

A foto é do Jornal El Colombiano. Retrata o protesto que aconteceu em Bogotá, diante da embaixada da Venezuela.

Leia AQUI o texto integral da carta do coronel

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Final Feliz



Tudo indica que o pequeno Emmanuel vai se ajustar sem traumas à família!
Emocionante esse abraço. E as autoridades colombianas foram sensíveis,ao
permitir que Clara vivesse esse momento tão íntimo longe dos refletores da mídia.

Também achei a imprensa sensível, por não ficar especulando se a relação com o guerrilheiro, pai da criança, foi consentida ou não. Ainda que não tenha sido, Clara faz bem em fugir dessas explicações: o menino Emmanuel já sofreu o suficiente, concordam?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Bom domingo, ouvindo Gal e Caymmi

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Enfim, livres!



entrevista com Clara Rojas

mãe de Clara Rojas fala sobre a expectativa de rever a filha

COMPLEMENTO

Só faltava essa: Hugo Chavez pede que as FARC sejam retiradas da lista de terroristas! Como assim????

Não há situação mais cruel e humilhante para um ser humano do que o sequestro! centenas de pessoas apartadas de suas famílias, de suas vidas, muitas delas, como denuncia hoje uma das libertadas, a deputada Consuelo, mantidas acorrentadas e dormindo amarradas à árvores.
Se isso não é terrorismo, terrorismo mudou de nome!

emocionante o reencontro das reféns com suas vidas. Emocionante e doloroso. Toda a violência cometida contra elas está aí, bem à mostra, nos sorrisos e nas lágrimas de reencontro!


domingo, 6 de janeiro de 2008

Parabens, Leda!!!!!

Leda Nagle fez aniversário e hoje ganhou bolo da Regina Martelli!  delicioso: sucrilhos com chocolate! Leda começa o ano cheia de garra e idéias novas: ganhamos nós, que acompanhamos suas entrevistas sempre dinâmicas e inteligentes, no Sem Censura. Com certeza!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

2008

Esta fotografia eu tirei nesse final de ano, observando a multidão começar a se juntar, enfrentando a chuva, para esperar a parada iluminada passar.

Fico pensando nesse clima de euforia que toma conta das pessoas no final do ano: ano novo, vida nova, projetos, perspectivas, esperanças renovadas. 

É preciso ter esperanças. Que seria  se a humanidade não conseguisse sonhar que é possível construir um mundo melhor? um país viável para deixar de herança para os nossos filhos e para os nossos netos? certamente ainda estaríamos no tempo das cavernas.

Nós aqui no Brasil vivemos de maneira bonita essa espécie de ritual de renovação da esperança, dos sonhos que movem o mundo, que é a passagem do ano.  Mas quando chega a hora de mover o mundo -o nosso país, bem entendido-, a multidão se dispersa, a irmandade se desfaz.

O ano começou reafirmando os velhos problemas: Paulinho da Viola entregando o carro a assaltantes armados, Helena Ranaldi conseguindo escapar, num carro blindado, debaixo de tiros da ação de bandidos, o filho de Lidio Toledo e a mulher baleados e em estado grave... isso só pra falar de gente que a gente conhece, pelo menos de nome. 

Teve também a visita do governador ao hospital público, onde faltavam médicos e equipamentos, e se podia ver a revolta e o sofrimento dos pacientes, entregues à própria sorte!

A festa do reveillon de 2009 certamente será tão bonita e bem cuidada quanto a de 2008. 
Mas nosso sonho de consumo é esperar que as reportagens não sejam as mesmas: que realmente tomem medidas práticas e urgentes contra a violência, e que haja o devido investimento na área da saúde.

Melhor do que os fogos, melhor do que qualquer festa, seria poder assistir uma visita das autoridades a um hospital inteiramente reformulado, onde os pacientes pudessem testemunhar o bom atendimento, e que nos jornais não predominassem, sobre todas as notícias boas, as fotografias de pais e mães, chorando os filhos mortos.

Que 2008 seja o ano em que esse sonho de todos nós se torne possível!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

e por falar em Natal...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

perdeu o bonde andando?



Hoje fiquei horas presa num engarrafamento desses bem típicos das vésperas de natal, quando parece que todos os carros da cidade estão na rua! as pessoas buzinavam, nervosas, reclamando da loucura que estava o trânsito.

E pensar que toda aquela balbúrdia vai ser motivo de riso pras gerações futuras, a bordo de transportes que ainda nem podemos supor! da mesma forma como hoje nós achamos graça nas reações apavoradas e indignadas das geracões passadas contra a velocidade e o perigo representado pelos bondes elétricos, que já foram chamados de o perigo amarelo

olhem o que diz o Correio da Manhã, em 1906:
Não é que a Light decidiu exterminar a honesta população desta cidade? (...) Os bondes elétricos continuam a esmagar e trucidar inocentes passageiros.

E a revista Fon-Fon: 
Os estropiados aumentam e a população de tais lugares, se de todo não desaparecer, em breve ficará privada de braços e pernas.

Quem andou de bonde não esquece os reclames.  O mais famoso foi escrito por Bastos Tigre:


Veja gentil cavalheiro
o belo tipo faceiro
que o senhor tem a seu lado
e no entando, acredite:
quase morreu de bronquite
salvou-a o rhum creosotado!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

dura lex sed lex II

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A propósito da sentença transcrita no post anterior, o Helio Pimentel manda uma informação  muito interessante. Diz o Helio:

No livro "Macacos", o Drauzio Varella conta que, entre os orangotangos, existem uns machos de menor porte que atacam as fêmeas dos outros para estuprá-las.

Estes estupradores, quando são pegos, são condenados à morte e jogados do topo das árvores.


É...! Manoel Duda não se criava lá não! 

sábado, 15 de dezembro de 2007

dura lex sed lex: Sentença Judicial de 1833


Mais uma do meu arquivo. É uma sentença proferida pelo juiz  da província de Sergipe, num caso de tentativa de estupro. Como diria dona Jura -né brinquedo não! 

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazera lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará.
Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em assucare della Nocreto Correia e Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágiodo sucesso faz prova.

CONSIDERO

que o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar, porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana; que o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e Clarinha, moças donzellas; que Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO

o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.
Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos Juiz de Direito

Vila de Porto da Folha (Sergipe) 15 de outubro de 1833

Fonte: Instituto Histórico de Alagoas
                
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o canto do Uirapuru

A foto é do Dalgas Frish, que dispensa apresentações. Dalgas foi pioneiro na gravação do canto das aves sul americanas, e o único a conseguir capturar o lendário canto do uirapuru verdadeiro, que só existe nas florestas do Acre.

O uirapuru canta somente uma vez por ano, durante a confecção de seu ninho. E quando canta, os outros pássaros calam. Dalgas conseguiu a célebre gravação em 1962, nas matas do seringal Bagaço, e o feito teve logo repercussão internacional. Um jornal americano o registrou com a seguinte manchete: o caruso das selvas grava um best-seller

Na mitologia amazônica, o uirapuru é símbolo da sorte e da felicidade, e quem escuta seu canto pode fazer um pedido aos céus e será atendido.

Que ele cante para todos nós!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

As memórias do coronel Fittipaldi

Estou voltando de Brasilia. Fui para o lançamento do livro do coronel, do seu Hernani, do pai da Lucinha, minha amiga-irmã, companheira de toda a adolescência.  

Fizemos o clássico no Elefante Branco, íamos juntas aos sábados do Yate Clube, às domingueiras do Congressinho, e os finais de semana eram na casa que seu Hernani e dona Eunice tinham construído no lago, que naquele início dos anos 60 ainda estava quase desabitado.

Seu Hernani, gaúcho de Uruguaiana, despois de ter sido piloto e ajudante de ordens de Getúlio Vargas, foi para Brasilia levado por Juscelino: na época, era o único profisional que dirigia helicóptero na América do Sul, e o uso do helicóptero era essencial numa cidade que estava sendo construída, ainda sem ruas, onde só se podia chegar aos lugares pelo ar.

A convivência com Vargas é o assunto desse primeiro livro de memórias. Digo primeiro, porque o coronel ainda tem muito a contar. Foi testemunha e personagem de fatos históricos, durante o período Vargas, Juscelino e Joao Goulart. 

Foi ele quem tirou Jango de Brasilia e levou para o Uruguai, quando do golpe militar de 64. É claro que o prenderam na volta, assim que aterrisou.  E é claro também que o feito fez do coronel o nosso herói preferido, naqueles dias em que a ditatura se instaurava.

Além da importância histórica, o livro é delicioso de ler. 


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Hipnose para fumantes


Li no France Soir. Depois que entrou em vigor a lei que proibe fumar nos lugares públicos, o jornal vem abordando, todos os dias, um tema em torno do cigarro. O de hoje é a utilização da hipnose terapêutica como meio de se conseguir vencer a dependência do tabaco.

O método é simples: consiste em sugerir, ao hipnotizado, a rejeição ao fumo, procurando desfazer em seu inconscientes, as associações que ele criou entre o cigarro, estados emocionais e situações cotidianas, como tomar um cafezinho, por exemplo, falar no telefone, coisas assim.

Quem fuma ou já fumou, sabe que a dependência vive mesmo dessas associações. O cigarro pode ser uma muleta para suportar tensões cotidianas, ajuda a pensar melhor, libera a imaginaçao, faz companhia. Enfim, está sempre ligado a sensações agradáveis. 

Nesse sentido, ainda que a longo prazo, as proibições acabam tendo seu efeito, na medida em que vão criando associações desagradáveis com o fumo: nao é nada cômodo deixar os amigos na mesa e ir para a porta de um restaurante fumar, por exemplo. 

Sei não... se a hipnose terapêutica for mesmo capaz de  cortar esses vínculos, pode ser uma boa dica. 

Leia AQUI

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

ainda o caso do menino Hugo


Hugo podia ser o filho de qualquer um de nós: qual é o menino que não joga futebol? se a algazarra natural do jogo incomodava os vizinhos, será não havia maneira mais humana e mais civilizada de fazer alguma coisa? precisava dar tiros para por fim à brincadeira?

Anos atrás tivemos um caso semelhante. Foi na Urca. Incomodado com a barulheira que vinha da rua, o sujeito disparou uma flecha em direção às pessoas e atingiu, também, uma criança. 

Isso mesmo, uma flecha. A perícia localizou exatamente de que janela ela havia partido. Que se saiba, sem necessidade de nenhuma testemunha que pudesse dizer para onde estava voltada a cabeça do menino no exato momento em que a flecha o atingiu. Para a perícia, bastou saber o local onde ele havia caído. 

Suponho que uma bala na cabeça derrube uma pessoa ainda mais depressa do que uma flechada, e essa constatação basta para qualquer leigo concluir que Hugo só poderia estar no lugar onde caiu, quando recebeu a bala.

Até hoje pensei que a perícia só precisasse saber a posição de um corpo, para concluir de que direção partiu uma bala!  Vocês também não pensavam????

Espero que os nossos peritos lembrem dos seus filhos, dos seus netos, que certamente também gostam de jogar futebol e não deixem uma barbaridade dessa sem resposta: Hugo tinha o direito de crescer!

heinnnn???? heinnnn????


Nos jornais de hoje, um perito explica que vai ser difícil saber de onde partiu o tiro que atingiu o menino Hugo, quando jogava uma partida de futebol no Clube Federal, alto Leblon:

o alvo é móvel. Até agora, é impossível precisar a posição da vítima no momento do impacto. Sabemos que ele estava parado diante do gol, olhando para a arquibancada, mas ninguém soube precisar a posição da cabeça...

Essa, nem em novela!

Pelo andar da carruagem, só uma coisa se pode concluir com certeza: é mais um caso que vai ficar impune!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Novas mídias, novos talentos

                   Uma das inovações mais bonitas e bem-vindas da internet é essa de dar às pessoas a possibilidade de chegar ao público exibindo um trabalho ou um talento, sem mais depender de encontrar alguém que faça isso por elas.

                 O YouTube está aí, revelando muita gente boa nas mais diversas áreas. E o primeiro concurso de curtas promovido pelo site foi vencido por brasileiras, que disputaram com 3.600 concorrentes de várias partes do mundo: "Laços", de Flavia Lacerda e Clarice Falcão levou o prêmio de 5 mil dólares, mais um espaço no festival de Sundance.

                Parabens, meninas! e vamos torcer por vocês!

Saiu o DVD de "Amazônia -de Galvez a Chico Mendes"!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Morte em Veneza: o drama na vida real

Quem não se lembra do Tadzio, de Morte em Veneza? o adolescente que encarnou o ideal de beleza que apaixona, confunde  e leva à morte o músico  Aschenbach?

É irônico, mas na vida real, o destruído mesmo pela beleza de Tadzio foi seu intérprete, o menino sueco Bjorn Andrésen, que tinha só 14 anos quando fez o filme que o transformou em objeto de desejo no mundo inteiro.

Quando Visconti o escolheu ele estudava música, morava com o padrasto e tinha, naturalmente, expectativas muito mais modestas na vida.  Depois de Morte em Veneza tentou seguir a carreira de ator, lançou-se como cantor, mas não teve nenhum sucesso: havia-se tornado prisioneiro de Tadzio.

Há casos assim, em que a personagem aprisiona o intérprete, torna-se uma camisa de força que o impede de seguir adiante.  Bjorn conta que não importava o que ele quizesse mostrar: todas as platéias só esperavam e queriam ver "o menino mais bonito do mundo", que Visconti havia imortalizado.

Estava lendo uma entrevista dele, de 2005, quando completou 50 anos. Bjorn não tem boas lembranças daquela época, muito menos do filme.  Está certo de que teria sido mais feliz se não o tivesse feito, e confessa que se sentiu traído por Visconti, porque filmou sem ter nenhuma noção da temática homossexual de Morte em Veneza, que o perturbou a ponto de interferir em sua sexualidade.

Acaba a entrevista  com uma frase amarga, mas bem verdadeira: 

-Todos procuram o menino mais bonito do mundo e só encontram o menino mais velho do mundo
Aqui está ele, aos 52 anos:

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Essa é a Nana

A Modernd Sound ficou pequena para ver Nana Caymmi nessa noite de terça: quem não conseguiu sentar ficou em pé mesmo, lotando a loja até a porta da rua, mas ninguém arredou o pé antes da última música!

Nana arrasou. Rasgou a alma. Cantou Caymmi, cantou os boleros que aprendeu no tempo que viveu na Venezuela, casada com o médico que é pai dos seus três filhos, se emocionou falando de amor, dos pais, do natal que se aproxima, aplaudiu a derrota de Chavez no plebiscito do último dia 2 e protestou contra a pirataria, conclamando a platéia a não comprar discos pirateados: 

entendo que a idéia de comprar o disco dos seus cantores preferidos por 3, 5 reais,  seja atraente -ela disse-. Mas lembrem: PIRATARIA É DESEMPREGO. NAO FINANCIEM O DESEMPREGO!

Foi ovacionada! Tomara Deus que venha a ser atendida também!

Gibis


Olhem o que eu encontrei na página do Luiz D', um apaixonado pelo Rio antigo. São os gibis da minha infância também, ainda que eu tenha sido criança muito longe daqui, lá em Rio Branco, no Acre!

Eram tempos de faroeste: filmes de bang bang, brincadeiras de mocinho e bandido, revolver de espoleta, Roy Rogers, Hopalong Cassid, o nacional Jerônimo -o herói do sertão, que virou até novela de rádio.

Meninos vestidos de cowboy defendiam fortes imaginários, expulsavam forasteiros, cavalgavam cabos de vassoura como se fossem cavalos puro sangue. 

Nesse tempo, ficção era ficção, realidade era realidade.  Todo mundo sabia a diferença. Não havia esse patrulhamento de hoje, essa tendência a enquadrar a ficção no politicamente correto e deixar a realidade entregue às traças!  não passava pela cabeça de nenhum pai que o filho poderia se tornar um aficcionado em chacinas se desse tiros com revolver de espoleta.

A geração dos cowboys cresceu pacífica: paz e amor, bicho!