domingo, 29 de junho de 2008

dica de domingo: o brechó da Denise

Essa bolsa linda veio lá de Estocolmo. Arte da Denise Arcoverde, uma pernambucana arretada que fez no seu blog um brechó onde a gente pode encontrar de tudo um pouco: bolsas, brincos, pulseiras, relicários, caixinhas, tudo lindo e de um bom gosto incrível! Virei cliente cativa. Vale a pena conferir. Clique AQUI.

A foto foi tirada lá no PROJAC: eu, Humberto e a bolsa que ele adorou e veio ver de perto.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Ju, a "Caminho das Índias"


Juliana Paes acabou de aprender com Shivani como se veste um sari.
Shivani é indiana de Mumbai, e veio passar uns dias de férias no Brasil.

MAIS FOTOS

Shivani e Humberto Martins, também a Caminho das Índias. Na outra foto, Íris, que ensina prosódia aos atores, treinando a pronúncia indiana com Shivani, Janita e Aditi.

Riquixás


Herança e tradição dos tempos coloniais, os riquixás puxados assim, pela força humana, estão acabando na Índia. Proibidos pelo governo, hoje eles só existem em Calcutá, e ainda são considerados o meio mais eficiente de enfrentar o trânsito e as ruas estreitas da cidade.

Eu não conseguiria andar neles, mas fico pensando se, com a proibição, existe algum projeto para absorver essa mão de obra que, afinal de contas, não sabe fazer outra coisa!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Nas praias de Goa

são abusadas essas vaquinhas da Índia! vejam que graça!


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Obama em versão Bollywood

O que não falta, na internet, são videos engraçados brincando com as eleições norte-americanas. Esse aqui mostra uma versão indiana da campanha de Obama. Bem Bollywood!

Só nao dá pra imaginar o que ele está cantando! quem sabe alguém que fale hindi por aqui traduza pra gente?

domingo, 15 de junho de 2008

para sempre Jamelão

Jamelão foi sempre uma paixão explícita. Tenho todos os discos dele no meu IPOD. O vozeirão que enchia a avenida, na passagem da Mangueira, animava a gafieira e o circo Voador, com aqueles sambas dor-de-cotovelo, não vai se calar nunca no sentimento da gente.

Dancei muito ao som de Jamelão, cantando ao vivo, com a orquestra do Severino Araújo. Como todo mundo, tinha medo do seu célebre mau humor, e tremi na noite em que uma fotógrafa, se não me engano a Cristina Granato, surpreendeu sugerindo que tirássemos uma foto. Esperei uma resposta daquelas que ele costumava dar nessas ocasiões -bem atravessada. Mas não. Para minha surprêsa, ele se levantou, tirou a foto, deixou que eu lhe desse um beijinho e até me deu outro de volta.

Essa reportagem foi feita em homenagem aos seus 90 anos. Esse era Jamelão!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Manu, o Adão do hinduísmo... e o Noé também!


O mito védico é aquele mesmo, contado pela Bíblia: houve um tempo em que a humanidade andou tão degenerada, que o senhor Brahma resolveu acabar com o mundo.

Então, Vishnu, (que mantém a ordem do universo e socorre a humanidade sempre que ela precisa de ajuda), encarnou em um peixe, e quando Manu foi banhar-se no rio, mandou que ele construisse um barco bem grande, e embarcasse nele um casal de cada espécie de animal existente, os sete sábios e os livros sagrados dos vedas, porque só haveriam de sobreviver aqueles que estivessem na arca.

Manu obedeceu. E Brahma mandou o dilúvio, que durou 40 dias e 40 noites. Quando parou de chover, ele ancorou a arca em Tharim, no norte da Índia. Ali soltou os animais, e fez oferendas aos deuses. Do leite e da manteiga das oferendas, nasceu a primeira mulher.

Por isso, Manu é tido, no hinduísmo, como o pai da humanidade.

o banho do elefantinho

olhem o que eu achei no You Tube: na Índia, um grupo de brasileiros ajudando a dar banho no baby elefante. Os bichinhos gostam da água!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

o Cartoon revolucionando costumes

O cartunista Sharad Sharma se deu conta de que cerca de 60% da populaçao indiana estava fora da mídia e sem acesso a ela, devido ao grande o índice de analfabetismo.Sem contar com o fato de que a Índia é um país onde as diferenças regionais são muito acentuadas, existem 18 línguas oficiais e, além disso, a população de cada uma dessas regiões tem costumes muito próprios.

Sharma encontrou a forma ideal de comunicação com esse imenso contingente de excluídos da mídia, através das histórias em quadrinho. Seus cartoons, retratando as particularidades de cada região, tem levado as sociedades locais a debater e a repensar questões como preconceitos, violência doméstica, limitações impostas às mulheres, corrupção, etc, etc. E promovido mudanças de atitudes e de posturas.

O projeto é bonito: Sharma circula por toda a Índia formando cartunistas locais, que através dos desenhos, levantam debates e reinvindicam melhorias para a comunidade.

E a revolução dos quadrinhos não se restringe à Índia. Já chegou também no Brasil. Na foto, os alunos da oficina "Quadrinhos e Ação Social", que ele ministrou em Fortaleza. A oficina foi resultado da parceria entre Comunicação e Cultura, Ashoka Brasil e Oficina de Quadrinhos da UFC.

India Fashion

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Casamento de crianças

Ghandi, que foi casado criança, lutou muito contra a prática do casamento infantil. Nas regiões mais tradicionais da Índia, mesmo proibido por lei, ele continua a vigorar nos costumes.

Depois da cerimônia os noivos voltam para suas casas, e as famílias promovem encontros periódicos entre eles, para que cresçam se habituando um ao outro.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O Clone na Rússia

para lembrar quem estava na viagem

essa foi mandada pelo Elson:


domingo, 1 de junho de 2008

Buzine por favor!


Se a gente quiser traduzir a Índia em um som, fica difícil escolher entre a melodia dos mantras e o barulho das buzinas!

Todos buzinam ao mesmo tempo, e é comum ler nos caminhões, ônibus e carros, esses avisos lembrando que não deixem de buzinar.

Tem muita lógica, naquele caos ordenado que é o trânsito das ruas e das estradas indianas, onde carros, ônibus, caminhões, riquixás, bicicletas, motocicletas, vacas, elefantes, macacos e pedestres, se confundem.

Esse clipe é da minha viagem de pesquisa. Estamos em Delhi.Vejam o que o Rohit diz sobre o trânsito na Índia:


sexta-feira, 30 de maio de 2008

O blog da Juliana



A noiva é a Juliana, garota paulista que conheceu um rapaz indiano pela internet e acabou se casando com ele. Deu tudo certo, os dois estão felizes, vivendo em Delhi, dentro do tradicional estilo de vida indiano. 

Juliana foi uma das brasileira que conheci na viagem de pesquisa à Índia.

Ela está começando a escrever um blog, que é muito interessante para quem quer saber mais sobre a Índia.  Clique AQUI para conhecer

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aprendendo a vestir o saree

Existem muitas modos de vestir o saree. Cada região da Índia tem sua maneira.
Escolhi essa, porque o cenário é o de uma típica loja indiana.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Vale a pena lembrar:

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Gol contra!

Patética a atuação da "perícia"contratada pelos Nardoni!

Em matéria de desastre, a performance dos contratados só é comparável àquela entrevista do casal para o Fantástico.

Mas o que  é isso, doutores? um mínimo de compostura não faz mal a ninguém!

sábado, 24 de maio de 2008

tilaks, bindis e sindoor


Tilak é essa marca vermelha, que enfeita a testa dos indianos, representando a abertura de um terceiro olho, voltado para o conhecimento interior. Simboliza, também, a devoção a seu deus, de modo que os homens a recebem nas festas religiosas, e os mais devotos andam sempre com ela.

Você saberá a que linha do hinduísmo pertence um saddhu ou um sanyasis, através do desenho que o tilak faz em sua testa.

O bindi, que você vê nas caixinhas -existe em todas as formas e em todas as cores-, é indispensável para a mulher indiana.

E o sindoor é a marca vermelha, na divisão dos cabelos da mulher à esquerda. Corresponde ao que significa, para nós, a aliança de casamento.

Se uma mulher fica viúva, ali mesmo, diante do corpo do marido, o sindoor é retirado, e são quebradas as pulseiras, outro símbolo que as identifica como casadas

Veja AQUI a propaganda da pasta que faz a marca do tilak e do sindoor

sexta-feira, 23 de maio de 2008

do blog do Altino: índios isolados do Acre

Não sei se vocês sabiam, mas nós temos, no Acre, tribos indígenas que nunca entraram em contato com a civilização.

Pela primeira vez uma dessas tribos foi fotografada. Quem conseguiu o feito foi o sertanista Meirelles, que fez as fotos a bordo de um monomotor.

Olhem o que o Altino conta:

As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção, enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião.
Leia mais no Blog do Altino

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Aishwarya em Cannes



Olhem quem está em Cannes, no festival 2008: Aishwarya Rai. Ela é maior estrela do cinema indiano, e seu casamento, com o galã Abhishek, foi um acontecimento na Índia.

Mas antes de casar com ele, Aishwarya casou-se com uma bananeira: um jeito encontrado pelos astrólogos de iludir os astros, driblando o mau agouro que o horóscopo da estrela predizia para seu casamento.

Coisas da Índia!

terça-feira, 20 de maio de 2008

cenas da Índia


Ela é a Jhumuri, ele o Manu. O casal de macacos teve um casamento de príncipes: um banquete para três mil convidados, que custou 3.500 euros! Jhumuri vestiu-se de sari, à maneira das noivas humanas, com todos os adereços próprios para a ocasião: braceletes, enfeites com pasta de sândalo, tudo como manda o ritual, e ainda ganhou, de um dos convidados, um colar de ouro.

Manu veio ao encontro da noiva com toda a pompa, carregado em ruidosa procissão, como manda a tradiçao indiana.

Os dois foram criados por famílias diferentes, e depois da cerimônia,oficiada por um sacerdote, claro, ganharam a liberdade e partiram em lua de mel. A mãe da noiva chorou, emocionada, e declarou que sentia como se uma filha sua estivesse partindo.

Como vocês sabem, os indianos tem um carinho especial pelos macacos,a ponto de lhes dedicarem um templo, porque um dos seus deuses mais queridos, Sri Hanumam, o filho do vento, tomou essa forma.

Hanumam foi o amigo fiel de Rama, o herói indiano que representa todas as virtudes do homem justo, honesto, que age sempre de acordo com seu dever. A saga de Rama está contada no Ramayana, clássico da literatura hindu.

A esposa de Rama, Sita, foi sequestrada por um demônio, e Hanumam cruzou o mar para resgata-la. Ele representa a amizade desinteressada, a abnegação, o celibatário que esquece de si para servir ao outro, que põe a vida a serviço de um ideal.

Hanumam faz muitos milagres, mas recentemente os indianos descobriram mais uma de suas especialidades: ele agiliza vistos! isso mesmo: tem sido cada vez maior o número de devotos que, de passaporte na mão, vão ao templo, pedir a intercessão do deus -é o visto Hanumam. E dizem que não falha!

Incrediable India!

domingo, 18 de maio de 2008

Vacas Sagradas

Não falei pra vocês que as vacas eram abusadas na Índia? não é pra menos:

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Obrigada, Dorothy!


Há anos, há muitos anos, estamos lutando para tirar do nosso código penal o "protesto por novo júri", que consiste em mandar, a novo julgamento, o condenado a pena superior a 20 anos.

O benefício, criado na época do império, para evitar injustiças no caso dos condenados à morte, continuou valendo, mesmo depois de a pena de morte ter sido abolida no Brasil.

Resultado: seja qual for a gravidade do crime cometido, a pena máxima passou a ser, na prática, de 19 anos e 6 meses, para evitar que o desfecho do caso fosse adiado para daqui a mais 4, 5 anos!

Eu mesma, quando o Tribunal do Juri condenou os assassinos de minha filha, e o juiz pretendeu aplicar, aos dois, a pena máxima de 30 anos, roguei que não o fizesse.

Algumas vezes os juízes faziam. No caso da chacina de Vigário Geral, por exemplo, quando homens com toucas ninjas invadiram a comunidade e executaram indiscriminadamente 22 moradores. Que eles mereciam os 30 anos, ninguém duvida. O juiz aplicou a lei e o resultado é que, até hoje, o caso não teve desfecho. Lá se vão quase 15 anos!
diante da indignação pública, nossas autoridades costumam responder que não se pode sair modificando a lei em clima de comoção popular!

foi preciso a a comoção dos estrangeiros, quando o estranho benefício acabou deixando impune o mandante do assassinato da missionária Dorothy, para inibir nossas autoridades de repetir que em momento de comoção não se mexe na lei! As providências foram tomadas, e o congresso votou: até que enfim, o protesto por novo juri foi retirado do código!

Aliás, não me espanta que aqueles sete jurados tenham votado pela absolvicão do mandante do crime: sabem que ficaria solto. Sairia do tribunal pela porta da frente, para recorrer em liberdade. E, mesmo preso, no máximo em 5 anos estaria na rua. 

Se fez isso com a missionária, imagine o que não poderia fazer com cada um daqueles anônimos que o condenaram! Garanto que eles pensaram nisso!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Nem o advogado esconde que sabe

O dr. Levorin, advogado do casal Nardoni, escancarou a culpa dos clientes.
A declaração está no jornal O Globo:

entendemos que as provas são vulneráveis. Por isto estamos sustentando a negativa de autoria

sábado, 10 de maio de 2008

Bom de lembrar: TV MACHO



quarta-feira, 7 de maio de 2008

os presidiários também querem JUSTIÇA!


O promotor Cembranelli, pedindo a prisão preventiva do casal Nardoni, registra uma indignação que é de todos nós: porque se manda para a cadeia quem rouba um pote de margarina e se deixa na rua quem assassina uma criança?

Coisas da nossa justiça de "primeiro mundo": uma menina é assassinada brutalmente, e ao invés de estarmos discutindo violência doméstica, psicopatia, novas formas de proteção da infância, o que vemos é um debate surreal sobre se a lei permite ou não permite que a prisão dos executores seja decretada.

A esse respeito, vou deixar registrado, aqui, meu depoimento sobre uma situação vivida 15 anos atrás, quando eram passadas, de mão em mão, as assinaturas que vieram a tornar-se a primeira emenda popular da História do Brasil: aquela que inclui o homicídio qualificado entre os crimes hediondos, merecedores, portanto, de uma pena mais severa, e de uma estada maior atrás das grades.

Um dia, chegaram às minhas mãos mais de 500 assinaturas, vindas de um presídio do Rio. Achei logo que aquilo era armação para desmoralizar a campanha: como assim? estávamos pedindo endurecimento de pena, e os presidiários assinavam em massa a reinvindicação?

Pedi a um amigo, conhecido produtor, que fosse ao presídio. Ele foi. Voltou com a confirmação das assinaturas e um recado dos presos:

-diga a ela que fomos nós, sim. A gente vem pra cadeia de qualquer jeito, pelo menos agora os ricos vem também!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Aarti

Aarti é uma cerimônia coletiva de veneração aos deuses, realizada em dias especiais para as pessoas que participam dela: membros da família que se queira reverenciar, récem casados, quando se vai empreender algum negócio importante, tomar alguma decisão de vida.

O objetivo do ritual é pedir sabedoria, riqueza, sorte, saúde, paz, aos deus a quem se oferece a homenagem. A cerimônia é sempre presidida por um brâmane, casta mais elevada, que tem por dharma (dever moral), realizar as cerimônias religiosas.Pode ser feita tanto no templo quanto nas casas.

Vejam como é bonita, alegre, e como flui de maneira leve e amorosa o relacionamento do indiano com seus deuses:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dr. Ambedkar, o pai dos "intocáveis"


Pouco conhecido no Ocidente, o dr Ambedkar é adorado e reverenciado pelos "intocáveis" na Índia. Não há "intocável" que não tenha, em casa, uma fotografia sua, posta em lugar de honra. E não é pra menos: ele fundou o primeiro partido político de "intocáveis", presidiu a Assembléia Constituinte quando da independência da Índia, e foi o principal redator da nova constituição.

Ramji Ambedkar era um "intocável" também, fazia parte do contingente humano que os textos sagrados definem como "a poeira aos pés de Brahma", aqueles que nascem "impuros", não podem beber do mesmo poço que os integrantes das castas, nem tocá-los, mesmo com sua sombra.

Desafiando todas as probabilidades, conseguiu estudar, e através de bolsas, doutourar-se pela Universidade de Columbia e pela London School of Economics. Voltou à Índia em 1923, tornou-se líder dos "intocáveis" e, como Gandhi, mas através de propostas diferentes, lutou pela conquista de seus direitos políticos.

Um dos momentos mais célebres de suas campanhas foi quando, no final de um comício, depois de um discurso caloroso e apaixonado, queimou um exemplar das leis de Manu, código anterior a Cristo, que dispõe sobre as castas, determinando os direitos e deveres de cada uma delas.

A ruptura entre Ambedkar e Ghandi se deu através das soluções conflitantes que ambos apresentavam para a causa dos intocáveis. Ambedkar acreditava que só seria possível integra-los plenamente através da destruição do sistema de castas, o que implicava em separar a vida civil da vida religiosa. Certo de que nenhum candidato intocável venceria uma eleição aberta a todas as classes, propôs que os párias constituissem um eleitorado à parte: na disputa por um cargo público, intocáveis seriam eleitos por intocáveis. Desse modo, eles teriam sempre representatividade garantida no governo indiano.

Gandhi sentiu o hinduísmo ameaçado, e se opôs tenazmente à idéia, acreditando que a integração dos intocáveis não necessitava de soluções laicas para tornar-se real. Podia ser feita sem necessidade de ferir os princípios do hinduísmo. Ele próprio fundou um ashram (templo) que compartilhou com intocáveis, e chegou a adotar, como filha, uma menina intocável.

Quando os britânicos ameaçaram ceder às reinvindicações de Ambedkar, ele protestou, com uma greve de fome que acabou fazendo o lider dos intocáveis recuar. Decepcionado, Ambedkar tentou outra estratégia: liderou um movimento de conversão em massa dos párias ao budismo. de modo a livra-los das restrições impostas pelo sistema de castas. Mas morreu antes que a nova iniciativa desse frutos.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Viúvas na Índia


Uma viúva deve sofrer até a morte, preservada e casta; A mulher virtuosa, que permanece pura após a morte do marido, ganha o paraíso ; Uma mulher infiel ao seu marido vai renascer no útero de um chacal.
(As Leis de Manu, capítulo 5, versículo 156-161, Dharamshastras)


É, ser viúva na Índia, como diria dona Jura, "né biscoito não"! Mas já foi bem pior, quando a tradição determinava que elas fossem queimadas na pira funerária, junto com a cara-metade. A placa que você vê na foto está no Forte Mehrangarh, em Jodhpur, no Rajastão, e representa as mãos das muitas viúvas do marajá Singh, sacrificadas quando de sua morte.

O ritual se chama Sati e, esporadicamente, ainda é praticado em algumas regiões mais tradicionais, ainda que esteja proibido por lei.

Ele tem origem no sacrifício de Sati, a primeira esposa do deus Shiva, que se matou, numa demonstração de fidelidade ao amado que estava sendo humilhado.

Ainda que a prática do sati tenha caído em desuso, a sorte das viúvas indianas ainda é trágica o suficiente. Entende-se que elas não trouxeram sorte para a família, uma vez que os maridos morreram. Encontrei recentemente, no livro de uma indiana, a afirmação de que, na Índia, a viúva é um tabu tão forte quanto a necrofilia. Isso porque, segundo a tradição, a mulher é percebida como uma extensão do marido.

Logo que se torna viúva, ali mesmo, diante do falecido, todos os símbolos do casamento lhe são arrancados: quebram suas pulseiras, tiram de seus cabelos a risca vermelha que identifica a mulher casada. Devem vestir-se de branco para o resto da vida e, se muito tradicionais, trazer a cabeça raspada.

Tornam-se um peso para as famílias do marido, uma boca a mais para alimentar, um corpo a mais para vestir. Sem meio de sustento próprio, é comum que se livrem delas, mandando-as para abrigos de viúvas -existem muitos deles em Varanase.

Deepa Mehta fez um belo retrato dessas viúvas em Water, filme que compõe a trilogia da diretora sobre mulheres na Índia. Vale a pena assistir:


quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lucia Luiz: o caso Isabella e a "terceira pessoa"


Lúcia Luiz é socióloga e escritora. Nesse texto ela disse tudo:

"É muito difícil lidar com a maldade humana em estado puro. Seria ótimo para todos se em vez do pai e da madrasta, fosse um ladrão, de preferência egresso do complexo da FEBEM de Tatuapé, preto e pobre....

Assim como no caso Suzanne Richtoffen: o crime foi tão aterrorizante que tentaram de todos os jeitos dizer que tinha sido abusada pelo pai ou dopada pelo namorado perverso, pois lourinha, estudante de direito da Puc, não mata pai e mãe a cacetadas e depois vai para o motel

Mas graças a Deus existem o The Flash, O Homem Aranha e O Batman , que com motivação ignorada, profundos conhecedores do apartamento e de seus utensílios , conseguiram em menos de 8 minutos espancar, estrangular, jogar uma criança pela janela, pegar tesoura, faca , esconder, lavar e sumir.

Salva-se assim o mito da proteção familiar inconteste e todos podemos dormir sossegados"

terça-feira, 29 de abril de 2008

O que é que está acontecendo conosco?


Se nem isto merecer cadeia, é melhor tirar logo o homicídio do código penal!

Imaginem se aquele "pai" austríaco, que trancafiou a filha no porão por 24 anos e teve sete filhos com ela, fosse brasileiro? com certeza os especialistas na nossa enigmática justiça estariam dia e noite na TV, discutindo se havia fundamentos legais para a prisão, uma vez que o indiciado não atrapalha as investigações, colabora com a polícia, tem endereço fixo e não pretende fugir.

Estaria se discutindo até onde a vítima contribuiu para o crime cometido contra ela, se o exame de DNA foi realizado de maneira correta, a polícia seria acusada de não ter investigado outras hipóteses, e a constatação do óbvio estaria sendo taxada de pré-julgamento

Não faria muita diferença que o "pai" de cá tenha como álibi uma história da carochinha e o pai de lá tenha confessado. Se brasileiro fosse, o carrasco austríaco contrataria bons advogados que logo contestariam a confissão, taxando-a de ilegal, por haver sido obtida com a exposição de provas que ainda não eram do conhecimento do acusado. Trocando em miúdos, a polícia seria denunciada por não ter proporcionado, ao suspeito, outro direito sagrado concedido aos criminosos brasileiros: o de mentir. Independente do resultado que viesse a ter no processo, a polêmica ia render.

O clamor popular que enche as praças da Áustria com pedidos de justiça, seria taxado de vingança: afinal de contas, por enquanto, mesmo com a confissão, o pai carcereiro seria apenas indiciado, e em nome dos sagrados direitos do cidadão, haveria que se conceder, a ele, a presunção de inocência!

Para que não fosse incomodado pela turba "vingativa", o estado lhe proporcionaria uma rádio patrulha na porta, com a função de impedir que colassem cartazes ofensivos em sua garagem!

Haveria que se esperar um mínimo de 5 anos para que acontecesse o julgamento. Se condenado, mais 3 ou 4 anos, até que a sentença transitasse em julgado. Só aí se poderia considerar a hipótese da cadeia!

Nesse ínterim, claro, ele poderia viajar para onde quisesse, desde que avisasse à justiça! enfim... vida normal!

Assim como o caso Isabella, na Áustria, o caso do pai carrasco provocou mobilização e revolta da população. Com a diferença que, lá, o noticiário prioriza os direitos de cidadania daqueles que tiveram as vidas sacrificadas. Ontem, nos jornais austríacos, a ênfase do noticiário estava numa pergunta: "O que está acontecendo conosco?"

Era uma boa pergunta para o Brasil se fazer!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

AMÉRICA em Hindi

Já contei pra vocês que '" AMÉRICA" estreou na Índia. Agora vejam o trailer da novela, falada em Hindi:





CLIQUE AQUI, para ver a página do Firangi Channel

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Índia -comercial para vacas

É bom demais:

Esse filme eu já vi!!!!


Foi desastrosa a entrevista do casal Nardoni, que ficou durante interminável meia hora diante das câmeras do Fantástico lastimando a própria sorte, sem demonstrar, em nenhum momento, dor ou indignação pela crueldade cometida contra a pequena Isabela.  

Em nenhum momento prestaram contas sobre os passos que deram depois da chegada ao prédio, para justificar a afirmação de que são inocentes! afinal de contas, só estavam ali, na tela da TV, porque estão sendo acusados de ter cometido um crime hediondo! E não é contando que telefonam para o papai todos os dias, que almoçam junto com a familia aos domingos, que vão convencer alguém de sua inicência! 

Fiquei impressionada quando o reporter perguntou ao "pai" como ele se sentia, sendo acusado pelo assassinato da filha! Alexandre Nardoni gaguejou e concluiu que não tinha resposta, porque ainda não tinha visto os laudos da perícia. A madrasta fez côro! 

Até o pedido para que o público ajude a localizar a tal "terceira pessoa", apontada por eles como o verdadeiro assassino, foi sugerida pelo reporter!  

Diante do fiasco dessa tentativa de emocionar o público com o sofrimento dos indiciados, e na falta de um álibi qualquer, a defesa dos Nardoni parece ter escolhido um velho e conhecido caminho: desviar o foco das atenções, lançando suspeitas sobre a mídia, a polícia, a perícia, as testemunhas, esforçando-se, enfim, por desacreditar tudo o que aponte para a culpabilidade dos dois! Tomara que a mídia não embarque nesse artifício. 

Do jeito que as coisas andam, não vou me surpreender se numa próxima entrevista, o casal acabe perguntando com "sincero" espanto: Isabela? quem é Isabela?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Isabella



Nesse momento, em que o indiciamento do pai e da madrasta da pequena Isabela, por "homicídio triplamente qualificado", causa nas pessoas a impressão de que a brutalidade cometida contra essa criança não ficará impune, seria bom que a mídia esclarecesse o que isso significa, na prática:

1-mesmo pronunciados, os dois podem reinvindicar o direito de responder ao processo em liberdade. O que significa que só daqui a 4, 5 anos, vão sentar no banco dos reus!

2-Se julgados e condenados por homicídio triplamente qualificado -o que mereceria a pena máxima de 30 anos- o juiz que presidir o Tribunal do Júri terá uma escolha a fazer:

-estipular a pena em 30 anos, o que dá aos réus direito a novo julgamento -serão mais 3, 4 anos em liberdade, até que isso aconteça.

- estipular a pena em 19 anos e alguns meses, como a maioria dos juízes costuma fazer, para evitar o segundo julgamento.

3- ainda que, depois de dois julgamentos, os réus venham ser condenados a 60, 70 anos de cadeia, pela crueldade de ter espancado, esganado e atirado a criança de 5 anos, ainda viva, da janela de um sexto andar, só podem cumprir 30, porque a pena máxima no país é de 30 anos.

4- e mais: vão ter direito a esperar em liberdade até que o caso transite em julgado. O que pode demorar ainda alguns anos. (Pimenta das Neves, que matou covardemente a jornalista Sandra Gomide e Jorge Farah, o médico esquartejador, estão se beneficiando dessa regalia)

5- Uma vez presos, as contas para a concessão dos benefícios não serão feitas em cima dos 60, 70 anos a que foram condenados, mas em cima dos 30, máximo considerado pela lei.

6- de modo que, em 5 anos, tendo cumprido 1/6 da pena, seja, 1/6 de 30 anos, os assassinos estarão na rua, livres, leves e loiros!

Mais barato impossível. As leis penais brasileiras são mesmo uma verdadeira mãe para o crime!

Seria muito bom que a população, ao invés dessas tentativas de depredar a casa dos indiciados, canalizasse sua revolta e se manifestasse para exigir a urgente reforma de um código de processo penal que vem garantido a impunidade de toda a sorte de criminosos!

Essa sim, seria uma bela e justa homenagem à menina Isabella!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

fazer sobrancelhas na Índia

Nada de pinças ou ceras. Elas usam esses fio de algodão, que deixam a forma das suas sobrancelhas perfeitas e não causam nenhum dano à pele. Quem experimenta diz que doi um pouco, mas nem vermelho fica!

domingo, 13 de abril de 2008

a menina-deusa



Essa semana todo mundo falou muito da garotinha que nasceu com duas faces, na Índia. A menina -Lali- foi recebida como a reencarnação de uma deusa: o pessoal da aldeia já fala em construir um templo em sua homenagem e muita gente vai vê-la, para ser abençoada por ela.

Tem um aspecto que emociona nisso tudo: é a afetuosidade com que a Índia recebe e acolhe o "diferente". Tem sido um comportamento comum em pais de crianças que nascem com malformações que aqui, no ocidente, costumam ser vistas como aberrações. Como o caso anterior, da menina que nasceu com vários braços e também foi recebida como um avatar do deus Shiva.

Assim como os médicos conseguiram convencer os pais a operar a garotinha de muitos braços, provavelmente, daqui a um tempo, vão conseguir também convencer os pais da pequena Lali a submetê-la a uma operação corretiva. Mas por enquanto eles não querem nem ouvir falar disso. Estão curtindo a filha como ela veio. O pai diz a respeito dos exames:

"Qual a necessidade? Até onde sabemos, ela é como qualquer outra criança. Só queremos aproveitar o tempo que temos com nossa primeira filha, diz o pai

Esta criança é muito especial para nós, diz o avô

Quando se vê algo que não é natural, só pode ser algo de Deus. É tão mágico que acreditamos que ela seja uma deusa, diz um vizinho.

Bonito, não é?

COMPLEMENTO

A Fernanda escreveu esclarecendo que a associação está sendo feita entre a menina e a deusa Gayatri, que tem várias faces.Aqui está ela:

Fiquei curiosa para saber mais e fui ler a respeito. No hinduísmo, Shakti (a energia feminina) está personificada em muitas deusas que são manifestações do aspecto feminino das divindades que compõe a trindade hinduísta: Brahma, Vishnu e Shiva.

Gayatri é o aspecto feminino de Brahma, o criador do mundo e dos homens. Como personificação da energia cósmica em sua forma dinâmica, ela é a força energética com a qual o universo é constantemente criado, destruído e recriado por Bhrama, Vishnu e Shiva.


É tida como a mãe dos Vedas. E dá nome ao mantra mais antigo e mais poderoso (Rig Veda - III, 62:10), que se acredita composto pelo próprio Brahma. Os hindus costumam repetir o mantra Gayatri todos os dias, ao nascer do sol:

Nunca abandonem o Gayatri; vocês podem deixar ou ignorar qualquer outro mantra, mas vocês deveriam recitar o Gayatri pelo menos algumas vezes durante o dia. Ele os protegerá dos perigos onde quer que vocês estejam – viajando, trabalhando ou em casa. Os ocidentais investigaram as vibrações produzidas por este mantra e descobriram que quando ele é recitado com a pronúncia correta, como estabelecido nos Vedas, a atmosfera ao redor torna-se visivelmente iluminada. Assim, o resplendor de Brahma descerá sobre vocês, animará os seus intelectos e iluminará o seu caminho quando este mantra for entoado. Gayatri é a Mãe, a força que anima toda a vida. Portanto, dele não se descuide nunca." (SAI BABA)
Escute o Mantra:

Gayatri Mantra

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Uma hijdra conta sua vida


Eu trouxe da Índia. É a história dolorosa de um eunuco (hijdra) -Mona Ahmed. O livro é composto pelos mails que ele escreveu para a fotógrafa Dayanita Singh, que durante 13 anos acompanhou sua vida, fotografando, através dele, o universo das hijdras. Ahmed estabeleceu com ela um sólido laço de amizade e confiança, e o título do livro é retirado da maneira como assina esses mails: "myself, Mona Ahmed"

"Não somos homens tentando ser mulheres: somos o terceiro sexo" diz Ahmed em um desses mails, sobre a sua condição.

Ele viveu seus últimos anos em absoluta solidão, morando num cemitério em New Delhi, para onde retirou-se ao perder a filha adotiva -Ayesha- que havia criado desde o nascimento.

Ahmed estudou nos melhores colégios, nasceu de família rica, único menino entre muitas irmãs, o preferido do pai, aquele que deveria sucedê-lo à frente dos negócios.

Cedo descobriu que não se identificava com os meninos, e na adolescência, depois das turbulências familiares, provocadas pelo pela impossibilidade do pai de corrigir suas maneiras femininas, é expulso de casa e acaba juntando-se às hijdras.


Seu guru lhe entrega uma récem nascida órfã, e ele dedica-se a ela como verdadeira mãe. O livro é recheado de fotografias que registram as festas de aniversário de Ayesha, os momentos de vida em familia.

Alguns anos depois, o guru considera que o ambiente de Ahmed é prejudicial à menina e leva embora da Índia, nunca mais permitindo que ele a veja.

Cabe explicar a figura do guru: ele é o dirigente do grupo, o responsável pelo gerenciamento do dinheiro que arrecadam, o que dirige as cerimônias e os rituais de castração.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Comerciais na Índia

Os dois comerciais revelam costumes da Índia. No primeiro, a quebra das pulseiras e a retirada dos símbolos da mulher casada, na hora que morre o marido. No seguinte, uma situação de casamento arranjado.




As castas na Índia

A sociedade Índiana se organizou em castas, da mesma forma que os africanos em tribos, que o mundo capitalista em classes, e assim vai. A casta é um sistema de estratificação social hereditário, fundamentado na religião hinduísta. Não tem a ver com a riqueza: o indivíduo nasce e morre dentro de sua casta e a transmite a seus filhos, independente de quantos bens venha a juntar ou dos méritos que venha a acumular.

Para ficar mais claro, numa sociedade de classes, o TER determina a ascenção ou a queda na escala social. A casta não é regida pelo TER, mas pelo SER. Portanto, é imutável, não permite nenhuma mobilidade.

Segundo o hinduismo, a humanidade nasceu de um único Deus -Brahma- mas de diferentes partes de seu corpo. Esse é o critério para classificar as 4 castas básicas:


brâmanes (sacerdotes, professores, sábios) - a casta mais alta, saiu da boca de Brhama
Chatrias (governantes e guerreiros) dos braços de Brahma
Vaisias (comerciantes, artesões ) das pernas de Brahma
Sudras (agricultores, prestadores de serviço) dós pés de Brahma

Já por volta de 1500 AC, o Código de Manu especificava os deveres e limitações de cada casta: com quem poderiam casar, que alimentos lhes era permitido, que ritos deveriam cumprir, que normas obedecer, que trabalhos poderiam realizar.

Os dalits, ou intocáveis, são párias: aqueles que não tem casta, a poeira sob os pés de Brahma. Eles realizam os trabalhos considerados impuros para as outras castas, como a limpeza de excrementos, a lida com os cadáveres, não podem beber água na mesma corrente de água, não lhes é permitido entrar nos templos, nem mesmo tocar, com sua sombra, um indivíduo pertencente a qualquer casta.

Gandhi lutou pela inclusão dos "intocáveis", e ele próprio passou a lavar o seu e outros banheiros, numa atitude simbólica, que tinha por finalidade demonstrar a igualdade entre os homens. Enfrentou muita resistência, inclusive de sua própria esposa. Em sua biografia, ele conta como muitos de seus adeptos abandonaram o santuário que ele havia fundado, quando admitiu um intocável entre eles.

Quando da independência da Índia, em 1947, um intocável, o dr Ambdkar, particiou da redação da nova constituição, que aboliu as castas -da lei, mas não dos costumes. Elas vigoram até hoje, mais fortemente nas regiões rurais, e o governo da Índia tem feito campanhas sistemáticas no sentido de transformar esse quadro, estimulando com prêmios casamentos entre castas e proporcionando aos dalits o direito à educação e ao mercado de trabalho.

Eles ainda têm muita luta pela frente, mas já fizeram conquistas consideráveis: entre outras, a eleição de Mayawati (não tem sobrenome), para governadora do estado de Uttar Pradesh.

sábado, 5 de abril de 2008

País dos contrastes

Na Índia, o que mais impressiona é a convivência do milenar com o extremamente novo. A tensão permanente entre o antigo e o moderno.

Não é à toa que, em hindi, existe uma única palavra para dois significados que, para nós, são opostos: "Kal" quer dizer "ontem". E quer dizer também "amanhã".

É exatamente essa a sensação que a Índia deixa na gente: a de ter entrado numa dimensão diferente, onde o ontem e o amanhã se confundem.

Pois é. A Índia chega ao século XXI como uma potência. Tem um programa nuclear altamente desenvolvido, é referência na área de tecnologia, desenvolvimento de softwares, call centers, é o quarto maior fabricante de medicamentos do mundo e as previsões fundamentadas em seu ritmo de seu crescimento indicam que em 2035 será a terceira maior economia, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Tornou-se também, com sua Bollywood, a maior produtora de filmes do planeta, e é a número 1 em bilheteria, com uma média de 150 milhões de espectadores por semana.

Ao mesmo tempo, é imenso o contingente de miseráveis, o país tem 18 línguas oficiais, e religiões conflitantes.

No campo da Justiça essa complexidade fica explícita na convivência do Direito estatal com o Direito religioso, que tem seus fundamentos no Código de Manu, elaborado por volta de 1500 AC, e que é representada por "assembléias" dentro de cada casta e subcasta.

O sistema de castas, ainda que erradicado pela lei, continua a vigorar nos costumes, e as regras que cada uma delas deve seguir, ainda valem hoje para os seguidores do hinduísmo, como valiam na época de Manu.

No encontro com os brasileiros na Índia, uma das observações mais constantes foi a necessidade de se ter, em casa, vários empregados: aquele que é responsável pela arrumação, por exemplo, se recusa a lavar o banheiro, porque isto é função de um "intocável".

Recentemente, uma das maiores estrelas de Bollywood, Aishwarya Bachchan, casou-se com uma árvore, depois que o astrólogo previu que seu primeiro casamento não seria bem sucedido. Assim, liberta do mau agouro, pôde casar-se tranquilamente com o noivo!

Increadible India!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Cumprimentos na Índia

O mais usual é unir as mãos assim, como na foto e dizer Namasté, ou Namaskar. 

Beijinhos e abraços não são comuns, nem mesmo entre mulheres. Entre homem e mulher então, nem pensar: é tido como muito impróprio!

Da mesma forma que os árabes, os homens indianos costumam andar de mãos dadas ou abraçados na rua, e isso significa amizade. 

Já os casais não devem se abraçar nem dar as mãos em público. Muito menos diante da família. Qualquer aproximação física entre homem e mulher deve acontecer entre quatro paredes.

Ao cumprimentar uma pessoa mais velha, a pessoa deve curvar-se e tocar-lhe os pés, em sinal de respeito pelos caminhos que trilhou. Enquanto levanta, toca a mão no coração e depois na testa, fazendo, de maneira invertida, o gesto que conhecemos como se benzer.

Comentei isso com Shivani, nossa guia em Mumbai, explicando que, entre nós, a mão tocava primeiro a testa, depois o coração. E ela afirmou que não era correto, porque se você começa tocando a testa e abaixa a mão, está cortando a energia, e não liberando-a. 

Os indianos são muito atentos a tudo o que diz respeito à energia.

brasileiros em Delhi

No restaurante, com Juliana, Deva, Patricia e Bianca. Nos conhecemos pelo Orkut, na comunidade Brasileiros na Índia. A Juliana, primeira à esquerda, apaixonou-se por um indiano pela internet e está casada com ele. É claro que ela ainda estranha muita coisa, mas, de modo geral, está bem adaptada à vida indiana. Deva se dedica ao comércio. Sua base é o Japão. A de branco, Patrícia, faz doutorado em Delhi. Tenho contado muito com todas elas para entender as dores e as delícias de uma brasileira na Índia!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Médicos de todo o Rio: uni-vos!!!!!

Dengue? ainda? de novo?????
A nova epidemia é o retrato do descaso absoluto do poder público e do estado lastimável a que chegou a saúde no Rio de Janeiro!

É terrível acompanhar o desespero dos pais com as crianças no colo, correndo de hospital em hospital, sem médicos em número suficiente para atendê-las, sem leitos para interná-las!

É terrível assistir, todos os dias, o enterro de crianças que poderiam ser salvas com tão pouco: um diagnóstico, uma internação para o contrôle de plaquetas e soro!

Bonita a atitude daquele anestesista que saiu de casa no dia da sua folga para atender os doentes no corredor do hospital. Queria postar a fotografia dele aqui, mas não encontrei nenhuma na internet. Muito menos uma matéria que dissesse seu nome.

O gesto de solidariedade deveria ser imitado pelos médicos que atuam em clínicas e consultórios particulares. Muitas mortes seriam evitadas se todos eles doassem um pouco do seu tempo para socorrer esses pais, essas crianças!

O abandono dos hospitais, o descaso com o salário dos médicos, a falta de prevenção a uma doença que já poderia estar inteiramente erradicada, tudo isso a gente discute durante! prioridade agora é salvar a vida dessas crianças que poderiam ser filhas, netas ou bisnetas de qualquer um de nós!

segunda-feira, 31 de março de 2008

o dote - leis e costumes


Apesar de proibida por lei, a instituição do dote permanece na Índia e continua promovendo assassinatos e infanticídios, quase todos os dias estampados nos jornais,

O dote é um peso, uma preocupação constante para os pais de meninas: sabem que, sem ele, as filhas provavelmente ficarão solteiras e, na melhor das hipóteses, submetidas a um casamento desigual, onde é comum que venham a ser maltratadas e humilhadas pela nova família.

Conheci um motorista que tem 3 filhas pequenas. Está tentando a vida em Dubai. Ganha muito pouco para o padrão da cidade e, como estrangeiro, nao tem direito a nenhum benefício -plano de saúde, por exemplo. A maior parte do salário ele manda para a India, onde deixou mulher e filhas. Do que resta, deposita religiosamente uma quantia na conta que abriu para juntar o dinheiro do dote das meninas. Sobrevive com a sobra.

As filhas significam sacrifícios financeiros e podem desestruturar a estabilidade econômica de uma família. Por isso, o nascimento de meninas não costuma ser bem-vindo. É grande o número de infanticídio, e as grávidas não podem fazer exame de ultra som:  é proibido, para evitar abortos.

São muitos os casos de mulheres assassinadas por seus maridos ou pela familia dele, porque a exigência do dote não tenha sido cumprida satisfatoriamente. Ou porque o marido, mesmo recebendo o estipulado, tem a perspectiva de um novo casamento, com um dote maior.

O meio mais comum de se livrar de uma esposa tem sido incendia-la junto ao fogão e registrar o caso como acidente doméstico.

Uma curiosidade: aqui no Brasil, ainda que ignorado pelos costumes, o dote vigorou no código civil até 2003.  Encontrei o texto da lei no blog da Sandra Bose.  

brasileiros em Mumbai


Paulo Antonio Pinto, nosso consul em Mumbai, organizou esse encontro. Foi uma tarde e tanto, em companhia desses brasileiros que estão morando lá.

Algumas das mulheres estão casadas com indianos, outras acompanham os maridos que estão lá a trabalho, outras, ainda, chegaram por conta própria e encontraram, na velha India, um sentido de vida. 

Um dos rapazes conseguiu um feito: casar-se com uma indiana. Por força das tradições e dos costumes, é muito difícil encontrar um casal em que o marido seja estrangeiro. Outro foi para a Índia ver a avó, uma psicóloga que vive em Mumbai desde a década de 70, e gostou tanto que foi ficando por lá.

Não é fácil adaptar-se a uma cultura tão diferente. Mas a Índia tem muitos encantos, que os brasileiros de lá sabem valorizar.

Também estivemos com brasileiros em Delhi: a Sandra Bose, a Juliana, a Patricia. As fotos de Delhi estão na máquina da Bianca. Quando ela mandar eu posto aqui pra vocês.

E esta é a vista de Mumbai. fotografada da janela do nosso consulado.