quinta-feira, 13 de março de 2008

amor, casamento e dotes


Mais de 90% dos casamentos na Índia são "arranjados", combinados entre as famílias. A escolha dos pais costuma passar ainda pelo crivo do astrólogo, que é consultado para dizer se há ou não compatibilidade entre os noivos.

O Times traz um caderno inteirinho com anúncios matrimoniais, e também existem páginas na internet, onde a apresentação dos candidatos ao matrimônio é feita geralmente pelo pai ou pela mãe.

Algumas dessas páginas apresentam uma espécie de ficha padronizada, que trazem todas as informações relevantes à escolha do cônjuge: a que casta pertence, a que religião, peso, altura, ocupação, grau de instrução, línguas que domina, hora que nasceu, se exige a opinião do astrólogo, etc etc etc.

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Mas não se pense que o amor esteja dispensado: é que o amor, na cultura indiana, é uma construção a longo prazo. Um filme muito bonito, que mostra como esse sentimento vai se tecendo ao longo dos anos, é Namesake, de Mira Nair. Vale a pena assistir

De qualquer modo, venha ou não venha a acontecer o amor, os casamentos costumam ser para a vida inteira, e o fracasso deles é um estigma.

Um grande complicador é o dote: custa caro demais casar uma filha, e é por isso que o nascimento de meninas não é muito bem-vindo. E mais:
os dotes tem atraído a cobiça de muito malandro.Vejam o que conta a Sandra Bose:

Cerca de 30 mil mulheres indianas, segundo uma estimativa governamental (os especialistas dizem que o número verdadeiro é provavelmente bem maior), são atraídas todos os anos para casamentos fraudulentos por maridos que vivem no exterior.

Isso é parte de um problema crescente na Índia, onde o aumento da prosperidade está fazendo aumentar aquilo que muitos aqui chamam, meio em tom de piada, de "complexo industrial casamenteiro", à medida que os custos dos casamentos e dos dotes fornecidos pelas famílias das noivas sobem sem parar.

Segundo os analistas, a "inflação" dos dotes está criando um incentivo para as fraudes. Nas cidades mais prósperas da Índia, não é incomum que os noivos recebam dotes de cerca de US$ 100 mil. Alguns dotes chegam a alcançar a cifra de US$ 500 mil em dinheiro, ouro, diamantes e propriedades.

Os dotes são proibidos na Índia por uma lei de 1961 que raramente é aplicada. Na verdade, os pais muitas vezes pegam empréstimos em bancos para ajudar a pagar o casamento suntuoso das filhas, que geralmente é visto como um acontecimento da mais alta importância.

Na ânsia de casar as filhas com indianos que trabalham no exterior, as famílias ignoram com freqüência um protocolo muito importante do casamento: a investigação da vida do noivo.

12 comentários:

Gu disse...

Uau! Já visualizei tudo!

ana disse...

Oi Gloria,
Que loucura !!!
Diante disso imagino q traicoes nao sejam incomuns... E qdo elas sao 'descobertas' ?? Ha muitos crimes passionais ??
Um beijo enorme,
Ana.

Paulianne disse...

Oi, Gloria. Parabéns pelo blog. Não sabia que você tinha um blogspot e foi uma grata surpresa encontrar esse espaço. Sou sua fã.

Moro nos EUA e estive na Índia a trabalho por duas vezes (a cia para a qual eu trabalho terceiriza a mão-de-obra no país) e fiquei encantada. Os indianos são super amigáveis e valorizam muito as coisas de seu país. Tenho certeza que você saberá mostrar a Índia com muita sensibilidade em seu próximo trabalho. Se estiver de viagem marcada, aconselho a levar lencinhos umedecidos para o calor e quaisquer remedinhos que sejam de seu costume como tylenol, remédio para diarréia, enjôos e etc, além de uns chocolatinhos e barrinhas de energia.

Um grande beijo,
Pauli.

Mel disse...

Casamentos indianos sao lindos e na maioria das vezes os casamentos que sao arranjados sao felizes sim,a noiva e o oivo ficam muito ansiosos pra se conhecerem logoe ja se amam antes de ver o rosto um dos outros,eu acho lindoooooooooo

carina disse...

Olá Gloria,

O interessante nesse universo dos casamentos arranjados é que as moças indianas sonham com o príncipe encantado que a mãe vai escolher para elas...a grande maioria não possui outro padrão de desejo ou sonho...
pela experiencia que tenho, a maioria dos casamentos indianos são felizes...e o que vale é "esse é o marido escolhido para mim nesta vida, e com ele terei de viver feliz"...uma aceitação que acaba traçando o caminho da própria felicidade do casal e estimula a tolerância.

Um grande abraço!
Carina

BRASIL DE PAZ. disse...

Viva as diferenças culturais.
Paulo Ascenção

Leila disse...

logo que vim morar em Londres, trabalhei em dois casamentos indianos e realmente é cheio de rituais. Ambas as festas foram feitas em hoteis 5 estrelas com uma decoracao impecavel, cheio de pompas mas nunca vou esquecer que ao centro de cada mesa com velas, flores e prataria, tinha uma garrafa pet de coca cola 2 litros!!!

barroso474 disse...

Gloria, Quando me casei com o Vijay, ele já havia se casado 3 vezes em casamentos arranjados. Eu fui a quarta esposa. Nunca tivera filhos, e pra cada casamento teve uma explicação coerente (unilateral) para justificar o fracasso. Ele é um esteriótipo a ser estudado... foi criado em Londres onde foi DJ e adorava aquele jogo indiano... esqueci-me o nome. Formou-se em engenharia e mudou-se para o Canada. Trabalhando na industria de telecomunicações foi para os Estados Unidos, onde nos casamos e nasceu nosso filho. Vijay tem muitos talentos, é um indiano especial. Exímio tenista, adora golfe, desenha retratos em grafite que você não acredita! Fotógrafo! E engenheiro de telecomunicações. A fotografia na India tem um valor significativo na memória das famílias (mas esse já é outro assunto). Na qustão do casamento, vale pesquisar o comportamento das sogras sobre as noras. Há um livro muito interessante, que se eu tivesse lido na íntegra, não teria me casado: A thousand mutinees in India. A descrição do relacionamento da familia do marido com a nora é de sofrimento para purificação. Acredito que a dramaturgia poderá explorar muito bem a perversidade da cultura, embora somente as belezas têm sido exaltadas no blog. Espero que a novela mostre algo além dos personagens indianos falando e balançando a cabeça como se uma mola estivesse instalada no pescoço... rs rs rs e acrescentando "tché" no final de cada frase... Desculpe-me a zombaria, sinto-me à vontade pois acredito que você vai explorar o outro lado da cultura. Amo e respeito todos os costumes indus, pois meu filho é meio indiano e quero que ele se orgulhe da raça que carrega consigo. Mas reitero que há muito a ser explorado no que tange a culinária e o significado de cada prato em conformidade com a estação da lua, o calendário indu, a penitência e o jejum. O conceito de jejum indiano é diferente do que conhecemos no Brasil. O sacrifício, a purificação do corpo e da alma, ser vegetariano... são tantas nuances diferentes do que a gente conhece! A mulher tem que saber fazer chappati perfeitamente redonda e macia (pão artesanal a base de água e farinha- base da alimentação indiana). Aprendi a fazer esses pratos, minha sogra me treinou para ser uma boa esposa indu. Quantos detalhes... Servir água ao visitante assim que chega na casa, com ar de submissão, e retirar-se da sala, como se não existisse ali... como isso deixava meu sogro orgulhoso de si mesmo! Olhava para o visitante com um orgulho de quem tinha a casa em ordem! São muitas memórias que gostaria de compartilhar... Coloco-me à disposição. Não sou boa em descrever situações ou sentimentos. E além do mais, você está numa pesquisa densa e profunda, indo aos lugares onde tudo acontece no mundo oriental. Minha experiência se limita ao seio familiar da casta Gujarati. Minha historia (ou a historia do meu ex-marido) daria uma novela inteira por si só... rs rs rs Beijo, querida, continue postando belas mensagens. Ana Paula Barroso.

Meeta disse...

Olá Glória
Sou Meeta Ravindra, cantora indiana, nascida em Sevagram, aldeia fundada por Mahatma Gandhi. Estou no Brasil há 30 anos, falo português, aprendi vendo TV mas, não escrevo assim, minha amiga está fazendo isso por mim. Jamais deixo de ter contato com meu país, viajo todo final de ano para a Índia para visitar meus familiares, fazer apresentações e para gravar meus CDs. Dentre os meus 14 CDs, gravei um CD de fusão musical Índia-Brasil onde canto música brasileira com arranjos indianos. O Gilberto Gil quando ouviu sua música “Seu quiser falar com Deus” e “Asa Branca” do Luiz Gonzaga disse que elas viraram um mantra na minha voz. Fiquei muito lisonjeada quando ele me disse issoDou aulas de hindi (língua nacional da Índia) e também de culinária indiana (no programa da GNT “Mesa para Dois” com Alex Atala e Flávia Quaresma ensinei fazer o “chapati” pão indiano). Fundei no Brasil o Meeta Ravindra Instituto Cultural Índia-Brasil com o objetivo de divulgar a cultura do meu país e de realizar o intercâmbio entre Índia-Brasil. Possuo um templo indiano onde realizo cerimônias védicas: de casamento, de nascimento, nas datas comemorativas dos festivais hindu, etc.
Quando soube que você ia escrever uma novela sobre meu país fiquei muito feliz. Aprecio muito seu trabalho, a autenticidade que você coloca nele. Você não imagina como me faz feliz saber o quanto o povo brasileiro respeita e tem carinho pela Índia. O fato de sua novela estar passando num canal de TV da Índia é uma oportunidade da Índia também vir a conhecer um pouco do Brasil e de nos fazer mais próximos. Nada acontece ao acaso, foi sua a primeira novela a passar na Índia e é você a primeira autora de novelas a escrever sobre a Índia. Já estava escrito.
Coloco-me à sua disposição como colaboradora na realização desta sua nova novela, que com certeza será mais uma dos seus maravilhosos trabalhos.
Meu contato: meeta_ravindra@hotmail.com
meeta@ig.com
www.meetaravindra.com
(11) 4339-2134 / 4339-1859

Om Shanti!

Mariana disse...

Os indianos, pelo menos os mais humildes, também se costumam casar muitos jovens, com cerca de 16 anos. Eles acreditam que as pessoas casando-se cedo, crescem juntos e aprendem-se a conhecer muito bem. Uma tentativa de criar amor ágape e respeito!

Nara Freire disse...

hahaha...bom, eu acho que o meu indiano deve me amar mesmo...afinal, se vier com papo de dote, já sabe o que vai ganhar!!!

E já disse pra ele que já podemos ir mostrando nossas facetas e derrubando as máscaras, afinal, não quero ter nenhuma surpresinha depois de casada!!!Caso me decida, né!!!

O coitado as vezes se assusta comigo, mas acho que até gosta!!!

Beijos de Luz...

Om Sai Ram!

Glaucia disse...

Gostaria de deixar minha satisfação em ver Raj e Maya juntos, desejo que este matrimônio prospere muito e que eles fiquem juntos, apaixonados e felizes até o final, apesar das diversidades que vem pela frente.