quinta-feira, 31 de julho de 2008

No Call Center


Vocês sabiam que quando ligam para os Estados Unidos para falar com um banco, marcar consultas médicas e vai por aí, geralmente estão sendo atendidos na Índia, ou em algum país do oriente? é a globalizaçao! Mas disso a gente fala outro dia.

Hoje quero dividir com vocês o mail que a Giovana acaba de mandar. Para quem esqueceu, a Gio faz parte de minha equipe de pesquisadoras. É jornalista, de São Bernardo do Campo, uma figuraça!

Gloria,
fomos a empresa de telemarketing (eu, Juliana Paes, Cacau Melho e Fernanda Kadlec), a (...). Foi ótimo! Aprendemos muito, Juliana ouviu um atendimento, conhecemos operadores, falamos sobre os dramas pessoais, romances, cantadas, truques! (...) Saímos de lá mais de meia-noite!!!
Envio em anexo uma foto do pessoal que nos atendeu por lá com as atrizes.

Aliás...vc sabia que meu primeiro emprego na vida foi como operadora de telemarketing??? Hohohoho

Beijos!

Gio

E eu que não sabia disso! Já viram que a Gio vai ter muito o que me ensinar!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cricket: uma paixão indiana!

Herança dos tempos coloniais, o cricket, como o polo, é uma paixão nacional: nas ruas, nas praias, nas praças, por todo o canto encontramos crianças com seus tacos improvisados, curtindo o jogo.

COMPLEMENTANDO

A Mel manda pra gente o último comercial da NIKE na Índia, todo ele em cima dessa paixão do indiano pelo cricket. Vejam:



Não resisto a acrescentar um comentário: vejam a sutileza do comercial. Eles simplesmente associaram a NIKE a uma paixão nacional, sem necessidade de closes na marca, no tênis, como é usual entre nós. Segundo nos informa a Mel, o efeito foi imediato: o comercial virou uma febre em toda a Índia.

sábado, 26 de julho de 2008

Masculino/Feminino

Essa imagem do deus Shiva revela uma concepção do hinduísmo bem estranha ao pensamento ocidental: ele é, ao mesmo tempo, masculino e feminino. Como todos os deuses da Índia.

Para o hinduísmo, é da união cósmica entre o princípio masculino e a força sakti (feminino), que nasce tudo o que existe. De modo que nunca se pode dissociar um do outro.

Shiva é uma das manifestações de Brahma, na trindade hinduísta: Brahma cria o universo, como Vishnu o conserva, como Shiva o movimenta e destrói, para que nasça de novo.

Em Shiva, o bem e o mal, a luz e a escuridão, todos os opostos, se encontram e conciliam. Portanto, Sua representação feminina é Parvati (a mãe), que tem em Kali sua face destruidora.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Dubai: a arquitetura do futuro

Olhem só a ousadia de Dubai, onde vão estar passeando algumas das nossas personagens: essa torre é projeto de um arquiteto italiano, vai ter 420 metros de altura e fica pronta por volta de 2010!

Que beleza o contraste desse cenário futurista com a Índia milenar, não é?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Momento Saudade


Sete anos que meu pai foi embora. É dia de lembrar as macarronadas dos domingos, as noites em volta da mesa, quando ele tomava seu vinho (era louco por vinhos), falando de literatura, música, e recitando sonetos.

Ele nasceu no Acre, filho de dois imigrantes: minha vó Maria, uma napolitana que ficou viúva em Nova York e chegou ao Acre com os filhos desse primeiro casamento para juntar-se à mãe, que sei lá porque razão, tinha ido parar naquelas lonjuras deixando o resto da família em São Paulo, onde tinham aberto uma fábrica de macarrão no começo do século. E de meu vô Giuseppe, operário mecânico de San Marco Argentano, que imigrou para São Paulo e de lá fugiu, numa daquelas perseguições aos anarquistas. Vovô era anarquista juramentado. Um dia conto as histórias dele aqui. No Acre, os dois se encontraram, casaram, e aqui estou eu!

A vida era dura. Vovô trabalhava em seu ofício e minha avó fazia flores lindas para casamentos, coroas de mortos e procissões de igreja. Foi com essas encomendas que ela conseguiu mandar meu pai para Belém, onde ele se formou com o diploma que atormentava a mim e a meu irmão Saulo, porque devia servir de parâmetro para as nossas performances escolares: nota 10! Até que fomos ótimos alunos, mas não chegamos a tanto!

Ele morou em São Paulo muitos anos, foi juiz federal lá, antes de ser ministro do STR e do STJ. Adorava São Paulo, tinha São Paulo como a segunda terra -depois de Rio Branco, claro. Hoje ele dá nome ao Forum Social da 3a Região, ali no bairro da Liberdade. Sempre que vou a São Paulo eu passo por lá, para lembrar dele.

Saudade boa, pai!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Escrevendo novelas: a pesquisa

Tudo começa aqui, na pesquisa. Pelo menos para mim. Meu método é antropológico: se a novela vai retratar um universo, vou até ele, conhecer, sentir, conviver, sem intermediação de terceiros. Assim é com todos os temas que venham a ser abordados.

Depois desse primeiro momento, quando começo a escrever capítulos, o trabalho é levado adiante pelas pesquisadoras. Cada uma delas fica responsável por um dos temas, e segue mantendo contato com os grupos retratados.

Eu não tenho colaboradores, mas não saberia trabalhar sem minha equipe de pesquisadoras. Aí estão elas: Giovana Manfredi, Bianca Medeiros e Sandra Regina.

Uma coisa que considero essencial é aproximar os atores do universo que vão representar. Hoje foi dia de levar o Bruno Gagliasso no CPRJ, onde ele curtiu o ensaio da banda Harmonia Enlouquece, fez amizades e ouviu experiências fundamentais para a composição de sua personagem.



domingo, 20 de julho de 2008

Domingo com Caetano

sábado, 19 de julho de 2008

Celebrando Dercy!

Que vida bonita: 101 anos de lucidez, alegria, irreverência! Dercy bateu em preconceitos e desmascarou hipocrisias, enquanto fazia a gente rir. Mostrou que é possível ser séria sem perder o bom humor, e envelhecer sem perder o viço!
Viva Dercy!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O pai de Maya

Osmar Prado vive MANU, um comerciante espertíssimo, pai da protagonista MAYA

Visitando o Nise da Silveira

Ontem passamos a tarde no Engenho de Dentro, conhecendo o trabalho do pessoal do Nise da Silveira, visitando as moradias assistidas e curtindo o ensaio da banda Sistema Nervoso Alterado. Na foto acima, a sala da minha prima Sonia, psicóloga do Nise e idealizadora do projeto de papelaria.
Estamos na sala de informática, onde os usuários desenvolvem projetos e oferecem cursos. Pena que não dá para ver os computadores novos, todos comprados com a renda dos shows do projeto "Loucos por Música".

Tem gente muito talentosa aqui dentro: contistas, ilustradores. Esperem só pra ver o trabalho deles em Caminho das Índias!
Aqui, eu, Giovana Manfredi, e Aninha Lima, que vai fazer uma psicóloga na novela, sendo recebidas, com muito carinho e alegria, pelos internos do Nise.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Chanti vai aprontar!

Carolina Oliveira vive Chanti, em Caminho das Índias: uma adolescente indiana sendo preparada para o casamento e para fazer bonito na convivência com a família do futuro marido.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Choque de culturas

Ísis Valverde vive a brasileira que se apaixona e casa com o indiano interpretado pelo Caio Blat, em Caminho das Índias.

domingo, 13 de julho de 2008

Tempos de Kalyuga

Para o hinduísmo o tempo é cíclico, e o universo está constantemente se destruindo e reconstruindo. Cada uma dessas fases equivale a uma qualidade do deus Brahma: como Brahma ele cria o universo, como Vishnu o preserva, e como Shiva (em sua versão feminina, Kali), o destroi, para que possa ser reconstruído de novo

Na primeira idade (Krta Yuga) predomina a harmonia, a virtude e a perfeição: a ordem moral firma-se durante esse perídodo sobre as quatro pernas, como uma vaca sagrada.

Na Tetrã Yuga, a ordem moral começa a enfraquecer, e está sustentada apenas por três pernas

Na Dvãpara Yuga, a vaca da ordem ética sustenta-se apenas sobre duas pernas: a perfeição da ordem espiritual não rege mais a vida dos homens, predominam as paixões e a avidez pelos bens terrenos

E finalmente, a Kalyuga, a fase que vivemos hoje, que é a idade das trevas, os tempos da destruição. Encontrei aqui, na internet, algumas citações que descrevem esse período:

Matam-se os fetos e os heróis. Os serviçais querem assumir papéis intelectuais, os intelectuais, o dos serviçais. Os ladrões tornam-se reis e os reis, ladrões. As mulheres virtuosas são raras. A promiscuidade propaga-se. A estabilidade e o equilíbrio das castas e das idades da vida desaparecem. A terra não produz quase nada em certos lugares e muito em outros. Os poderosos apropriam-se do bem público e deixam de proteger o povo".

"Ninguém viverá mais a duração normal da vida, que é de cem anos. Os ritos perecerão nas mãos de homens sem virtudes. Pessoas praticando ritos transviados espalhar-se-ão por toda parte. Pessoas não qualificadas estudarão os textos sagrados e tornar-se-ão supostos peritos. Os homens matar-se-ão uns aos outros e matarão também as crianças, as mulheres e as vacas. Os sábios serão condenados à morte".

"Os homens concentrarão os seus interesses na aquisição, mesmo que seja desonesta, da riqueza. A riqueza substituirá vantajosamente a nobreza de origem, a virtude, o mérito".

Quando os ritos ensinados pelos textos tradicionais e as instituições estabelecidas pela lei estiverem prestes a desaparecer e estiver próximo o termo da idade obscura, uma parte do ser divino existente pela sua própria natureza espiritual segundo o caráter de Brahman, que é o princípio e o fim... descerá sobre a terra... Sobre a terra, restabelecerá a justiça: e as mentes dos que estiverem vivos no fim da idade obscura despertarão e adquirirão uma transparência cristalina. Os homens assim transformados sob a influência desta época especial constituirão quase uma semente de seres humanos e darão o nascimento a uma raça que seguirá as leis da idade primordial (krta yuga)".

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Harmonia Enlouquece

Eu e a Giovana Manfredi, minha pesquisadora, passamos a tarde na Universidade Veiga de Almeida, ali na Tijuca, curtindo a apresentação do Harmonia Enlouquece. Aí está o Hamilton, vocalista do grupo, numa performance que arrebatou a platéia.


A próxima banda a se apresentar vai ser o Sistema Nervoso Alterado

Querem uma provinha?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Loucos por Música

Pois é.Dessa vez a campanha da novela vai ser pelo pessoal da saúde mental. Uma homenagem ao belo trabalho da dra. Nize da Silveira e de seus seguidores, empenhados em quebrar os preconceitos milenares que cercam a loucura, e em reintegrar, sempre que possível, os portadores desses "estágios diferentes do ser" ao convívio social.

As fotos foram tiradas nos camarins do Canecão, onde a banda Cancioneiros do IPUB se apresentou. Bruno Gagliasso, que vai fazer a personagem TARSO, portador de esquizofrenia e carro-chefe da campanha, estava lá. O que veste a camiseta do Loucos por Música é o Hamilton, vocalista e compositor do grupo Harmonia enlouquece

Eles todos também estão com a gente, à Caminho das Índias!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Aqui estão eles: os nossos protagonistas


Se o Marcio vier mesmo para a Globo, ninguém tasca, eu vi primeiro!

Adivinhem quem vem para estrelar????

Ele será BAHUAN, o "intocável" que vive um amor proibido com MAYA (Juliana Paes), moça de casta alta, que também será disputada por RAJ (Rodrigo Lombardi).

Vamos guardando as surprêsas de Caminho das Índias para ir contando aos poucos! só vou adiantar que ele é alguém que eu sempre quis ter no meu elenco. Até que enfim nos encontramos!

E se você não sabe o que é um "intocável" , leia nos links abaixo sobre o sistema de castas na Índia, para fazer idéia de quantas dificuldades e empecilhos esperam por MAYA e BAHUAN:

As castas na Índia


Dr Ambedkar, o pai dos intocáveis

terça-feira, 8 de julho de 2008

e nós? não vamos reagir?

Mais um pai em desespero, enterrando um filho. Agora uma criança de 3 anos, fuzilada por policiais que "confundiram" o carro onde ele ia, com a mãe e um irmãozinho, com o carro dos bandidos que perseguiam!

Semana passada quem estava na primeira página era Daniela Duque, mãe do rapaz assassinado por um PM que fazia a segurança do filho de uma promotora.

Semana retrasada eram as mães do morro da Providência, que tiveram os filhos entregues por soldados do exército brasileiro a traficantes.

Sem falar nas dezenas de outros assassinatos do gênero, que nem sequer chegam ao noticiário!

Logo, outro crime, tão pavoroso quanto, estará substituindo a morte do menino João Roberto nas manchetes do jornais. As autoridades virão a público, dirão frases de efeito, a população anestesiada vai demonstrar sua indignação nas mesas de bar, em roda de íntimos, e tudo continuará como antes no quartel d'Abrantes!

A verdade é que perdemos a capacidade de nos indignar! de reagir!

E nesses tempos ferozes, nada melhor que lembrar a doce figura do profeta Gentileza, aquela personagem bíblica que vagava pela cidade, distribuindo flores e pregando o amor como remédio para todos os males: "gentileza gera gentileza", ensinava o profeta.

Será mesmo que o louco era ele?



sábado, 5 de julho de 2008

Tony Ramos a Caminho das Índias!

O convite para viver um indiano orgulhoso, ferrenho defensor do sistema de castas, instigou o Tony, e ele estará conosco nessa viagem mística e mágica pela velha Índia. Acabamos de nos falar por telefone:

"Não tenhamos medo: mergulhemos! - ele disse, animado!

Eu também só acredito assim, Tony: mergulhemos!

Rodrigo Lombardi: preparação intensiva

Essa semana Rodrigo Lombardi começa a se reparar intensivamente para viver RAJ, o protagonista de Caminho das Índias. E vai ser matriculado numa aula de polo. Já perguntei a ele se sabe montar a cavalo: não é nenhum especialista, mas sabe. É um bom começo!

Como todo indiano, RAJ é louco pelo jogo de polo, paixão que a Índia herdou dos tempos coloniais, quando esteve sob o domínio da Inglaterra. E é assim que vocês o verão na telinha a partir de janeiro: disputando partidas desse belíssimo jogo:

quinta-feira, 3 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Os protagonistas de Caminho das Índias


Aí estão eles: Juliana Paes e Rodrigo Lombardi.

Agora eles começam a se preparar para o mergulho nessa cultura tão complexa e diferente da nossa: vão se ambientar com os figurinos, os costumes, aprender as danças, a prosódia, os mantras, os rituais, tudo o que compõe esse universo mágico, místico e colorido que estamos trazendo para a telinha a partir desse próximo janeiro.

domingo, 29 de junho de 2008

dica de domingo: o brechó da Denise

Essa bolsa linda veio lá de Estocolmo. Arte da Denise Arcoverde, uma pernambucana arretada que fez no seu blog um brechó onde a gente pode encontrar de tudo um pouco: bolsas, brincos, pulseiras, relicários, caixinhas, tudo lindo e de um bom gosto incrível! Virei cliente cativa. Vale a pena conferir. Clique AQUI.

A foto foi tirada lá no PROJAC: eu, Humberto e a bolsa que ele adorou e veio ver de perto.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Ju, a "Caminho das Índias"


Juliana Paes acabou de aprender com Shivani como se veste um sari.
Shivani é indiana de Mumbai, e veio passar uns dias de férias no Brasil.

MAIS FOTOS

Shivani e Humberto Martins, também a Caminho das Índias. Na outra foto, Íris, que ensina prosódia aos atores, treinando a pronúncia indiana com Shivani, Janita e Aditi.

Riquixás


Herança e tradição dos tempos coloniais, os riquixás puxados assim, pela força humana, estão acabando na Índia. Proibidos pelo governo, hoje eles só existem em Calcutá, e ainda são considerados o meio mais eficiente de enfrentar o trânsito e as ruas estreitas da cidade.

Eu não conseguiria andar neles, mas fico pensando se, com a proibição, existe algum projeto para absorver essa mão de obra que, afinal de contas, não sabe fazer outra coisa!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Nas praias de Goa

são abusadas essas vaquinhas da Índia! vejam que graça!


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Obama em versão Bollywood

O que não falta, na internet, são videos engraçados brincando com as eleições norte-americanas. Esse aqui mostra uma versão indiana da campanha de Obama. Bem Bollywood!

Só nao dá pra imaginar o que ele está cantando! quem sabe alguém que fale hindi por aqui traduza pra gente?

domingo, 15 de junho de 2008

para sempre Jamelão

Jamelão foi sempre uma paixão explícita. Tenho todos os discos dele no meu IPOD. O vozeirão que enchia a avenida, na passagem da Mangueira, animava a gafieira e o circo Voador, com aqueles sambas dor-de-cotovelo, não vai se calar nunca no sentimento da gente.

Dancei muito ao som de Jamelão, cantando ao vivo, com a orquestra do Severino Araújo. Como todo mundo, tinha medo do seu célebre mau humor, e tremi na noite em que uma fotógrafa, se não me engano a Cristina Granato, surpreendeu sugerindo que tirássemos uma foto. Esperei uma resposta daquelas que ele costumava dar nessas ocasiões -bem atravessada. Mas não. Para minha surprêsa, ele se levantou, tirou a foto, deixou que eu lhe desse um beijinho e até me deu outro de volta.

Essa reportagem foi feita em homenagem aos seus 90 anos. Esse era Jamelão!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Manu, o Adão do hinduísmo... e o Noé também!


O mito védico é aquele mesmo, contado pela Bíblia: houve um tempo em que a humanidade andou tão degenerada, que o senhor Brahma resolveu acabar com o mundo.

Então, Vishnu, (que mantém a ordem do universo e socorre a humanidade sempre que ela precisa de ajuda), encarnou em um peixe, e quando Manu foi banhar-se no rio, mandou que ele construisse um barco bem grande, e embarcasse nele um casal de cada espécie de animal existente, os sete sábios e os livros sagrados dos vedas, porque só haveriam de sobreviver aqueles que estivessem na arca.

Manu obedeceu. E Brahma mandou o dilúvio, que durou 40 dias e 40 noites. Quando parou de chover, ele ancorou a arca em Tharim, no norte da Índia. Ali soltou os animais, e fez oferendas aos deuses. Do leite e da manteiga das oferendas, nasceu a primeira mulher.

Por isso, Manu é tido, no hinduísmo, como o pai da humanidade.

o banho do elefantinho

olhem o que eu achei no You Tube: na Índia, um grupo de brasileiros ajudando a dar banho no baby elefante. Os bichinhos gostam da água!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

o Cartoon revolucionando costumes

O cartunista Sharad Sharma se deu conta de que cerca de 60% da populaçao indiana estava fora da mídia e sem acesso a ela, devido ao grande o índice de analfabetismo.Sem contar com o fato de que a Índia é um país onde as diferenças regionais são muito acentuadas, existem 18 línguas oficiais e, além disso, a população de cada uma dessas regiões tem costumes muito próprios.

Sharma encontrou a forma ideal de comunicação com esse imenso contingente de excluídos da mídia, através das histórias em quadrinho. Seus cartoons, retratando as particularidades de cada região, tem levado as sociedades locais a debater e a repensar questões como preconceitos, violência doméstica, limitações impostas às mulheres, corrupção, etc, etc. E promovido mudanças de atitudes e de posturas.

O projeto é bonito: Sharma circula por toda a Índia formando cartunistas locais, que através dos desenhos, levantam debates e reinvindicam melhorias para a comunidade.

E a revolução dos quadrinhos não se restringe à Índia. Já chegou também no Brasil. Na foto, os alunos da oficina "Quadrinhos e Ação Social", que ele ministrou em Fortaleza. A oficina foi resultado da parceria entre Comunicação e Cultura, Ashoka Brasil e Oficina de Quadrinhos da UFC.

India Fashion

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Casamento de crianças

Ghandi, que foi casado criança, lutou muito contra a prática do casamento infantil. Nas regiões mais tradicionais da Índia, mesmo proibido por lei, ele continua a vigorar nos costumes.

Depois da cerimônia os noivos voltam para suas casas, e as famílias promovem encontros periódicos entre eles, para que cresçam se habituando um ao outro.

terça-feira, 3 de junho de 2008

O Clone na Rússia

para lembrar quem estava na viagem

essa foi mandada pelo Elson:


domingo, 1 de junho de 2008

Buzine por favor!


Se a gente quiser traduzir a Índia em um som, fica difícil escolher entre a melodia dos mantras e o barulho das buzinas!

Todos buzinam ao mesmo tempo, e é comum ler nos caminhões, ônibus e carros, esses avisos lembrando que não deixem de buzinar.

Tem muita lógica, naquele caos ordenado que é o trânsito das ruas e das estradas indianas, onde carros, ônibus, caminhões, riquixás, bicicletas, motocicletas, vacas, elefantes, macacos e pedestres, se confundem.

Esse clipe é da minha viagem de pesquisa. Estamos em Delhi.Vejam o que o Rohit diz sobre o trânsito na Índia:


sexta-feira, 30 de maio de 2008

O blog da Juliana



A noiva é a Juliana, garota paulista que conheceu um rapaz indiano pela internet e acabou se casando com ele. Deu tudo certo, os dois estão felizes, vivendo em Delhi, dentro do tradicional estilo de vida indiano. 

Juliana foi uma das brasileira que conheci na viagem de pesquisa à Índia.

Ela está começando a escrever um blog, que é muito interessante para quem quer saber mais sobre a Índia.  Clique AQUI para conhecer

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aprendendo a vestir o saree

Existem muitas modos de vestir o saree. Cada região da Índia tem sua maneira.
Escolhi essa, porque o cenário é o de uma típica loja indiana.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Vale a pena lembrar:

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Gol contra!

Patética a atuação da "perícia"contratada pelos Nardoni!

Em matéria de desastre, a performance dos contratados só é comparável àquela entrevista do casal para o Fantástico.

Mas o que  é isso, doutores? um mínimo de compostura não faz mal a ninguém!

sábado, 24 de maio de 2008

tilaks, bindis e sindoor


Tilak é essa marca vermelha, que enfeita a testa dos indianos, representando a abertura de um terceiro olho, voltado para o conhecimento interior. Simboliza, também, a devoção a seu deus, de modo que os homens a recebem nas festas religiosas, e os mais devotos andam sempre com ela.

Você saberá a que linha do hinduísmo pertence um saddhu ou um sanyasis, através do desenho que o tilak faz em sua testa.

O bindi, que você vê nas caixinhas -existe em todas as formas e em todas as cores-, é indispensável para a mulher indiana.

E o sindoor é a marca vermelha, na divisão dos cabelos da mulher à esquerda. Corresponde ao que significa, para nós, a aliança de casamento.

Se uma mulher fica viúva, ali mesmo, diante do corpo do marido, o sindoor é retirado, e são quebradas as pulseiras, outro símbolo que as identifica como casadas

Veja AQUI a propaganda da pasta que faz a marca do tilak e do sindoor

sexta-feira, 23 de maio de 2008

do blog do Altino: índios isolados do Acre

Não sei se vocês sabiam, mas nós temos, no Acre, tribos indígenas que nunca entraram em contato com a civilização.

Pela primeira vez uma dessas tribos foi fotografada. Quem conseguiu o feito foi o sertanista Meirelles, que fez as fotos a bordo de um monomotor.

Olhem o que o Altino conta:

As mulheres e suas crianças fugiram para a floresta em busca de proteção, enquanto os guerreiros da tribo se posicionaram e reagiram atirando flechas no avião.
Leia mais no Blog do Altino

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Aishwarya em Cannes



Olhem quem está em Cannes, no festival 2008: Aishwarya Rai. Ela é maior estrela do cinema indiano, e seu casamento, com o galã Abhishek, foi um acontecimento na Índia.

Mas antes de casar com ele, Aishwarya casou-se com uma bananeira: um jeito encontrado pelos astrólogos de iludir os astros, driblando o mau agouro que o horóscopo da estrela predizia para seu casamento.

Coisas da Índia!

terça-feira, 20 de maio de 2008

cenas da Índia


Ela é a Jhumuri, ele o Manu. O casal de macacos teve um casamento de príncipes: um banquete para três mil convidados, que custou 3.500 euros! Jhumuri vestiu-se de sari, à maneira das noivas humanas, com todos os adereços próprios para a ocasião: braceletes, enfeites com pasta de sândalo, tudo como manda o ritual, e ainda ganhou, de um dos convidados, um colar de ouro.

Manu veio ao encontro da noiva com toda a pompa, carregado em ruidosa procissão, como manda a tradiçao indiana.

Os dois foram criados por famílias diferentes, e depois da cerimônia,oficiada por um sacerdote, claro, ganharam a liberdade e partiram em lua de mel. A mãe da noiva chorou, emocionada, e declarou que sentia como se uma filha sua estivesse partindo.

Como vocês sabem, os indianos tem um carinho especial pelos macacos,a ponto de lhes dedicarem um templo, porque um dos seus deuses mais queridos, Sri Hanumam, o filho do vento, tomou essa forma.

Hanumam foi o amigo fiel de Rama, o herói indiano que representa todas as virtudes do homem justo, honesto, que age sempre de acordo com seu dever. A saga de Rama está contada no Ramayana, clássico da literatura hindu.

A esposa de Rama, Sita, foi sequestrada por um demônio, e Hanumam cruzou o mar para resgata-la. Ele representa a amizade desinteressada, a abnegação, o celibatário que esquece de si para servir ao outro, que põe a vida a serviço de um ideal.

Hanumam faz muitos milagres, mas recentemente os indianos descobriram mais uma de suas especialidades: ele agiliza vistos! isso mesmo: tem sido cada vez maior o número de devotos que, de passaporte na mão, vão ao templo, pedir a intercessão do deus -é o visto Hanumam. E dizem que não falha!

Incrediable India!

domingo, 18 de maio de 2008

Vacas Sagradas

Não falei pra vocês que as vacas eram abusadas na Índia? não é pra menos:

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Obrigada, Dorothy!


Há anos, há muitos anos, estamos lutando para tirar do nosso código penal o "protesto por novo júri", que consiste em mandar, a novo julgamento, o condenado a pena superior a 20 anos.

O benefício, criado na época do império, para evitar injustiças no caso dos condenados à morte, continuou valendo, mesmo depois de a pena de morte ter sido abolida no Brasil.

Resultado: seja qual for a gravidade do crime cometido, a pena máxima passou a ser, na prática, de 19 anos e 6 meses, para evitar que o desfecho do caso fosse adiado para daqui a mais 4, 5 anos!

Eu mesma, quando o Tribunal do Juri condenou os assassinos de minha filha, e o juiz pretendeu aplicar, aos dois, a pena máxima de 30 anos, roguei que não o fizesse.

Algumas vezes os juízes faziam. No caso da chacina de Vigário Geral, por exemplo, quando homens com toucas ninjas invadiram a comunidade e executaram indiscriminadamente 22 moradores. Que eles mereciam os 30 anos, ninguém duvida. O juiz aplicou a lei e o resultado é que, até hoje, o caso não teve desfecho. Lá se vão quase 15 anos!
diante da indignação pública, nossas autoridades costumam responder que não se pode sair modificando a lei em clima de comoção popular!

foi preciso a a comoção dos estrangeiros, quando o estranho benefício acabou deixando impune o mandante do assassinato da missionária Dorothy, para inibir nossas autoridades de repetir que em momento de comoção não se mexe na lei! As providências foram tomadas, e o congresso votou: até que enfim, o protesto por novo juri foi retirado do código!

Aliás, não me espanta que aqueles sete jurados tenham votado pela absolvicão do mandante do crime: sabem que ficaria solto. Sairia do tribunal pela porta da frente, para recorrer em liberdade. E, mesmo preso, no máximo em 5 anos estaria na rua. 

Se fez isso com a missionária, imagine o que não poderia fazer com cada um daqueles anônimos que o condenaram! Garanto que eles pensaram nisso!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Nem o advogado esconde que sabe

O dr. Levorin, advogado do casal Nardoni, escancarou a culpa dos clientes.
A declaração está no jornal O Globo:

entendemos que as provas são vulneráveis. Por isto estamos sustentando a negativa de autoria

sábado, 10 de maio de 2008

Bom de lembrar: TV MACHO



quarta-feira, 7 de maio de 2008

os presidiários também querem JUSTIÇA!


O promotor Cembranelli, pedindo a prisão preventiva do casal Nardoni, registra uma indignação que é de todos nós: porque se manda para a cadeia quem rouba um pote de margarina e se deixa na rua quem assassina uma criança?

Coisas da nossa justiça de "primeiro mundo": uma menina é assassinada brutalmente, e ao invés de estarmos discutindo violência doméstica, psicopatia, novas formas de proteção da infância, o que vemos é um debate surreal sobre se a lei permite ou não permite que a prisão dos executores seja decretada.

A esse respeito, vou deixar registrado, aqui, meu depoimento sobre uma situação vivida 15 anos atrás, quando eram passadas, de mão em mão, as assinaturas que vieram a tornar-se a primeira emenda popular da História do Brasil: aquela que inclui o homicídio qualificado entre os crimes hediondos, merecedores, portanto, de uma pena mais severa, e de uma estada maior atrás das grades.

Um dia, chegaram às minhas mãos mais de 500 assinaturas, vindas de um presídio do Rio. Achei logo que aquilo era armação para desmoralizar a campanha: como assim? estávamos pedindo endurecimento de pena, e os presidiários assinavam em massa a reinvindicação?

Pedi a um amigo, conhecido produtor, que fosse ao presídio. Ele foi. Voltou com a confirmação das assinaturas e um recado dos presos:

-diga a ela que fomos nós, sim. A gente vem pra cadeia de qualquer jeito, pelo menos agora os ricos vem também!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Aarti

Aarti é uma cerimônia coletiva de veneração aos deuses, realizada em dias especiais para as pessoas que participam dela: membros da família que se queira reverenciar, récem casados, quando se vai empreender algum negócio importante, tomar alguma decisão de vida.

O objetivo do ritual é pedir sabedoria, riqueza, sorte, saúde, paz, aos deus a quem se oferece a homenagem. A cerimônia é sempre presidida por um brâmane, casta mais elevada, que tem por dharma (dever moral), realizar as cerimônias religiosas.Pode ser feita tanto no templo quanto nas casas.

Vejam como é bonita, alegre, e como flui de maneira leve e amorosa o relacionamento do indiano com seus deuses:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Dr. Ambedkar, o pai dos "intocáveis"


Pouco conhecido no Ocidente, o dr Ambedkar é adorado e reverenciado pelos "intocáveis" na Índia. Não há "intocável" que não tenha, em casa, uma fotografia sua, posta em lugar de honra. E não é pra menos: ele fundou o primeiro partido político de "intocáveis", presidiu a Assembléia Constituinte quando da independência da Índia, e foi o principal redator da nova constituição.

Ramji Ambedkar era um "intocável" também, fazia parte do contingente humano que os textos sagrados definem como "a poeira aos pés de Brahma", aqueles que nascem "impuros", não podem beber do mesmo poço que os integrantes das castas, nem tocá-los, mesmo com sua sombra.

Desafiando todas as probabilidades, conseguiu estudar, e através de bolsas, doutourar-se pela Universidade de Columbia e pela London School of Economics. Voltou à Índia em 1923, tornou-se líder dos "intocáveis" e, como Gandhi, mas através de propostas diferentes, lutou pela conquista de seus direitos políticos.

Um dos momentos mais célebres de suas campanhas foi quando, no final de um comício, depois de um discurso caloroso e apaixonado, queimou um exemplar das leis de Manu, código anterior a Cristo, que dispõe sobre as castas, determinando os direitos e deveres de cada uma delas.

A ruptura entre Ambedkar e Ghandi se deu através das soluções conflitantes que ambos apresentavam para a causa dos intocáveis. Ambedkar acreditava que só seria possível integra-los plenamente através da destruição do sistema de castas, o que implicava em separar a vida civil da vida religiosa. Certo de que nenhum candidato intocável venceria uma eleição aberta a todas as classes, propôs que os párias constituissem um eleitorado à parte: na disputa por um cargo público, intocáveis seriam eleitos por intocáveis. Desse modo, eles teriam sempre representatividade garantida no governo indiano.

Gandhi sentiu o hinduísmo ameaçado, e se opôs tenazmente à idéia, acreditando que a integração dos intocáveis não necessitava de soluções laicas para tornar-se real. Podia ser feita sem necessidade de ferir os princípios do hinduísmo. Ele próprio fundou um ashram (templo) que compartilhou com intocáveis, e chegou a adotar, como filha, uma menina intocável.

Quando os britânicos ameaçaram ceder às reinvindicações de Ambedkar, ele protestou, com uma greve de fome que acabou fazendo o lider dos intocáveis recuar. Decepcionado, Ambedkar tentou outra estratégia: liderou um movimento de conversão em massa dos párias ao budismo. de modo a livra-los das restrições impostas pelo sistema de castas. Mas morreu antes que a nova iniciativa desse frutos.